A revitalização é eficaz no tratamento da periodontite apical em dentes permanentes maduros e imaturos?
Resposta curta: A revisão sistemática com meta-análise não encontrou evidência robusta de que a revitalização seja eficaz para tratar periodontite apical. As taxas de sobrevivência e sucesso não diferiram significativamente entre revitalização e tratamentos controle, e a certeza da evidência foi baixa ou muito baixa.
Resposta
A revitalização é um procedimento que visa eliminar sintomas e promover a cicatrização de lesões periapicais. Esta revisão sistemática avaliou sua eficácia em dentes permanentes maduros e imaturos com necrose pulpar, com ou sem periodontite apical, comparando-a a apexificação com hidróxido de cálcio, plug apical e tratamento endodôntico.
Foram incluídos cinco estudos após busca em três bases de dados. A meta-análise não mostrou diferença estatisticamente significativa entre revitalização e controles para sobrevivência (RR = 1.00, 95%CI = 0.96-1.04, p = 1.00) e sucesso (RR = 1.06; 95%CI = 0.83-1.35, p = .66). A certeza da evidência foi baixa para sobrevivência e muito baixa para sucesso, devido a inconsistência e imprecisão.
Os resultados favoráveis observados em todos os grupos não são confiáveis devido ao alto risco de viés em vários estudos. O evento adverso mais relatado foi descoloração dentária, levando à recomendação de evitar cimentos de silicato de cálcio contendo óxido de bismuto. A avaliação radiográfica da cicatrização e do desenvolvimento radicular deve ser feita com cautela.
Os autores concluem que não há evidência robusta para apoiar a revitalização como tratamento eficaz da periodontite apical. Estudos futuros com melhor metodologia e acompanhamento de longo prazo são necessários, especialmente para dentes maduros, onde a revitalização parece ser experimental.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática com meta-análise de cinco estudos que compararam revitalização a tratamentos controle em dentes permanentes com necrose pulpar. A sobrevivência em 12 meses foi de 100% em todos os grupos. O sucesso em 12 meses foi de 100% para dentes imaturos e de 92% e 80% para dentes maduros nos grupos revitalização e controle, respectivamente, sem diferença estatística. As meta-análises não mostraram diferença significativa para sobrevivência e sucesso. A certeza da evidência foi baixa ou muito baixa.
Limitações
O resumo não informa o número total de pacientes ou dentes incluídos. A certeza da evidência foi baixa para sobrevivência e muito baixa para sucesso, devido a inconsistência e imprecisão. Dois estudos tiveram alto risco de viés para sobrevivência e todos os estudos avaliados tiveram alto risco de viés para sucesso. Os resultados de longo prazo são necessários, especialmente para dentes maduros.
Aplicação no consultório
A revitalização não deve ser considerada tratamento de primeira linha para periodontite apical em dentes permanentes maduros ou imaturos com base nas evidências atuais. O clínico deve discutir as incertezas e a baixa qualidade das evidências com o paciente. Evitar cimentos de silicato de cálcio contendo óxido de bismuto para prevenir descoloração. A avaliação radiográfica deve ser criteriosa. A gestão do consultório pode incluir protocolos baseados em evidências e acompanhamento rigoroso dos casos.
Estudo citado
Effectiveness of revitalization in treating apical periodontitis: A systematic review and meta-analysis. International endodontic journal, 2023.
Autores: Meschi N, Palma PJ, Cabanillas-Balsera D.
DOI: 10.1111/iej.13778 · PubMed: PMID 35579093
Perguntas para aprofundar
- Qual o risco de descoloração dentária após revitalização e como preveni-la?
- A revitalização é superior ao tratamento endodôntico convencional em dentes maduros com periodontite apical?
- Quais são os critérios radiográficos confiáveis para avaliar o sucesso da revitalização?
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