Intervenções digitais são eficazes para melhorar o continuum de cuidado da PrEP entre homens que fazem sexo com homens?
Resposta curta: Uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados mostrou que intervenções digitais são viáveis e aceitáveis, mas apenas alguns estudos demonstraram aumento estatisticamente significativo na utilização e adesão à PrEP. São necessários ensaios multicêntricos em larga escala que combinem ferramentas digitais com estratégias personalizadas e culturalmente sensíveis.
Resposta
Esta revisão sistemática avaliou a efetividade de intervenções digitais em saúde para melhorar o continuum de cuidado da profilaxia pré-exposição (PrEP) entre homens que fazem sexo com homens (HSH). Foram incluídos 12 ensaios clínicos randomizados publicados até julho de 2024, identificados em quatro bases de dados. A maioria dos estudos foi conduzida nos Estados Unidos, com dois na China, e utilizou ferramentas como aplicativos móveis, mensagens de texto e plataformas de mídia social.
Os resultados indicam que as intervenções digitais são viáveis e aceitáveis nessa população. No entanto, apenas alguns estudos demonstraram aumentos estatisticamente significativos na utilização e adesão à PrEP. Isso sugere que, embora haja potencial, a eficácia ainda não está completamente estabelecida para todos os desfechos do continuum de cuidado.
Os autores concluem que intervenções digitais têm potencial para aprimorar o continuum de cuidado da PrEP em HSH, mas destacam a necessidade de pesquisas futuras com ensaios multicêntricos de larga escala. Recomenda-se combinar ferramentas digitais com estratégias personalizadas e culturalmente sensíveis, além de integrar big data, inteligência artificial e abordagens não digitais, como alcance comunitário e apoio psicossocial, para fortalecer a efetividade.
Para o médico brasileiro, esses achados reforçam a importância de considerar ferramentas digitais como parte de uma estratégia ampliada de prevenção ao HIV, mas sem substituir o contato humano e a personalização do cuidado. A aplicação clínica deve ser cautelosa, pois os estudos incluídos foram realizados em contextos distintos do brasileiro, e a generalização requer adaptação cultural.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados (RCTs) publicados antes de 2 de julho de 2024, identificados em PubMed, Web of Science, Embase e Cochrane Library. De 3.539 registros, 12 RCTs preencheram os critérios de inclusão. A maioria (10/12, 83,3%) foi conduzida nos Estados Unidos e 2 na China. A idade dos participantes variou de 18 a 65 anos. As intervenções utilizaram aplicativos móveis, mensagens de texto e plataformas de mídia social. As intervenções digitais foram viáveis e aceitáveis, mas apenas alguns estudos mostraram aumentos estatisticamente significativos na utilização e adesão à PrEP.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre as limitações metodológicas dos estudos incluídos, como risco de viés ou heterogeneidade. A maioria dos RCTs foi realizada nos Estados Unidos, o que pode limitar a generalização para outros contextos, como o Brasil. O resumo também não especifica o tamanho amostral total ou por estudo, nem descreve as populações além da idade. Além disso, não são apresentados dados quantitativos sobre a magnitude dos efeitos nas utilizações e adesão à PrEP.
Aplicação no consultório
Os achados sugerem que ferramentas digitais podem ser incorporadas como apoio à prevenção do HIV, mas não devem ser vistas como solução isolada. No consultório, o médico pode considerar o uso de aplicativos e mensagens para reforçar a adesão à PrEP, desde que combinados com aconselhamento personalizado e sensível à cultura local. Para a gestão do consultório, investir em tecnologias digitais requer avaliação de custo-efetividade e integração com a equipe multiprofissional. A ausência de evidências robustas em contextos brasileiros recomenda cautela e adaptação às realidades locais.
Estudo citado
Effectiveness of Digital Health Interventions in Promoting the Pre-Exposure Prophylaxis (PrEP) Care Continuum among Men who Have Sex With Men (MSM): A Systematic Review of Randomized Controlled Trials. Current HIV/AIDS reports, 2025.
Autores: Du J, Jin G, Zhang H, Don O, Shi H, Wang S, Wang J, Sun Y, Zhang Z.
DOI: 10.1007/s11904-025-00733-4 · PubMed: PMID 40100510
Perguntas para aprofundar
- Quais estratégias digitais são mais efetivas para melhorar a adesão à PrEP em homens que fazem sexo com homens?
- Como integrar ferramentas digitais com abordagens não digitais no cuidado à PrEP?
- Quais são as lacunas de pesquisa sobre intervenções digitais para o continuum de cuidado da PrEP no Brasil?
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