Qual a associação entre a ingestão relativa de proteína e a função física em idosos?
Resposta curta: Uma revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais mostrou que idosos com ingestão muito alta (≥1.2 g/kg/dia) e alta (≥1.0 g/kg/dia) de proteína apresentam melhor desempenho físico de membros inferiores e velocidade de marcha, respectivamente, em comparação àqueles com ingestão baixa (<0.80 g/kg/dia).
Resposta
A revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais investigou a associação entre a ingestão relativa de proteína e a função física em idosos. Os resultados indicam que uma ingestão muito alta de proteína (≥1.2 g/kg/dia) está associada a melhor funcionamento físico de membros inferiores, enquanto uma ingestão alta (≥1.0 g/kg/dia) está associada a melhor desempenho na velocidade de marcha, quando comparadas a uma ingestão relativa baixa (<0.80 g/kg/dia).
Por outro lado, a ingestão relativa alta de proteína não parece proporcionar melhor desempenho na força de preensão manual isométrica e no teste de levantar da cadeira em comparação à ingestão baixa. Além disso, não foram observadas diferenças significativas na função física entre os grupos com ingestão alta e média de proteína.
Os achados sugerem que ingestões mais elevadas de proteína podem ser benéficas para a função física de membros inferiores e velocidade de marcha em idosos que vivem na comunidade. Esses resultados fornecem evidências adicionais sobre a potencial necessidade de aumentar as recomendações de proteína acima das atuais.
No entanto, os autores destacam que ensaios clínicos randomizados de grande porte são necessários para confirmar os efeitos aditivos de dietas hiperproteicas (≥1.0 g/kg/dia) em comparação com as recomendações atuais sobre a função física. A revisão foi publicada na revista Nutrients em 2018 e todos os dados estão disponíveis no Open Science Framework.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais que investigaram a associação entre ingestão de proteína e função física em idosos. Os estudos foram recuperados de bases como MEDLINE, SCOPUS, CINAHL, AgeLine, EMBASE e Cochrane-CENTRAL. Os resultados mostraram que os grupos com ingestão muito alta (≥1.2 g/kg/dia) e alta (≥1.0 g/kg/dia) de proteína apresentaram melhor funcionamento físico de membros inferiores e velocidade de marcha, respectivamente, em comparação com indivíduos com ingestão relativa baixa (<0.80 g/kg/dia). Não houve diferenças significativas para preensão manual isométrica e levantar da cadeira, nem entre os grupos de ingestão alta e média.
Limitações
O resumo não informa o número de estudos incluídos, o tamanho da amostra total, nem as características detalhadas dos participantes. Por ser uma revisão de estudos observacionais, não é possível estabelecer causalidade. Os autores mencionam a necessidade de ensaios clínicos randomizados de grande porte para confirmar os achados. O resumo também não detalha possíveis vieses ou limitações metodológicas dos estudos originais.
Aplicação no consultório
Os achados podem auxiliar o médico na avaliação nutricional de idosos, considerando que ingestões proteicas mais elevadas (≥1.0 g/kg/dia) foram associadas a melhor desempenho físico de membros inferiores e velocidade de marcha. Isso pode orientar a discussão sobre metas proteicas individualizadas, especialmente em pacientes com risco de sarcopenia ou declínio funcional. No entanto, a evidência é observacional e não permite afirmar causalidade, sendo prudente aguardar resultados de ensaios clínicos randomizados antes de mudanças amplas de conduta. A gestão do consultório pode incluir a incorporação dessa informação na anamnese nutricional e no acompanhamento funcional, sem promessas de benefícios absolutos.
Estudo citado
Relative Protein Intake and Physical Function in Older Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis of Observational Studies. Nutrients, 2018.
Autores: Coelho-Júnior HJ, Milano-Teixeira L, Rodrigues B, Bacurau R, Marzetti E, Uchida M.
DOI: 10.3390/nu10091330 · PubMed: PMID 30235845
Perguntas para aprofundar
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