Quais são os determinantes de comparecimento e não comparecimento aos programas de rastreamento de câncer na Holanda?
Resposta curta: Uma revisão sistemática identificou que fatores como status socioeconômico, país de nascimento e local de residência estão associados ao comparecimento aos programas de rastreamento de câncer na Holanda. Fatores informacionais também foram abordados, mas aspectos como conscientização, motivação, habilidade e barreiras foram menos estudados, revelando lacunas no conhecimento.
Resposta
A revisão sistemática teve como objetivo mapear os determinantes conhecidos de comparecimento e não comparecimento aos três programas populacionais de rastreamento de câncer na Holanda (cervical, mama e colorretal). Para isso, os autores realizaram uma busca ampla em bases de dados eletrônicas e na literatura cinzenta, incluindo artigos publicados até fevereiro de 2018. O modelo I-Change foi utilizado para categorizar os determinantes identificados.
Foram incluídos 19 estudos e 6 relatórios da literatura cinzenta. Quinze estudos relataram fatores predisponentes, com destaque para características como status socioeconômico, país de nascimento e local de residência, que se correlacionam com o comparecimento aos programas. Treze estudos abordaram fatores informacionais. Outros fatores, como conscientização, motivação, habilidade e barreiras, foram menos frequentemente estudados.
Os achados indicam que a literatura existente tende a descrever características gerais dos participantes e não participantes, mas raramente fornece informações aprofundadas sobre outros determinantes da (não) participação. O modelo I-Change mostrou-se útil para mapear o conhecimento atual e revelou lacunas sobre os determinantes da participação nos programas de rastreamento.
Os autores concluem que mais pesquisas são necessárias para compreender plenamente os determinantes da participação, a fim de influenciar e otimizar as taxas de comparecimento em longo prazo. A revisão não informa sobre a eficácia de intervenções específicas, mas destaca a importância de considerar múltiplos fatores na análise da adesão aos programas.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática que incluiu 19 estudos e 6 relatórios da literatura cinzenta, publicados antes de fevereiro de 2018. Os estudos foram categorizados segundo o modelo I-Change. Quinze estudos relataram fatores predisponentes, sendo os mais frequentes status socioeconômico, país de nascimento e local de residência, que se correlacionam com o comparecimento. Treze estudos abordaram fatores informacionais. Fatores como conscientização, motivação, habilidade e barreiras foram menos estudados. O resumo não informa a qualidade metodológica dos estudos incluídos.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre a qualidade dos estudos incluídos, possíveis vieses de publicação ou heterogeneidade entre os estudos. Além disso, a revisão se restringe ao contexto holandês, o que pode limitar a generalização para outras populações. Os autores destacam que a literatura existente carece de informações aprofundadas sobre determinantes além dos fatores predisponentes e informacionais, indicando lacunas no conhecimento.
Aplicação no consultório
Para o médico brasileiro, os achados reforçam a importância de considerar características sociodemográficas dos pacientes ao incentivar a participação em programas de rastreamento. Na gestão do consultório, pode-se utilizar sistemas de lembrete e estratégias de comunicação adaptadas a diferentes perfis, especialmente para grupos com menor adesão. No entanto, a revisão não testou intervenções, portanto não é possível afirmar quais estratégias são eficazes. O médico pode usar essas informações para identificar pacientes com maior risco de não comparecimento e direcionar esforços educativos.
Estudo citado
Determinants of (non-)attendance at the Dutch cancer screening programmes: A systematic review. Journal of medical screening, 2020.
Autores: Bongaerts TH, Büchner FL, Middelkoop BJ, Guicherit OR, Numans ME.
DOI: 10.1177/0969141319887996 · PubMed: PMID 31801039
Perguntas para aprofundar
- Quais fatores estão associados à não adesão aos programas de rastreamento de câncer?
- Como o modelo I-Change pode ajudar a entender o comparecimento aos rastreamentos?
- Quais lacunas de conhecimento existem sobre a participação em programas de rastreamento?
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