A força de preensão manual pode predizer mortalidade por todas as causas em pacientes com doença renal crônica?
Resposta curta: Sim. Esta revisão sistemática com meta-análise de estudos de coorte mostrou que pacientes com doença renal crônica e menor força de preensão manual apresentaram maior risco de mortalidade por todas as causas, e que cada aumento de 1 unidade na força de preensão manual associou-se a redução de 3,9% no risco de morte.
Resposta
A força de preensão manual é um marcador prognóstico de envelhecimento saudável e tem sido associada a desfechos de várias doenças crônicas. Esta revisão sistemática com meta-análise buscou quantificar a relação entre a força de preensão manual e o risco de mortalidade por todas as causas em pacientes com doença renal crônica, reunindo evidências de estudos de coorte.
A meta-análise de efeitos aleatórios, incluindo 16.106 pacientes com doença renal crônica, mostrou que os participantes com menor força de preensão manual tiveram risco de mortalidade 96,1% maior em comparação aos com maior força (HR: 1,961; IC 95% 1,591-2,415), com certeza da evidência classificada como muito baixa pelo GRADE. Essa associação foi independente da idade média basal e do tempo de seguimento.
Em 2.967 pacientes com doença renal crônica, outro modelo de efeitos aleatórios mostrou que, para cada aumento de 1 unidade na força de preensão manual, o risco de morte foi reduzido em 3,9% (HR: 0,961; IC 95% 0,949-0,974), com certeza da evidência moderada pelo GRADE.
Os autores concluem que, em pacientes com doença renal crônica, melhor força de preensão manual está associada a menor risco de mortalidade por todas as causas, apoiando o uso da força de preensão manual como um forte preditor de mortalidade nessa população.
Para o médico, o achado reforça a avaliação da força de preensão manual como parte da estratificação de risco na doença renal crônica, ainda que a certeza da evidência varie entre os desfechos analisados e que o resumo não detalhe a população específica, os estadiamentos renais ou os pontos de corte utilizados.
O que o estudo mostrou
Trata-se de revisão sistemática com meta-análise de estudos de coorte, com busca em PubMed, Embase e Web of Science, incluindo 28 artigos. A meta-análise de efeitos aleatórios com 16.106 pacientes com doença renal crônica mostrou que menor força de preensão manual associou-se a risco de mortalidade 96,1% maior (HR: 1,961; IC 95% 1,591-2,415; GRADE muito baixa). Em 2.967 pacientes, cada aumento de 1 unidade na força de preensão manual reduziu o risco de morte em 3,9% (HR: 0,961; IC 95% 0,949-0,974; GRADE moderada).
Limitações
O resumo não informa as limitações descritas pelos autores, nem detalha a população específica, os estadiamentos da doença renal crônica, os pontos de corte de força de preensão manual ou a heterogeneidade entre os estudos. A certeza da evidência foi classificada como muito baixa para o contraste entre menor e maior força de preensão manual, o que limita a força das conclusões, e o desenho observacional dos estudos de coorte não permite estabelecer causalidade.
Aplicação no consultório
A força de preensão manual pode ser incorporada à avaliação clínica de pacientes com doença renal crônica como marcador prognóstico de mortalidade, apoiando a estratificação de risco e o acompanhamento longitudinal. Na gestão do consultório, isso pode justificar a padronização da medida e o registro seriado na ficha do paciente, além de orientar a priorização de acompanhamento mais próximo daqueles com pior desempenho. Como a certeza da evidência é variável, a medida deve complementar, e não substituir, a avaliação clínica global.
Estudo citado
Handgrip strength and all-cause mortality in patients with chronic kidney disease: an updated systematic review and meta-analysis of cohort studies. International urology and nephrology, 2023.
Autores: Zhang F, Wang H, Bai Y, Huang L, Zhang H.
DOI: 10.1007/s11255-023-03603-3 · PubMed: PMID 37076597
Perguntas para aprofundar
- Qual é a relação entre força de preensão manual e mortalidade em pacientes com doença renal crônica?
- A associação entre força de preensão manual e mortalidade depende da idade ou do tempo de seguimento?
- Como incorporar a medida de força de preensão manual na estratificação de risco do paciente com doença renal crônica?
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