Como a inteligência artificial tem sido aplicada na enfermagem oncológica e o que isso muda na prática clínica?
Resposta curta: A revisão sistemática identificou que a inteligência artificial foi usada em diversas áreas do cuidado oncológico, com algoritmos treinados para modelos preditivos que melhoraram a acurácia de desfechos ou identificaram variáveis preditoras. Poucos estudos implantaram ferramentas digitais com enfermeiros oncológicos no mundo real, predominando o desenvolvimento e a validação de modelos.
Resposta
A revisão sistemática buscou identificar e sintetizar as evidências sobre o uso da inteligência artificial na enfermagem oncológica. Os autores pesquisaram bases como CINAHL, MEDLINE, PsycINFO e PubMed, com termos-chave no período entre janeiro de 2010 e dezembro de 2022, seguindo as diretrizes PRISMA. Após triagem de títulos, resumos e textos completos, vinte estudos foram incluídos, com avaliação crítica e extração de dados.
Os achados mostram que a inteligência artificial foi empregada em diversas áreas, incluindo câncer de mama, colorretal, fígado e ovário, entre outras. Os algoritmos foram treinados e testados em conjuntos de dados primários e secundários para construir modelos preditivos de problemas de saúde relacionados ao câncer. Segundo os estudos, isso levou a melhorias na acurácia da predição de desfechos de saúde ou à identificação de variáveis que aprimoraram a predição.
Um ponto relevante para a prática é que, embora enfermeiros tenham liderado a maioria dos estudos, poucos implantaram uma ferramenta digital baseada em inteligência artificial com enfermeiros oncológicos em um cenário real. Os estudos concentraram-se majoritariamente no desenvolvimento e na validação de modelos preditivos, o que limita a transposição imediata desses resultados para o cotidiano assistencial.
A conclusão dos autores aponta a necessidade de estabelecer conjuntos de dados eletrônicos de enfermagem oncológica para permitir que técnicas de inteligência artificial sejam testadas e, se eficazes, implementadas em ferramentas digitais de predição e outras ferramentas baseadas em inteligência artificial. Além disso, enfermeiros oncológicos precisam de mais educação em aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural para liderar e contribuir com os desenvolvimentos em inteligência artificial na oncologia.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática com buscas em CINAHL, MEDLINE, PsycINFO e PubMed entre janeiro de 2010 e dezembro de 2022, seguindo as diretrizes PRISMA. Vinte estudos foram incluídos após triagem e avaliação crítica. A inteligência artificial foi usada em áreas como câncer de mama, colorretal, fígado e ovário. Algoritmos foram treinados e testados em conjuntos de dados primários e secundários para modelos preditivos, com relatos de melhora na acurácia de predição de desfechos ou identificação de variáveis preditoras. Poucos estudos implantaram ferramentas digitais com enfermeiros oncológicos no mundo real.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre o desenho individual dos estudos incluídos, o tamanho das amostras ou o risco de viés de cada um. Também não descreve quais ferramentas específicas foram avaliadas nem os contextos exatos de aplicação. A predominância de estudos de desenvolvimento e validação de modelos, sem implantação em cenário real, limita conclusões sobre efetividade clínica e implementação.
Aplicação no consultório
Para a prática e a gestão do consultório, a revisão sugere cautela antes de adotar ferramentas de inteligência artificial como apoio à decisão em enfermagem oncológica, pois a maioria dos estudos ainda está em fase de desenvolvimento e validação de modelos preditivos, sem teste em cenário real. Gestores podem considerar investir na organização de conjuntos de dados eletrônicos de enfermagem oncológica, condição apontada pelos autores para testar e implementar essas técnicas, e no treinamento da equipe em aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural.
Estudo citado
The application and use of artificial intelligence in cancer nursing: A systematic review. European journal of oncology nursing : the official journal of European Oncology Nursing Society, 2024.
Autores: O'Connor S, Vercell A, Wong D, Yorke J, Fallatah FA, Cave L, Anny Chen LY.
DOI: 10.1016/j.ejon.2024.102510 · PubMed: PMID 38310664
Perguntas para aprofundar
- Quais áreas do cuidado oncológico já utilizam algoritmos de inteligência artificial segundo a evidência disponível?
- Por que poucas ferramentas de inteligência artificial foram testadas com enfermeiros oncológicos no mundo real?
- Que competências em aprendizado de máquina e processamento de linguagem natural a equipe de enfermagem precisa desenvolver?
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