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IA em cirurgia e robótica

Em pacientes com câncer de bexiga, a cistectomia radical robótica é superior à aberta em desfechos perioperatórios, oncológicos e de qualidade de vida?

Resposta curta: Metanálise de oito ensaios randomizados (1024 participantes) mostrou que a cistectomia robótica associa-se a menor tempo de internação, menos sangramento e transfusões, e menos eventos tromboembólicos que a aberta, com complicações e desfechos oncológicos semelhantes. Houve melhor funcionamento físico e de papel, sem diferença na qualidade de vida global.

Resposta

A cistectomia radical é tratamento padrão para câncer de bexiga músculo-invasivo, e a abordagem robótica tem sido comparada à aberta. Esta revisão sistemática e metanálise reuniu evidências de ensaios clínicos randomizados para comparar desfechos perioperatórios, oncológicos e de qualidade de vida entre as duas técnicas.

Foram incluídos oito ensaios, totalizando 1024 participantes. A cistectomia robótica associou-se a menor tempo de internação hospitalar e a taxas de complicações semelhantes às da cirurgia aberta. A cirurgia aberta apresentou maior incidência de eventos tromboembólicos, maior perda sanguínea e maior necessidade de transfusões, porém menor tempo operatório.

Não houve diferenças significativas no número de linfonodos removidos ou na taxa de margens cirúrgicas positivas. Em relação à sobrevida livre de progressão e à sobrevida global, os resultados também foram semelhantes entre as abordagens. A qualidade de vida relacionada à saúde mostrou melhora no funcionamento físico e no desempenho de papéis com a técnica robótica, mas sem diferença na qualidade de vida global.

Os autores concluem que a cistectomia robótica oferece benefícios perioperatórios em relação à aberta, podendo ser mais adequada para pacientes que desejam evitar transfusão, reduzir o tempo de internação ou apresentam alto risco de eventos tromboembólicos. As limitações incluem a possível falta de generalização dos resultados, uma vez que os pacientes incluídos nos ensaios podem não representar a população geral.

Para o médico, esses achados auxiliam na discussão das opções cirúrgicas com a equipe e na seleção de pacientes para cada abordagem, considerando riscos individuais e preferências. A decisão deve integrar os benefícios perioperatórios observados com a disponibilidade de recursos e a experiência da equipe cirúrgica.

O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e metanálise de oito ensaios clínicos randomizados, com 1024 participantes, comparando cistectomia radical robótica e aberta. A robótica associou-se a menor tempo de internação (diferença média 0,21; IC 95% 0,03-0,39; p=0,02) e taxas de complicações semelhantes. A aberta teve mais eventos tromboembólicos (OR 1,84; IC 95% 1,02-3,31; p=0,04), maior perda sanguínea (diferença média 322 ml; IC 95% 193-450; p<0,001) e mais transfusões (OR 2,35; IC 95% 1,65-3,36; p<0,001), mas menor tempo operatório (diferença média 76 min; IC 95% 39-112; p<0,001). Não houve diferenças em linfonodos removidos, margens positivas, sobrevida livre de progressão ou global. A robótica mostrou melhor funcionamento físico e de papel, sem diferença na qualidade de vida global.

Limitações

O resumo não informa detalhes sobre o risco de viés dos ensaios incluídos, heterogeneidade entre os estudos ou tempo de seguimento. Os autores citam possível falta de generalização, pois os participantes dos ensaios podem não representar a população real. Além disso, o resumo não descreve os critérios de inclusão dos pacientes nem o contexto de cada centro.

Aplicação no consultório

Os achados podem orientar a conversa com o paciente sobre as duas técnicas cirúrgicas, destacando benefícios perioperatórios da robótica, como menor necessidade de transfusão e menor tempo de internação. Para a gestão do consultório, é útil conhecer a disponibilidade e a experiência da equipe com cada abordagem, além de considerar o perfil de risco do paciente, especialmente risco tromboembólico. A decisão compartilhada deve ponderar esses fatores e os desfechos oncológicos equivalentes.

Estudo citado

Robot-assisted Radical Cystectomy Versus Open Radical Cystectomy: A Systematic Review and Meta-analysis of Perioperative, Oncological, and Quality of Life Outcomes Using Randomized Controlled Trials. European urology, 2023.
Autores: Khetrapal P, Wong JKL, Tan WP, Rupasinghe T, Tan WS, Williams SB, Boorjian SA, Wijburg C, Parekh DJ, Wiklund P, Vasdev N, Khan MS, Guru KA, Catto JWF, Kelly JD.
DOI: 10.1016/j.eururo.2023.04.004 · PubMed: PMID 37169638

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.