Novos displays de informações de pacientes em terapia intensiva melhoram os desfechos clínicos?
Resposta curta: Uma revisão sistemática comparou intervenções de exibição de informações com o cuidado usual em terapia intensiva e anestesiologia. De 22 estudos, 12 relataram melhora significativa em desfechos primários, principalmente com displays integrados abrangentes e painéis multipacientes. Porém, apenas 1 de 5 ensaios clínicos randomizados teve efeito positivo, sugerindo evidência fraca e lacunas de tradução.
Resposta
A sobrecarga de informações é um problema frequente em ambientes de terapia intensiva. Uma revisão sistemática publicada no Journal of the American Medical Informatics Association avaliou se intervenções de exibição de informações de pacientes melhoram desfechos assistenciais em comparação ao cuidado usual.
Os autores incluíram estudos experimentais e quasi-experimentais realizados em terapia intensiva e anestesiologia, com buscas no PubMed e IEEE Xplore de janeiro de 1990 a junho de 2018. Foram identificados 6742 estudos, dos quais 22 avaliaram 17 displays e atenderam aos critérios de inclusão.
As intervenções foram classificadas em displays integrados abrangentes, painéis multipacientes, monitores fisiológicos e laboratoriais, e sistemas especialistas. Melhora significativa em desfechos primários foi relatada em 12 estudos para 9 displays únicos, principalmente com displays integrados abrangentes (4 de 6 estudos) e painéis multipacientes (5 de 7 estudos).
No entanto, apenas 1 de 5 ensaios clínicos randomizados apresentou efeito positivo no desfecho primário. Ensaios de monitores fisiológicos e laboratoriais não mostraram melhora, apesar de resultados positivos em ambientes simulados, indicando lacunas de tradução da simulação para a prática clínica real.
A conclusão é que há evidência fraca sugerindo que displays integrados abrangentes melhoram a eficiência dos profissionais e desfechos de processo, e que painéis multipacientes melhoram a adesão a protocolos e desfechos de pacientes. Mais estudos randomizados em cenários reais são necessários.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática que incluiu estudos experimentais e quasi-experimentais sobre intervenções de exibição de informações em terapia intensiva e anestesiologia. Foram identificados 6742 estudos, dos quais 22 avaliaram 17 displays. As categorias incluíram displays integrados abrangentes, painéis multipacientes, monitores fisiológicos e laboratoriais, e sistemas especialistas. Melhora significativa em desfechos primários foi relatada em 12 estudos para 9 displays únicos, principalmente com displays integrados abrangentes e painéis multipacientes. Apenas 1 de 5 ensaios clínicos randomizados teve efeito positivo no desfecho primário.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre heterogeneidade ou risco de viés. A evidência é descrita como fraca, e a maioria dos resultados positivos vem de estudos não randomizados. Além disso, ensaios randomizados de monitores fisiológicos e laboratoriais não mostraram benefício, sugerindo lacunas de tradução para a prática real.
Aplicação no consultório
Para o médico que atua em terapia intensiva ou anestesiologia, a revisão sugere que a implementação de displays integrados abrangentes e painéis multipacientes pode melhorar eficiência e adesão a protocolos, mas a evidência é fraca. Na gestão do consultório ou da unidade, é prudente avaliar cuidadosamente novas ferramentas de visualização antes de adotá-las em larga escala, considerando a necessidade de validação em cenários reais e não apenas em simulações.
Estudo citado
Novel displays of patient information in critical care settings: a systematic review. Journal of the American Medical Informatics Association : JAMIA, 2019.
Autores: Waller RG, Wright MC, Segall N, Nesbitt P, Reese T, Borbolla D, Del Fiol G.
DOI: 10.1093/jamia/ocy193 · PubMed: PMID 30865769
Perguntas para aprofundar
- Quais tipos de displays de informações de pacientes mostraram benefícios em terapia intensiva?
- Por que os ensaios clínicos randomizados de monitores fisiológicos não mostraram melhora nos desfechos?
- Como a sobrecarga de informações afeta a eficiência dos profissionais em terapia intensiva?
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