Qual é a acurácia de triagem e diagnóstica dos verificadores de sintomas online para o público leigo?
Resposta curta: A acurácia diagnóstica dos verificadores de sintomas online é baixa e quase sempre inferior à dos comparadores. A acurácia de triagem mostrou-se subótima na maioria dos estudos, com poucas exceções. A severidade e urgência da condição, o uso de algoritmos de inteligência artificial e perguntas demográficas influenciaram os resultados, mas de forma inconsistente entre as ferramentas.
Resposta
Esta revisão sistemática teve como objetivo sumarizar a literatura revisada por pares sobre a acurácia de triagem e diagnóstica de verificadores de sintomas online (OSCs) destinados a usuários leigos para queixas gerais de saúde. Foram incluídos 14 estudos, de um total de 21.296 identificados, publicados entre janeiro de 2010 e fevereiro de 2022. Os estudos utilizaram vinhetas clínicas, registros médicos ou entrada direta de pacientes.
Os resultados mostraram que tanto a acurácia diagnóstica quanto a de triagem variaram amplamente entre os OSCs. A acurácia diagnóstica geral foi considerada baixa e quase sempre inferior à dos comparadores. A maioria dos estudos (9/13, 69%) mostrou acurácia de triagem subótima, com algumas exceções (4/13, 31%).
As principais variáveis que afetaram os níveis de acurácia foram a severidade e urgência da condição, o uso de algoritmos de inteligência artificial e perguntas demográficas. No entanto, o impacto de cada variável diferiu entre ferramentas e estudos, dificultando conclusões sólidas.
Todos os estudos incluídos apresentaram pelo menos uma área com risco de viés incerto, segundo a ferramenta Quality Assessment of Diagnostic Accuracy Studies-2 revisada. Os autores concluem que, embora os OSCs tenham potencial para fornecer conselhos de saúde e recomendações de triagem acessíveis e precisos, mais pesquisas são necessárias para validar sua acurácia antes da adoção em larga escala em ambientes comunitários e de saúde.
Futuros estudos devem buscar uma metodologia comum e um padrão acordado para avaliação, a fim de facilitar a comparação objetiva e a validação. O resumo não informa detalhes sobre a população específica ou os tipos de OSCs avaliados, nem sobre a magnitude dos efeitos.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática que identificou 21.296 estudos e incluiu 14 (0,07%). Desses, 6 (43%) avaliaram acurácia de triagem e diagnóstica, 7 (50%) apenas triagem e 1 (7%) apenas diagnóstica. A acurácia diagnóstica foi baixa e quase sempre inferior à dos comparadores. A acurácia de triagem foi subótima em 9/13 (69%) dos estudos, com exceções em 4/13 (31%). As variáveis associadas foram severidade e urgência da condição, uso de inteligência artificial e perguntas demográficas, mas com impacto inconsistente. Todos os estudos tinham ao menos uma área de risco de viés incerto.
Limitações
O resumo não informa o número total de participantes nem as características específicas dos OSCs avaliados. A heterogeneidade entre ferramentas e estudos impede conclusões sólidas sobre as variáveis associadas à acurácia. Todos os estudos incluídos apresentaram pelo menos uma área com risco de viés incerto, segundo a ferramenta de avaliação. A revisão não fornece estimativas quantitativas agrupadas de acurácia.
Aplicação no consultório
Médicos devem interpretar com cautela as recomendações de verificadores de sintomas online usados por pacientes, dada a baixa acurácia diagnóstica e a triagem subótima na maioria dos casos. Na gestão do consultório, é importante orientar a equipe a não superestimar essas ferramentas como substitutas da avaliação clínica. A adoção de OSCs como apoio à triagem deve ser feita com validação local e monitoramento de desfechos, considerando as limitações metodológicas dos estudos disponíveis.
Estudo citado
Triage and Diagnostic Accuracy of Online Symptom Checkers: Systematic Review. Journal of medical Internet research, 2023.
Autores: Riboli-Sasco E, El-Osta A, Alaa A, Webber I, Karki M, El Asmar ML, Purohit K, Painter A, Hayhoe B.
DOI: 10.2196/43803 · PubMed: PMID 37266983
Perguntas para aprofundar
- Como a severidade e a urgência da condição influenciam a acurácia dos verificadores de sintomas online?
- Qual é o impacto do uso de algoritmos de inteligência artificial na acurácia de triagem dessas ferramentas?
- Quais metodologias padronizadas podem ser usadas para validar verificadores de sintomas online na prática clínica?
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