A terapia com células-tronco mesenquimais é eficaz no tratamento de cicatrizes hipertróficas e queloides em modelos in vivo?
Resposta curta: Uma revisão sistemática de 11 estudos em modelos animais mostrou que o transplante de células-tronco mesenquimais ou seu meio condicionado melhorou a aparência macroscópica e histológica de cicatrizes hipertróficas e queloides, sem complicações. No entanto, não há ensaios clínicos em humanos, e a transferência desses achados é limitada por questões como validade dos modelos e padronização das células.
Resposta
As cicatrizes hipertróficas e queloides resultam de um processo inflamatório e fibrótico desregulado, com impacto significativo na qualidade de vida. Os tratamentos disponíveis são geralmente insatisfatórios, o que tem motivado o interesse em terapias celulares inovadoras, especialmente com células-tronco mesenquimais (CTMs).
Esta revisão sistemática, conduzida conforme a metodologia PRISMA, avaliou a eficácia do transplante de CTMs no tratamento de cicatrizes hipertróficas e queloides em modelos in vivo. Foram identificados 11 estudos caso-controle, totalizando 156 sujeitos tratados com CTMs ou meio condicionado por CTMs. Dez estudos avaliaram cicatrizes hipertróficas e um avaliou queloides.
Todos os estudos incluídos relataram melhora nos desfechos macroscópicos e histológicos, e a maioria utilizou imuno-histoquímica para avaliação. Não foram observadas complicações associadas ao tratamento com CTMs ou meio condicionado. Esses achados sugerem um papel promissor para a terapia com CTMs no tratamento de cicatrizes, que merece investigação adicional.
Apesar dos resultados favoráveis em modelos animais, a transposição para a prática clínica humana ainda é limitada. Fatores como a confiabilidade e validade dos modelos de doença, a necessidade de identificar a fonte ideal de CTMs e as medidas de desfecho empregadas precisam ser considerados. Até o momento, não há ensaios clínicos em humanos que investiguem o potencial das CTMs no tratamento de cicatrizes anormais.
Diante disso, a terapia com CTMs representa uma abordagem em potencial, mas que ainda requer estudos clínicos bem desenhados para confirmar sua eficácia e segurança em pacientes. O médico deve acompanhar as evidências, mas não há indicação para uso clínico rotineiro fora de pesquisa.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática PRISMA que identificou 11 estudos caso-controle em modelos in vivo, com 156 sujeitos tratados com células-tronco mesenquimais (CTMs) ou meio condicionado por CTMs. Dez estudos avaliaram cicatrizes hipertróficas e um avaliou queloides. Todos os estudos mostraram melhora nos aspectos macroscópicos e histológicos, sem complicações. A maioria utilizou imuno-histoquímica. Os achados apoiam um papel para a terapia com CTMs no tratamento de cicatrizes, mas sem ensaios clínicos humanos.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre vieses. A transferibilidade para humanos é limitada pela confiabilidade e validade dos modelos de doença, pela necessidade de identificar a fonte ideal de CTMs e pelas medidas de desfecho empregadas. Não há ensaios clínicos em humanos, e o resumo não fornece dados sobre tamanho de efeito ou heterogeneidade.
Aplicação no consultório
Os achados ainda são pré-clínicos e não justificam a incorporação da terapia com CTMs na prática clínica para cicatrizes. O médico deve manter o tratamento convencional e considerar a participação em pesquisas clínicas. No consultório, é importante informar os pacientes sobre o estágio experimental dessas terapias, evitando expectativas não fundamentadas. A gestão pode incluir o acompanhamento de literatura científica para atualização.
Estudo citado
Mesenchymal stem cell therapy in hypertrophic and keloid scars. Cell and tissue research, 2021.
Autores: Bojanic C, To K, Hatoum A, Shea J, Seah KTM, Khan W, Malata CM.
DOI: 10.1007/s00441-020-03361-z · PubMed: PMID 33386995
Perguntas para aprofundar
- Quais são os tratamentos atuais para cicatrizes hipertróficas e queloides e suas limitações?
- Quais critérios devem ser considerados para indicar terapias celulares experimentais em cicatrizes?
- Como a terapia com células-tronco mesenquimais poderia ser aplicada na prática clínica futura?
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