# Em pacientes com câncer de bexiga, a cistectomia radical robótica é superior à aberta em desfechos perioperatórios, oncológicos e de qualidade de vida?

> Metanálise de oito ensaios randomizados (1024 participantes) mostrou que a cistectomia robótica associa-se a menor tempo de internação, menos sangramento e transfusões, e menos eventos tromboembólicos que a aberta, com complicações e desfechos oncológicos semelhantes. Houve melhor funcionamento físico e de papel, sem diferença na qualidade de vida global.

Estudo citado: Khetrapal P, Wong JKL, Tan WP, Rupasinghe T, Tan WS, Williams SB et al.. Robot-assisted Radical Cystectomy Versus Open Radical Cystectomy: A Systematic Review and Meta-analysis of Perioperative, Oncological, and Quality of Life Outcomes Using Randomized Controlled Trials. European urology. 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.eururo.2023.04.004. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37169638/

## Resposta

A cistectomia radical é tratamento padrão para câncer de bexiga músculo-invasivo, e a abordagem robótica tem sido comparada à aberta. Esta revisão sistemática e metanálise reuniu evidências de ensaios clínicos randomizados para comparar desfechos perioperatórios, oncológicos e de qualidade de vida entre as duas técnicas.

Foram incluídos oito ensaios, totalizando 1024 participantes. A cistectomia robótica associou-se a menor tempo de internação hospitalar e a taxas de complicações semelhantes às da cirurgia aberta. A cirurgia aberta apresentou maior incidência de eventos tromboembólicos, maior perda sanguínea e maior necessidade de transfusões, porém menor tempo operatório.

Não houve diferenças significativas no número de linfonodos removidos ou na taxa de margens cirúrgicas positivas. Em relação à sobrevida livre de progressão e à sobrevida global, os resultados também foram semelhantes entre as abordagens. A qualidade de vida relacionada à saúde mostrou melhora no funcionamento físico e no desempenho de papéis com a técnica robótica, mas sem diferença na qualidade de vida global.

Os autores concluem que a cistectomia robótica oferece benefícios perioperatórios em relação à aberta, podendo ser mais adequada para pacientes que desejam evitar transfusão, reduzir o tempo de internação ou apresentam alto risco de eventos tromboembólicos. As limitações incluem a possível falta de generalização dos resultados, uma vez que os pacientes incluídos nos ensaios podem não representar a população geral.

Para o médico, esses achados auxiliam na discussão das opções cirúrgicas com a equipe e na seleção de pacientes para cada abordagem, considerando riscos individuais e preferências. A decisão deve integrar os benefícios perioperatórios observados com a disponibilidade de recursos e a experiência da equipe cirúrgica.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e metanálise de oito ensaios clínicos randomizados, com 1024 participantes, comparando cistectomia radical robótica e aberta. A robótica associou-se a menor tempo de internação (diferença média 0,21; IC 95% 0,03-0,39; p=0,02) e taxas de complicações semelhantes. A aberta teve mais eventos tromboembólicos (OR 1,84; IC 95% 1,02-3,31; p=0,04), maior perda sanguínea (diferença média 322 ml; IC 95% 193-450; p<0,001) e mais transfusões (OR 2,35; IC 95% 1,65-3,36; p<0,001), mas menor tempo operatório (diferença média 76 min; IC 95% 39-112; p<0,001). Não houve diferenças em linfonodos removidos, margens positivas, sobrevida livre de progressão ou global. A robótica mostrou melhor funcionamento físico e de papel, sem diferença na qualidade de vida global.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre o risco de viés dos ensaios incluídos, heterogeneidade entre os estudos ou tempo de seguimento. Os autores citam possível falta de generalização, pois os participantes dos ensaios podem não representar a população real. Além disso, o resumo não descreve os critérios de inclusão dos pacientes nem o contexto de cada centro.

## Aplicação no consultório

Os achados podem orientar a conversa com o paciente sobre as duas técnicas cirúrgicas, destacando benefícios perioperatórios da robótica, como menor necessidade de transfusão e menor tempo de internação. Para a gestão do consultório, é útil conhecer a disponibilidade e a experiência da equipe com cada abordagem, além de considerar o perfil de risco do paciente, especialmente risco tromboembólico. A decisão compartilhada deve ponderar esses fatores e os desfechos oncológicos equivalentes.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os critérios para indicar a cistectomia robótica em vez da aberta?
- Como a cistectomia robótica impacta o tempo de recuperação e o retorno às atividades?
- Existem diferenças de custo entre as abordagens que devam ser consideradas na prática clínica?

Tema: IA em cirurgia e robótica. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-cirurgia-robotica/em-pacientes-com-cancer-de-bexiga-a-cistectomia-radical-robotica-e-superior-a/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
