Como o monitoramento em gaiola domiciliar de camundongos e ratos evoluiu e o que isso muda na pesquisa pré-clínica?
Resposta curta: A revisão sistemática de 521 publicações mostra que o monitoramento em gaiola domiciliar cresceu de 1974 a 2020, com viés para machos e alojamento individual, mas com aumento de ambos os sexos e alojamento em grupo na última década. Técnicas automáticas e medições de 24 h tornaram-se mais frequentes, medindo atividade locomotora, alimentação, comportamento social, frequência cardíaca e eletrocardiografia.
Resposta
A revisão sistemática reuniu 521 publicações obtidas no PubMed e na Web of Science para traçar o desenvolvimento e o estado da arte do monitoramento em gaiola domiciliar (HCM) de camundongos e ratos. O ponto de partida é a limitação do modelo tradicional: os roedores são examinados individualmente em aparelhos fora da gaiola, em momentos selecionados, o que pode influenciar o resultado e perder informação valiosa quando o acompanhamento é curto.
Os resultados mostram crescimento do número absoluto (cerca de × 26) e relativo (cerca de × 7) de publicações relacionadas a HCM entre 1974 e 2020. Havia viés claro para machos e animais alojados individualmente, mas na década de 2011-2020 cresceu o número de estudos com ambos os sexos e com alojamento em grupo. A maioria manteve os animais por períodos curtos (até 4 semanas) nos sistemas de HCM, com aumento de períodos intermediários (4-12 semanas) entre 2011 e 2020.
Antes dos anos 2000, as técnicas de HCM eram predominantemente aplicadas por menos de 12 h, enquanto medições de 24 h tornaram-se mais frequentes a partir dos anos 2000. O monitoramento manual está diminuindo em relação às técnicas automáticas, mas ainda é relevante: até os anos 1990, a maioria das técnicas era manual, progressivamente substituída pela automação desde os anos 2000.
Independentemente do ano de publicação, os principais parâmetros comportamentais medidos foram atividade locomotora, alimentação e comportamentos sociais; os principais parâmetros fisiológicos foram frequência cardíaca e eletrocardiografia. Parâmetros relacionados à aparência externa raramente foram examinados na gaiola domiciliar. Mais recentemente, com o progresso tecnológico e o uso de inteligência artificial, parâmetros comportamentais mais refinados e detalhados passaram a ser investigados na gaiola domiciliar.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática de 521 publicações recuperadas no PubMed e na Web of Science. O número absoluto (cerca de × 26) e relativo (cerca de × 7) de publicações sobre HCM cresceu de 1974 a 2020. Houve viés para machos e alojamento individual, com aumento de ambos os sexos e alojamento em grupo em 2011-2020. Predominaram períodos curtos (até 4 semanas), com aumento de períodos intermediários (4-12 semanas). Medições de 24 h tornaram-se mais frequentes desde os anos 2000, e a automação substituiu progressivamente o monitoramento manual. Os parâmetros mais medidos foram atividade locomotora, alimentação, comportamentos sociais, frequência cardíaca e eletrocardiografia.
Limitações
O resumo não informa critérios de elegibilidade, qualidade metodológica dos estudos incluídos nem análise de risco de viés. Também não detalha a distribuição das espécies, dos sistemas de HCM ou dos tipos de alojamento. Os achados descrevem tendências de publicação e não permitem concluir sobre validade ou superioridade de sistemas específicos de HCM.
Aplicação no consultório
Para o médico que conduz ou interpreta pesquisa pré-clínica, a revisão orienta a valorizar desfechos medidos longitudinalmente na gaiola domiciliar, com atenção ao sexo e ao tipo de alojamento dos animais, que historicamente foram fontes de viés. Na gestão de projetos e parcerias com laboratórios, ajuda a planejar períodos de observação mais longos e medições de 24 h, além de considerar a automação e a inteligência artificial para parâmetros comportamentais mais refinados.
Estudo citado
A systematic review of the development and application of home cage monitoring in laboratory mice and rats. BMC biology, 2023.
Autores: Kahnau P, Mieske P, Wilzopolski J, Kalliokoski O, Mandillo S, Hölter SM, Voikar V, Amfim A, Badurek S, Bartelik A, Caruso A, Čater M, Ey E, Golini E, Jaap A, Hrncic D, Kiryk A, Lang B, Loncarevic-Vasiljkovic N, Meziane H, Radzevičienė A, Rivalan M, Scattoni ML, Torquet N, Trifkovic J, Ulfhake B, Thöne-Reineke C, Diederich K, Lewejohann L, Hohlbaum K.
DOI: 10.1186/s12915-023-01751-7 · PubMed: PMID 37953247
Perguntas para aprofundar
- O viés para machos e alojamento individual ainda limita a extrapolação dos achados de HCM?
- Medições de 24 h na gaiola domiciliar substituem os testes tradicionais fora da gaiola?
- Como a automação e a inteligência artificial ampliam os parâmetros mensuráveis na gaiola domiciliar?
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