O uso de concentrados autólogos de plaquetas melhora os resultados de recobrimento radicular em recessões gengivais tipo 1?
Resposta curta: Sim, segundo a revisão sistemática com meta-análise em rede, o uso de PRF pode melhorar significativamente os desfechos de recobrimento radicular quando associado ao retalho coronariamente avançado, especialmente em pacientes com maior largura de tecido queratinizado basal. Outros concentrados precisam de mais estudos.
Resposta
A revisão sistemática com meta-análise em rede avaliou a eficácia de diferentes métodos de preparo e protocolos de centrifugação de concentrados autólogos de plaquetas (APCs), como PRP, PRF, L-PRF, A-PRF e CGF, no tratamento de recessões gengivais tipo 1 (RT1), sem perda de inserção interproximal ou deslocamento dentário perceptível. O controle comum foi o retalho avançado isoladamente, sem material adicional.
Com base nos ensaios randomizados identificados, observou-se que a utilização de PRF pode aumentar significativamente os resultados do retalho coronariamente avançado em termos de quantidade de recobrimento radicular. Esse benefício foi ainda maior na presença de maior largura de tecido queratinizado basal, com magnitude relativa crescente: quanto maior a largura basal de tecido queratinizado, melhores os resultados de recobrimento com PRF.
Os autores destacam que a eficácia desses produtos precisa ser mais explorada com diferentes substitutos de enxerto e matrizes, bem como em relação a outros biológicos comumente aplicados, por meio de ensaios clínicos randomizados bem conduzidos e adequadamente dimensionados. A revisão não fornece detalhes sobre o número total de estudos incluídos ou características específicas das amostras.
Para o clínico, os achados sugerem que o PRF pode ser uma opção adjuvante ao retalho coronariamente avançado em recessões RT1, particularmente em casos com faixa de tecido queratinizado mais ampla. No entanto, a heterogeneidade de protocolos de preparo e a ausência de dados sobre custo-efetividade limitam recomendações generalizadas.
A aplicação no consultório envolve considerar a disponibilidade de centrífuga e protocolos padronizados para obtenção do PRF, além de selecionar adequadamente os pacientes com base na largura de tecido queratinizado. A gestão do consultório pode se beneficiar da incorporação dessa tecnologia, mas é fundamental treinar a equipe e validar os protocolos internos.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise em rede que buscou ensaios randomizados sobre APCs no tratamento de recessões gengivais tipo 1. Os achados indicam que o PRF, quando associado ao retalho coronariamente avançado, melhora significativamente o recobrimento radicular em comparação ao retalho isolado. Esse efeito é potencializado em pacientes com maior largura de tecido queratinizado basal. O resumo não informa o número de estudos incluídos, o tamanho amostral total ou as características detalhadas das populações.
Limitações
O resumo não informa o número de ensaios incluídos, o tamanho da amostra, os critérios de elegibilidade ou o risco de viés dos estudos. Também não detalha os protocolos de preparo dos APCs nem os desfechos secundários. A eficácia de outros concentrados além do PRF permanece incerta, e os autores enfatizam a necessidade de ensaios clínicos randomizados bem conduzidos e adequadamente dimensionados.
Aplicação no consultório
Na prática clínica, o PRF pode ser considerado como adjuvante ao retalho coronariamente avançado em recessões RT1, especialmente em pacientes com maior largura de tecido queratinizado. Para o consultório, é necessário dispor de centrífuga e protocolos padronizados, além de treinar a equipe. A seleção criteriosa dos casos e a discussão com o paciente sobre benefícios e limitações são essenciais. A gestão pode incluir a análise de custos e a padronização de fluxos para obtenção do PRF.
Estudo citado
Autologous platelet concentrates in root coverage procedures. Periodontology 2000, 2025.
Autores: Barootchi S, Tavelli L, Vinueza MEG, Sabri H, Andrade C, Pinto N, Sanz A, Wang HL.
DOI: 10.1111/prd.12614 · PubMed: PMID 39403998
Perguntas para aprofundar
- Qual a influência da largura de tecido queratinizado basal nos resultados do recobrimento radicular com PRF?
- Como diferentes protocolos de centrifugação do PRF afetam os desfechos clínicos em recessões gengivais?
- O PRF é superior a outros biomateriais no recobrimento radicular de recessões tipo 1?
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