Quais princípios orientam o compartilhamento e a harmonização de dados em terapia intensiva, segundo a Society of Critical Care Medicine?
Resposta curta: Uma revisão sistemática e um processo Delphi modificado resultaram em 24 princípios orientadores para o compartilhamento e harmonização de dados em terapia intensiva, abordando o ciclo de vida dos dados (geração, armazenamento, acesso e uso) de dados do mundo real e evidências do mundo real, com ênfase em ética e equidade.
Resposta
A Society of Critical Care Medicine conduziu uma revisão sistemática da literatura e um processo Delphi modificado para estabelecer princípios orientadores para o compartilhamento e a harmonização de dados em terapia intensiva. O foco está no uso de dados do mundo real (RWD) e evidências do mundo real (RWE) para melhorar desfechos de pacientes e a eficácia da pesquisa.
Os princípios foram desenvolvidos para aprimorar a acessibilidade, padronização e interoperabilidade dos dados entre diferentes ambientes de terapia intensiva. O processo envolveu a identificação de temas e termos de busca, validação e refinamento dos princípios prospectivos e uma avaliação por painel Delphi sobre aceitabilidade, importância e viabilidade.
Como resultado, foram estabelecidos 24 princípios orientadores que abordam desafios ao longo de todo o ciclo de vida dos dados, incluindo geração, armazenamento, acesso e uso de RWD e RWE. O framework visa promover práticas de dados mais eficazes e equitativas, com relevância para o desenvolvimento de ferramentas de apoio à decisão baseadas em inteligência artificial e para a pesquisa clínica.
Os princípios são destinados a orientar o uso responsável da ciência de dados em terapia intensiva, com ênfase em ética e equidade, reconhecendo a variabilidade de recursos entre os diferentes ambientes. A aplicação desses princípios pode auxiliar médicos e gestores na implementação de práticas de compartilhamento e harmonização de dados em suas instituições.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática da literatura seguida de um processo Delphi modificado em três fases. Foram identificados 8150 artigos, dos quais 257 atenderam aos critérios de inclusão. Desses, 322 declarações foram extraídas e, após validação de conteúdo e análise temática, 232 declarações foram consolidadas em 24 princípios orientadores. O painel Delphi avaliou os princípios quanto à aceitabilidade, importância e viabilidade, alcançando alto consenso nas rodadas 2 e 3 sobre relevância e aplicabilidade.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre o tamanho ou a composição do painel Delphi, nem sobre a representatividade geográfica dos especialistas. Também não são descritas limitações do processo de revisão sistemática, como viés de publicação ou restrições de idioma. A aplicabilidade dos princípios em contextos com recursos limitados não é testada, apenas reconhecida como variável.
Aplicação no consultório
Os 24 princípios podem servir como referência para médicos intensivistas e gestores no desenvolvimento de políticas institucionais de compartilhamento e harmonização de dados. Na prática clínica, podem orientar a implementação de ferramentas de apoio à decisão baseadas em inteligência artificial e a participação em pesquisas com dados do mundo real. Para o consultório, sugerem a necessidade de padronizar a coleta e o armazenamento de dados, garantindo ética e equidade no uso das informações.
Estudo citado
Guiding Principles for Data Sharing and Harmonization: Results of a Systematic Review and Modified Delphi From the Society of Critical Care Medicine Data Science Campaign. Critical care medicine, 2025.
Autores: Armaignac DL, Heavner SF, Rausen M, Zhang XT, Al-Hakim T, Strekalova YL, Shah N, Remy KE, Manion S, Haendel M, Kramer AA, Scruth EA, Rincon TA, Park S, Evans LE, Ozrazgat-Baslanti T, Herasevich V, Laudanski K, Murphy DJ, Engel HJ, Sikora A, Khanna AK, Zimmerman JJ, Reuter-Rice K, Cobb JP, Clermont G.
DOI: 10.1097/CCM.0000000000006578 · PubMed: PMID 39982146
Perguntas para aprofundar
- Como aplicar os princípios de compartilhamento de dados em unidades de terapia intensiva com recursos limitados?
- Qual o impacto da harmonização de dados na pesquisa clínica em terapia intensiva?
- Quais são os desafios éticos no uso de dados do mundo real em terapia intensiva?
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