Quais são as expectativas e percepções dos pais de crianças com diabetes tipo 1 sobre consultas por vídeo combinadas com atendimento ambulatorial regular?
Resposta curta: Um estudo qualitativo com pais de crianças com diabetes tipo 1 mostrou que a videochamada mensal combinada ao atendimento presencial aumentou a frequência de contato, otimizou ajustes de insulina e economizou tempo. A principal barreira foi a conexão de internet. A maioria preferiu intervalos de 4 a 6 semanas entre as consultas.
Resposta
O estudo VIDIKI, realizado no norte da Alemanha, investigou as expectativas e experiências de pais de crianças com diabetes tipo 1 em relação a consultas por vídeo mensais combinadas com o atendimento ambulatorial regular. Foram analisadas entrevistas qualitativas com pais, antes e após 12 meses de intervenção.
Os resultados identificaram quatro tópicos principais. As principais vantagens das consultas por vídeo em comparação ao cuidado padrão foram a maior frequência de contato para otimização da dose de insulina e a economia de tempo. A principal barreira relatada foi a dificuldade com conexões de internet.
Os pais relataram maior confiança em relação ao ajuste de insulina associado à telemedicina. Também mencionaram como melhorias importantes a possibilidade de prescrições digitais e o fato de serem atendidos pelo mesmo diabetologista tanto no ambulatório quanto na telemedicina. A maioria dos entrevistados preferiu intervalos de 4 a 6 semanas entre as videochamadas.
A conclusão do estudo destaca que a maior frequência de contato com a equipe de diabetes foi considerada um grande alívio pelos pais. Além da economia de tempo e da flexibilidade de horários, as vantagens mais importantes foram a maior frequência de contato levando a ajustes terapêuticos de curto prazo e o aumento da capacidade de ajustar a terapia de forma independente.
Esses achados são relevantes para a prática clínica, pois sugerem que a incorporação de consultas por vídeo ao cuidado ambulatorial pode melhorar a experiência das famílias e potencialmente a adesão ao tratamento, desde que sejam mitigadas as barreiras tecnológicas.
O que o estudo mostrou
Estudo qualitativo controlado, multicêntrico, com 240 participantes do norte da Alemanha. Foram realizadas entrevistas com pais: antes da intervenção para avaliar expectativas e após 1 ano para avaliar benefícios e barreiras. A análise de conteúdo identificou quatro tópicos principais: vantagens como maior frequência de contato para ajuste de insulina e economia de tempo; barreira principal relacionada à conexão de internet; maior confiança no ajuste de insulina; e preferência por intervalos de 4 a 6 semanas entre as consultas.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre a amostra de entrevistados, como características sociodemográficas ou critérios de seleção. Também não descreve limitações do desenho qualitativo, como possíveis vieses de seleção ou de resposta. Os resultados refletem a percepção de pais em um contexto específico e podem não ser generalizáveis para outras populações ou sistemas de saúde.
Aplicação no consultório
Os achados podem orientar a implementação de consultas por vídeo na prática pediátrica, especialmente para condições crônicas como diabetes tipo 1. A maior frequência de contato e a economia de tempo são atrativos para as famílias, mas é preciso planejar estratégias para lidar com problemas de conexão de internet. A preferência por intervalos de 4 a 6 semanas pode ajudar no agendamento. A continuidade com o mesmo médico e a possibilidade de prescrições digitais são pontos a considerar na gestão do consultório.
Estudo citado
Parental expectations before and after 12-month experience with video consultations combined with regular outpatient care for children with type 1 diabetes: a qualitative study. Diabetic medicine : a journal of the British Diabetic Association, 2021.
Autores: von Sengbusch S, Doerdelmann J, Lemke S, Lange K, Hiort O, Katalinic A, Frielitz FS.
DOI: 10.1111/dme.14410 · PubMed: PMID 32969088
Perguntas para aprofundar
- Como a telemedicina pode ser integrada ao cuidado de crianças com diabetes tipo 1 na prática clínica?
- Quais são as principais barreiras para a implementação de consultas por vídeo no acompanhamento de doenças crônicas?
- Qual a frequência ideal de consultas por vídeo para pacientes pediátricos com diabetes tipo 1?
Mais sobre IA para previsão de no-show, agendamento e gestão de clínicas
- Notificações eletrônicas por texto melhoram a adesão de pacientes a consultas agendadas em comparação com nenhum lembrete?
- Quais questões psicossociais devem ser consideradas no acompanhamento de pacientes pediátricos em transplante de órgãos ou em lista de espera?
- O manejo otimizado da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida em pacientes com 80 anos ou mais melhora os desfechos em relação ao cuidado usual?
- Chamadas de voluntários priorizadas por algoritmo preditivo de no-show aumentam o comparecimento de novos pacientes na atenção primária?
- Mensagens de texto automatizadas melhoram a adesão e a qualidade do preparo intestinal para colonoscopia ambulatorial?
Todas as perguntas sobre IA para previsão de no-show, agendamento e gestão de clínicas · Todos os temas · Versão em markdown