Scaffolds descelularizados de aloenxerto e xenoenxerto podem substituir o enxerto ósseo autólogo na regeneração óssea?
Resposta curta: A revisão sistemática identificou 68 estudos em que tecidos humanos ou animais foram descelularizados para gerar scaffolds ósseos. Os scaffolds de osso esponjoso descelularizado, de origem alogênica ou xenogênica, mostraram alta biocompatibilidade, com pouca ou nenhuma resposta do hospedeiro, e capacidade de favorecer a formação de novo osso, sendo considerados alternativa ao enxerto autólogo.
Resposta
A busca por substitutos ósseos é relevante porque os enxertos autólogos, embora sejam o padrão de referência, têm disponibilidade limitada e morbidade no sítio doador. Os aloenxertos surgem como alternativa clínica, mas trazem preocupações como respostas imunes e risco de transmissão de doenças. Nesse contexto, a descelularização de tecidos alogênicos ou xenogênicos aparece como estratégia para reduzir a imunogenicidade e preservar a matriz para regeneração óssea.
Os autores conduziram uma revisão sistemática nas bases PubMed, Cochrane, Scopus e Web of Science, com busca finalizada em 14 de setembro de 2020, para identificar estudos experimentais que avaliassem scaffolds acelulares derivados de aloenxerto ou xenoenxerto na regeneração óssea. A busca inicial retornou 484 estudos; após triagem, 416 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão, resultando em 68 artigos analisados.
A maioria dos estudos utilizou osso descelularizado para gerar o scaffold, mas outros tecidos descelularizados, como membrana amniótica humana e tecido adiposo humano, também foram empregados com essa finalidade. Em 42 dos 68 estudos, scaffolds de osso descelularizado foram implantados em modelos animais in vivo. Oito estudos usaram tecido ósseo animal como aloenxerto e 12 usaram tecidos humanos como xenoenxerto.
Os achados relatados no resumo indicam que scaffolds descelularizados de aloenxerto ou xenoenxerto apresentam alta biocompatibilidade, com pouca ou nenhuma resposta do hospedeiro, e podem favorecer a formação de novo osso. De modo geral, os resultados sugerem que scaffolds de osso esponjoso descelularizado derivados de xenoenxerto podem ser considerados alternativas ao enxerto ósseo autólogo. A revisão pode influenciar direções futuras de pesquisa e o planejamento pré-operatório da escolha do enxerto.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática de estudos experimentais, com busca em PubMed, Cochrane, Scopus e Web of Science finalizada em 14 de setembro de 2020. De 484 estudos inicialmente identificados, 416 foram excluídos e 68 foram incluídos. Em 42 estudos, scaffolds de osso descelularizado foram implantados em modelos animais in vivo; 8 usaram tecido ósseo animal como aloenxerto e 12 usaram tecidos humanos como xenoenxerto. Os scaffolds mostraram alta biocompatibilidade, com pouca ou nenhuma resposta do hospedeiro, e capacidade de favorecer a formação de novo osso.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre o desenho individual dos estudos incluídos, o tamanho das amostras, os modelos animais utilizados, os métodos de descelularização ou os critérios de avaliação dos desfechos. Também não são descritas análises de risco de viés ou de heterogeneidade entre os estudos. Essas informações são necessárias para interpretar a robustez das conclusões sobre biocompatibilidade e formação óssea.
Aplicação no consultório
Para o médico que atende pacientes com necessidade de reconstrução óssea, a revisão reforça que scaffolds descelularizados de origem alogênica ou xenogênica são uma frente promissora, mas os dados disponíveis no resumo vêm de estudos experimentais, não de ensaios clínicos em humanos. Na prática, isso significa discutir as opções de enxerto considerando disponibilidade, morbidade do sítio doador e os riscos associados a aloenxertos. Na gestão do consultório, pode orientar o planejamento pré-operatório e a seleção de fornecedores, sem substituir a avaliação individualizada de cada caso.
Estudo citado
A systematic review of decellularized allograft and xenograft-derived scaffolds in bone tissue regeneration. Tissue & cell, 2021.
Autores: Amini Z, Lari R.
DOI: 10.1016/j.tice.2021.101494 · PubMed: PMID 33508650
Perguntas para aprofundar
- Quais tecidos além do osso já foram descelularizados para uso como scaffold na regeneração óssea?
- Como os scaffolds descelularizados se comparam ao enxerto autólogo em termos de biocompatibilidade?
- Quais lacunas da pesquisa precisam ser preenchidas antes da aplicação clínica rotineira desses scaffolds?
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