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Longevidade e geroscience

As medidas neurofisiológicas por EEG e MEG já podem ser usadas na prática clínica para diferenciar envelhecimento saudável, comprometimento cognitivo leve e demência?

Resposta curta: Ainda não. A revisão sistemática mostra que EEG e MEG têm potencial como ferramentas diagnósticas e preditivas, mas faltam estudos longitudinais, padronização de métodos e identificação de biomarcadores em nível individual para uso clínico rotineiro na diferenciação entre envelhecimento saudável, comprometimento cognitivo leve e demência.

Resposta

A revisão sistemática pré-registrada analisou 942 estudos que utilizaram EEG, MEG ou ambas para caracterizar a neurofisiologia do envelhecimento saudável, do comprometimento cognitivo leve (MCI) e da demência, em condições de repouso e de tarefa. Também foram revisadas 51 revisões anteriores. O objetivo foi mapear o estado atual da evidência sobre medidas neurofisiológicas nesses contextos.

Os achados indicam que medidas como força de sinal em diferentes bandas de frequência, atividade relacionada a eventos, complexidade do sinal e correlação temporal entre regiões cerebrais distantes mostram potencial como ferramentas diagnósticas. Elas poderiam ser valiosas para prever trajetórias de envelhecimento saudável e patológico.

No entanto, os autores destacam que, para alcançar esse objetivo na prática clínica, são necessários estudos longitudinais, padronização de metodologias e identificação de biomarcadores em nível individual, e não apenas em grupo. Atualmente, as medidas neurofisiológicas estão ausentes do uso médico diário, apesar do avanço de biomarcadores bioquímicos, genéticos e de neuroimagem.

A revisão não fornece detalhes sobre a amostra total dos estudos incluídos nem sobre limitações específicas de cada um, mas aponta que a heterogeneidade metodológica é um desafio. O resumo não informa quantitativos de participantes ou características demográficas.

Para o médico, o recado é que EEG e MEG ainda não estão prontos para uso clínico rotineiro na diferenciação de quadros cognitivos, mas representam uma fronteira promissora. A aplicação prática exigirá validação em estudos longitudinais e padronização antes de incorporar essas medidas ao consultório.

O que o estudo mostrou

Revisão sistemática pré-registrada que analisou 942 estudos usando EEG, MEG e combinação de ambos para caracterizar a neurofisiologia do envelhecimento saudável, comprometimento cognitivo leve e demência em repouso e em tarefas. Também revisou 51 revisões anteriores. Os resultados indicam que medidas neurofisiológicas têm potencial como ferramentas diagnósticas e preditivas de trajetórias de envelhecimento, mas ainda faltam estudos longitudinais, padronização metodológica e biomarcadores em nível individual.

Limitações

O resumo não informa a amostra total de participantes dos estudos incluídos, nem detalha limitações individuais de cada estudo. A heterogeneidade metodológica entre os estudos pode comprometer a comparabilidade. Além disso, a revisão não apresenta dados sobre acurácia diagnóstica em nível individual, apenas em grupo, o que limita a aplicação clínica imediata.

Aplicação no consultório

Na prática clínica, EEG e MEG ainda não devem ser incorporados rotineiramente para diferenciar envelhecimento saudável, MCI e demência. O médico pode considerar essas técnicas como ferramentas de pesquisa promissoras, mas não como exames de rotina. Para gestão do consultório, é importante acompanhar a evolução da padronização e dos estudos longitudinais antes de investir em equipamentos ou encaminhamentos para essas medidas.

Estudo citado

The neurophysiology of healthy and pathological aging: a comprehensive systematic review. Brain structure & function, 2025.
Autores: Fernández-Rubio G, Vuust P, Kringelbach ML, Bonetti L.
DOI: 10.1007/s00429-025-03012-5 · PubMed: PMID 40991078

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.