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IA em emergência e UTI

A inteligência artificial já está pronta para uso clínico rotineiro em UTI?

Resposta curta: A revisão sistemática mostra que a maioria dos modelos de IA em UTI permanece em fase de teste e prototipagem, com poucos avaliados na prática clínica. Estudos retrospectivos dominam e muitos têm alto risco de viés, sem evidência de benefício clínico em avaliação de desfechos.

Resposta

A revisão sistemática teve como objetivo fornecer uma visão contemporânea sobre a maturidade da inteligência artificial (IA) na unidade de terapia intensiva (UTI), os métodos de pesquisa empregados e o risco de viés desses estudos. Para isso, realizou uma busca sistemática em bases de dados e incluiu 494 estudos que utilizavam IA para analisar dados de UTI.

Os resultados mostram que o desenho predominante foi o retrospectivo, correspondendo a 476 estudos (96,4% do total), seguido por estudos observacionais prospectivos (8; 1,6%) e ensaios clínicos (10; 2%). Além disso, 378 (80,9%) dos estudos retrospectivos foram classificados como de alto risco de viés, segundo a ferramenta PROBAST.

Nenhum estudo identificado relatou avaliação de desfechos de um modelo de IA integrado à prática clínica rotineira. Ou seja, a grande maioria dos modelos desenvolvidos permanece em ambiente de teste e prototipagem, e apenas alguns foram realmente avaliados na prática clínica.

A conclusão dos autores é que a IA em UTI ainda não está madura para implementação clínica generalizada. Eles sugerem que uma abordagem uniforme e estruturada pode apoiar o desenvolvimento, a entrega segura e a implementação da IA para determinar benefício clínico na UTI.

Diante disso, o médico intensivista deve interpretar com cautela os estudos de IA em UTI, considerando o alto risco de viés e a ausência de validação prospectiva robusta. A aplicação clínica rotineira ainda carece de evidências de benefício em desfechos relevantes.

O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática que identificou 6455 estudos, dos quais 494 foram incluídos. Desses, 476 (96,4%) eram retrospectivos, 8 (1,6%) observacionais prospectivos e 10 (2%) ensaios clínicos. Entre os retrospectivos, 378 (80,9%) apresentaram alto risco de viés pelo PROBAST. Nenhum estudo avaliou desfechos de um modelo de IA integrado à prática clínica rotineira. Os modelos permanecem em fase de teste e prototipagem.

Limitações

O resumo não informa detalhes sobre as características dos pacientes, os tipos de modelos de IA, as intervenções ou os desfechos avaliados. Também não são descritas limitações metodológicas da própria revisão, como heterogeneidade entre estudos ou possíveis vieses de publicação. A ausência de estudos com avaliação clínica limita conclusões sobre eficácia.

Aplicação no consultório

Na prática clínica e na gestão do consultório, os achados reforçam que modelos de IA em UTI ainda não devem ser adotados como ferramentas de decisão rotineira. O médico deve priorizar evidências robustas e considerar o alto risco de viés dos estudos existentes. Investimentos em validação prospectiva e em infraestrutura para implementação segura podem ser necessários antes de incorporar essas tecnologias.

Estudo citado

Moving from bytes to bedside: a systematic review on the use of artificial intelligence in the intensive care unit. Intensive care medicine, 2021.
Autores: van de Sande D, van Genderen ME, Huiskens J, Gommers D, van Bommel J.
DOI: 10.1007/s00134-021-06446-7 · PubMed: PMID 34089064

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.