A injeção de fibrina rica em plaquetas injetável (i-PRF) modifica o fenótipo gengival em pacientes com fenótipo fino?
Resposta curta: Sim, a i-PRF aumenta significativamente a espessura gengival em todos os tempos avaliados. O ganho em largura de tecido queratinizado depende do número de sessões: quatro injeções aumentam a largura, enquanto três injeções não produzem aumento significativo. A combinação com microagulhamento parece superior para espessura gengival.
Resposta
A revisão sistemática com meta-análise avaliou o efeito da injeção de i-PRF no fenótipo gengival fino, considerando espessura gengival (GT) e largura de tecido queratinizado (KTW). Foram incluídos sete ensaios clínicos randomizados, dos quais cinco entraram na síntese quantitativa. O desfecho principal foi a mudança nesses parâmetros após a intervenção.
Os resultados mostraram aumento estatisticamente significativo da GT no grupo i-PRF em todos os tempos de avaliação, com diferença média variando de 0,12 mm a 0,38 mm em relação ao basal. Para KTW, quatro injeções proporcionaram aumento significativo após 3 e 6 meses (diferença média de 0,31 mm e 0,37 mm, respectivamente). Já três injeções não resultaram em aumento significativo após 1 e 3 meses (diferença média de 0,14 mm em ambos os tempos).
Quando comparado i-PRF isolado com i-PRF associado a microagulhamento, houve diferença significativa na GT a favor da combinação, com diferenças médias de 0,04 mm após 3 meses e 0,11 mm após 6 meses. Para KTW, não houve diferença significativa entre as duas abordagens (diferença média de 0,03 mm em ambos os tempos).
A força de evidência variou de baixa a moderada para os desfechos principais, e foi moderada para as comparações entre i-PRF e i-PRF + microagulhamento. Os autores concluem que a i-PRF promove aumento da GT, mas o efeito sobre KTW depende do número de sessões, com benefício apenas com quatro aplicações.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados (paralelos e split-mouth) que avaliou mudanças na espessura gengival (GT) e largura de tecido queratinizado (KTW) após injeção de i-PRF na região anterior vestibular, em pacientes com fenótipo gengival fino. Sete ECRs foram incluídos, cinco na meta-análise. Houve aumento significativo da GT em todos os tempos (diferença média de 0,12 mm a 0,38 mm). Quatro injeções aumentaram KTW após 3 e 6 meses (0,31 mm e 0,37 mm), enquanto três injeções não mostraram aumento significativo (0,14 mm). A combinação com microagulhamento foi superior para GT.
Limitações
O resumo não informa o número total de participantes, as características detalhadas das populações, os riscos de viés individuais dos estudos incluídos, nem o tempo total de seguimento. A força de evidência variou de baixa a moderada, indicando limitações na qualidade metodológica e na precisão das estimativas. O resumo também não detalha os protocolos de injeção (concentração, volume, intervalos) nem possíveis eventos adversos.
Aplicação no consultório
Para o clínico, a i-PRF pode ser considerada uma opção para aumentar a espessura gengival em pacientes com fenótipo fino, especialmente quando se busca modificação tecidual sem cirurgia. O número de sessões deve ser planejado: quatro aplicações parecem necessárias para ganho de largura de tecido queratinizado, o que impacta o custo e a adesão do paciente. A associação com microagulhamento pode ser discutida para otimizar a espessura gengival. A força de evidência limitada sugere individualizar a indicação e monitorar os resultados.
Estudo citado
Efficacy of the injectable platelet-rich fibrin (i-PRF) in gingival phenotype modification: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. BMC oral health, 2024.
Autores: Idris MI, Burhan AS, Hajeer MY, Sultan K, Nawaya FR.
DOI: 10.1186/s12903-024-05109-5 · PubMed: PMID 39487452
Perguntas para aprofundar
- Qual o número ideal de sessões de i-PRF para modificação do fenótipo gengival?
- A combinação de i-PRF com microagulhamento é superior à i-PRF isolada para espessura gengival?
- Quais são as limitações metodológicas dos estudos sobre i-PRF para fenótipo gengival?
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