# Como o monitoramento em gaiola domiciliar de camundongos e ratos evoluiu e o que isso muda na pesquisa pré-clínica?

> A revisão sistemática de 521 publicações mostra que o monitoramento em gaiola domiciliar cresceu de 1974 a 2020, com viés para machos e alojamento individual, mas com aumento de ambos os sexos e alojamento em grupo na última década. Técnicas automáticas e medições de 24 h tornaram-se mais frequentes, medindo atividade locomotora, alimentação, comportamento social, frequência cardíaca e eletrocardiografia.

Estudo citado: Kahnau P, Mieske P, Wilzopolski J, Kalliokoski O, Mandillo S, Hölter SM et al.. A systematic review of the development and application of home cage monitoring in laboratory mice and rats. BMC biology. 2023. DOI: https://doi.org/10.1186/s12915-023-01751-7. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37953247/

## Resposta

A revisão sistemática reuniu 521 publicações obtidas no PubMed e na Web of Science para traçar o desenvolvimento e o estado da arte do monitoramento em gaiola domiciliar (HCM) de camundongos e ratos. O ponto de partida é a limitação do modelo tradicional: os roedores são examinados individualmente em aparelhos fora da gaiola, em momentos selecionados, o que pode influenciar o resultado e perder informação valiosa quando o acompanhamento é curto.

Os resultados mostram crescimento do número absoluto (cerca de × 26) e relativo (cerca de × 7) de publicações relacionadas a HCM entre 1974 e 2020. Havia viés claro para machos e animais alojados individualmente, mas na década de 2011-2020 cresceu o número de estudos com ambos os sexos e com alojamento em grupo. A maioria manteve os animais por períodos curtos (até 4 semanas) nos sistemas de HCM, com aumento de períodos intermediários (4-12 semanas) entre 2011 e 2020.

Antes dos anos 2000, as técnicas de HCM eram predominantemente aplicadas por menos de 12 h, enquanto medições de 24 h tornaram-se mais frequentes a partir dos anos 2000. O monitoramento manual está diminuindo em relação às técnicas automáticas, mas ainda é relevante: até os anos 1990, a maioria das técnicas era manual, progressivamente substituída pela automação desde os anos 2000.

Independentemente do ano de publicação, os principais parâmetros comportamentais medidos foram atividade locomotora, alimentação e comportamentos sociais; os principais parâmetros fisiológicos foram frequência cardíaca e eletrocardiografia. Parâmetros relacionados à aparência externa raramente foram examinados na gaiola domiciliar. Mais recentemente, com o progresso tecnológico e o uso de inteligência artificial, parâmetros comportamentais mais refinados e detalhados passaram a ser investigados na gaiola domiciliar.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática de 521 publicações recuperadas no PubMed e na Web of Science. O número absoluto (cerca de × 26) e relativo (cerca de × 7) de publicações sobre HCM cresceu de 1974 a 2020. Houve viés para machos e alojamento individual, com aumento de ambos os sexos e alojamento em grupo em 2011-2020. Predominaram períodos curtos (até 4 semanas), com aumento de períodos intermediários (4-12 semanas). Medições de 24 h tornaram-se mais frequentes desde os anos 2000, e a automação substituiu progressivamente o monitoramento manual. Os parâmetros mais medidos foram atividade locomotora, alimentação, comportamentos sociais, frequência cardíaca e eletrocardiografia.

## Limitações

O resumo não informa critérios de elegibilidade, qualidade metodológica dos estudos incluídos nem análise de risco de viés. Também não detalha a distribuição das espécies, dos sistemas de HCM ou dos tipos de alojamento. Os achados descrevem tendências de publicação e não permitem concluir sobre validade ou superioridade de sistemas específicos de HCM.

## Aplicação no consultório

Para o médico que conduz ou interpreta pesquisa pré-clínica, a revisão orienta a valorizar desfechos medidos longitudinalmente na gaiola domiciliar, com atenção ao sexo e ao tipo de alojamento dos animais, que historicamente foram fontes de viés. Na gestão de projetos e parcerias com laboratórios, ajuda a planejar períodos de observação mais longos e medições de 24 h, além de considerar a automação e a inteligência artificial para parâmetros comportamentais mais refinados.

## Perguntas para aprofundar

- O viés para machos e alojamento individual ainda limita a extrapolação dos achados de HCM?
- Medições de 24 h na gaiola domiciliar substituem os testes tradicionais fora da gaiola?
- Como a automação e a inteligência artificial ampliam os parâmetros mensuráveis na gaiola domiciliar?

Tema: IA em cardiologia (ECG e ecocardiograma). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-cardiologia/como-o-monitoramento-em-gaiola-domiciliar-de-camundongos-e-ratos-evoluiu-e-o/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
