Como a idade do doador e do receptor influencia os resultados do transplante hepático e quais estratégias de alocação podem otimizar esses resultados?
Resposta curta: Receptores mais velhos têm mais comorbidades e maior mortalidade, mas o benefício do transplante pode ser semelhante se bem selecionados. Doadores mais velhos podem ser usados com bons resultados, especialmente em receptores mais velhos. O pareamento por idade deve ser incorporado às políticas de alocação, com abordagem em várias etapas, e reavaliado na era dos antivirais de ação direta.
Resposta
A idade média de doadores e receptores de transplante hepático tem aumentado ao longo dos anos. Candidatos mais velhos apresentam mais comorbidades, maior mortalidade na lista de espera e maior mortalidade pós-transplante em comparação aos mais jovens, independentemente da causa da doença hepática. No entanto, o benefício do transplante pode ser similar entre receptores mais velhos e mais jovens, desde que os mais velhos sejam cuidadosamente selecionados.
Doadores mais velhos podem proporcionar resultados excelentes, e praticamente não há limite superior de idade para doadores após morte encefálica. A questão central é como otimizar a seleção, a captação e o pareamento para garantir bons resultados com doadores mais velhos. O impacto da idade avançada do doador é mais pronunciado em receptores mais jovens e naqueles com escore MELD elevado.
O pareamento por idade entre doador e receptor deve ser incorporado às políticas de alocação, com uma abordagem em várias etapas. No entanto, esse pareamento pode variar conforme os objetivos das diferentes políticas de alocação. Além disso, o pareamento por idade precisa ser reavaliado na era dos antivirais de ação direta.
Em doação após morte circulatória, limites mais restritivos têm sido adotados. Máquinas de perfusão atualmente em investigação podem ajudar a expandir esses limites. No transplante hepático com doador vivo, o limite de idade do doador é essencialmente guiado pela morbidade relacionada à captação.
Esta revisão sumariza tendências mutantes na idade de receptores e doadores, discute as implicações de doadores e receptores mais velhos e considera diferentes opções de pareamento por idade no transplante hepático que podem melhorar os desfechos.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão que sumariza tendências de idade de doadores e receptores em transplante hepático. Receptores mais velhos têm mais comorbidades, maior mortalidade na lista e pós-transplante, mas o benefício pode ser similar se bem selecionados. Doadores mais velhos podem ser usados com bons resultados, sem limite superior de idade para doadores após morte encefálica. O impacto da idade do doador é maior em receptores jovens e com MELD elevado. O pareamento por idade deve ser incorporado às políticas de alocação.
Limitações
O resumo não informa o desenho detalhado da revisão, as bases de dados consultadas, os critérios de seleção dos estudos ou a qualidade das evidências incluídas. Também não são fornecidos números sobre amostra ou magnitude dos efeitos. Por ser uma revisão, não apresenta dados primários que permitam conclusões causais.
Aplicação no consultório
Na prática clínica, a revisão reforça a importância de selecionar cuidadosamente receptores mais velhos, considerando comorbidades e benefício esperado. Para a gestão do consultório, é fundamental acompanhar as políticas de alocação e pareamento por idade, que podem influenciar o acesso ao transplante. Além disso, o conhecimento sobre doadores mais velhos e técnicas de perfusão pode auxiliar no aconselhamento de pacientes e na tomada de decisão compartilhada.
Estudo citado
Age and liver transplantation. Journal of hepatology, 2019.
Autores: Durand F, Levitsky J, Cauchy F, Gilgenkrantz H, Soubrane O, Francoz C.
DOI: 10.1016/j.jhep.2018.12.009 · PubMed: PMID 30576701
Perguntas para aprofundar
- Como selecionar receptores mais velhos para transplante hepático de forma a garantir benefício similar?
- Quais os critérios para utilização de doadores mais velhos em transplante hepático?
- Como o pareamento por idade entre doador e receptor pode ser incorporado às políticas de alocação?
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