Agentes conversacionais interativos melhoram comportamentos alimentares e podem ser úteis na promoção da saúde?
Resposta curta: Uma revisão sistemática mista com 10 estudos (cerca de 20 a 480 participantes) mostrou que agentes conversacionais podem melhorar a ingestão de frutas e vegetais, a adesão à dieta mediterrânea, o conhecimento nutricional e a atividade física, com perda de peso modesta. A usabilidade foi geralmente positiva, mas a variabilidade dos resultados e a alta atrito limitam conclusões.
Resposta
A revisão sistemática mista avaliou a efetividade de agentes conversacionais interativos (CAs) para melhorar comportamentos alimentares e descreveu suas características, funções, capacidades conversacionais e impacto no conhecimento nutricional, usabilidade, aceitabilidade, experiência do usuário e engajamento. Foram incluídos 11 referências (10 estudos) publicados desde 2013, com amostras entre aproximadamente 20 e 480 participantes.
Os achados mostraram melhorias na ingestão de frutas e vegetais em 2 estudos (P=.04 e P=.005), aumento significativo na adesão à dieta mediterrânea em 6 semanas com ganhos mantidos em 12 semanas, e melhora do conhecimento nutricional (por exemplo, uso de rótulos nutricionais). Efeitos sobre proteína, grãos integrais, açúcar, sódio e cafeína foram mistos ou não significativos. Alguns estudos relataram aumento da atividade física (+109,8 min/semana) e redução do uso de álcool para manejo do estresse. Um ensaio clínico randomizado mostrou perda de peso modesta e significativa e redução da circunferência da cintura (-2,1 cm, IC 95% -3,5 a 0,7; P=.003).
O engajamento variou entre os estudos. A usabilidade e a experiência do usuário foram geralmente positivas; estabelecimento de metas, feedback e recomendações personalizadas foram associados a maior satisfação. Desafios relatados incluíram estilo de conversa não natural, conteúdo simplista e utilidade percebida limitada.
Os autores concluem que os CAs mostram potencial promissor para melhorar comportamentos alimentares, com evidências de ganhos na ingestão de frutas e vegetais, adesão à dieta mediterrânea, conhecimento nutricional, atividade física e perda de peso modesta. A usabilidade geral foi favorável, mas a variabilidade dos desfechos, a alta atrito e o impacto limitado no suporte social destacam áreas para refinamento. Pesquisas futuras devem usar amostras maiores, seguimento mais longo, desfechos padronizados e estratégias para melhorar o engajamento sustentado e a inclusividade.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática mista que buscou em cinco bases de dados (MEDLINE, CINAHL, Embase, Web of Science e PsycINFO) e incluiu 10 estudos com aproximadamente 20 a 480 participantes, publicados desde 2013. Os achados incluíram melhora na ingestão de frutas e vegetais em 2 estudos (P=.04 e P=.005), aumento da adesão à dieta mediterrânea em 6 semanas mantido em 12 semanas, melhora do conhecimento nutricional, aumento da atividade física (+109,8 min/semana) e redução do uso de álcool para estresse. Um ensaio clínico randomizado mostrou perda de peso modesta e redução da circunferência da cintura (-2,1 cm, IC 95% -3,5 a 0,7; P=.003). Efeitos sobre outros nutrientes foram mistos ou não significativos. A usabilidade foi geralmente positiva, com variação no engajamento.
Limitações
O resumo não informa o desenho detalhado de cada estudo incluído, nem o risco de viés individual. A variabilidade dos desfechos, a alta atrito e o impacto limitado no suporte social são apontados como limitações. O resumo também não fornece dados sobre tamanho de efeito para a maioria dos desfechos, nem sobre a duração do seguimento na maioria dos estudos. A qualidade metodológica foi avaliada com a ferramenta Mixed Methods Appraisal Tool, mas os resultados dessa avaliação não são descritos no resumo.
Aplicação no consultório
Os agentes conversacionais podem ser considerados como ferramentas adjuvantes na promoção de mudanças alimentares, especialmente para reforçar ingestão de frutas e vegetais, adesão à dieta mediterrânea e conhecimento nutricional. Na gestão do consultório, podem apoiar estratégias de educação e monitoramento remoto, mas a variabilidade de resultados e o engajamento limitado sugerem que não devem substituir o aconselhamento profissional. É importante selecionar ferramentas com usabilidade positiva e recursos de personalização, estabelecimento de metas e feedback, e monitorar a adesão dos pacientes.
Estudo citado
Interactive Conversational Agents to Improve Dietary Behaviors for Health Promotion: Mixed Systematic Review. Journal of medical Internet research, 2025.
Autores: Amil S, Gagnon MP, Bédard A, Da SMAR, Zavala Mora D, Drapeau V, Desroches S.
DOI: 10.2196/78220 · PubMed: PMID 41328816
Perguntas para aprofundar
- Quais características dos agentes conversacionais estão associadas a maior satisfação e engajamento dos usuários?
- Como os agentes conversacionais se comparam a outras intervenções digitais para mudança de comportamento alimentar?
- Quais estratégias podem melhorar a retenção e o engajamento sustentado em intervenções com agentes conversacionais?
Mais sobre LLMs e chatbots clínicos
- Agentes conversacionais são eficazes e seguros para promover atividade física na prática clínica?
- Chatbots baseados em inteligência artificial são eficazes para promover mudanças de comportamento em saúde?
- Agentes conversacionais de inteligência artificial são eficazes e usáveis no cuidado em saúde?
- Chatbots de inteligência artificial são eficazes para aliviar o sofrimento mental e promover comportamentos saudáveis em adolescentes e adultos jovens?
- Agentes conversacionais apoiam o autogerenciamento de doenças crônicas com que qualidade de descrição e avaliação?
Todas as perguntas sobre LLMs e chatbots clínicos · Todos os temas · Versão em markdown