A cotransplantação de células-tronco mesenquimais e células progenitoras endoteliais é superior ao transplante de um único tipo celular para angiogênese e reparo tecidual?
Resposta curta: A revisão sistemática e meta-análise de estudos pré-clínicos sugere que a cotransplantação de células-tronco mesenquimais e progenitoras endoteliais melhora a função de órgãos danificados e promove recuperação tecidual em doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e regeneração óssea, mas não houve diferença óbvia na angiogênese em comparação com o transplante isolado de progenitoras endoteliais.
Resposta
A revisão sistemática e meta-análise reuniu dezoito estudos controlados pré-clínicos que avaliaram a cotransplantação de células-tronco mesenquimais (MSCs) e células progenitoras endoteliais (EPCs) em modelos animais de doença ou em cocultura in vitro. O objetivo foi verificar se a combinação dessas células promove angiogênese e reparo tecidual superior ao transplante de um único tipo celular após lesão ou durante regeneração.
Os resultados mostraram que não houve diferença óbvia na angiogênese entre a cotransplantação e o transplante isolado de EPCs. No entanto, a cotransplantação melhorou a função de órgãos danificados. Além disso, promoveu significativamente a recuperação tecidual em doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e na regeneração óssea.
Quando comparada ao transplante isolado de MSCs, a cotransplantação promoveu significativamente angiogênese e regeneração óssea, bem como revascularização de vasos e reparo tecidual em doenças cerebrovasculares. Por outro lado, não foram observados efeitos óbvios sobre doenças cardiovasculares nessa comparação.
Os autores concluem que a cotransplantação de MSCs e EPCs oferece vantagens como campo exploratório em engenharia de tecidos, mas ressaltam a necessidade de avaliar a viabilidade dessa abordagem antes da realização de ensaios clínicos.
A avaliação de viés de publicação foi realizada, mas os detalhes não são informados no resumo. A heterogeneidade entre os estudos e as limitações metodológicas devem ser consideradas na interpretação dos achados.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática e meta-análise de dezoito estudos controlados pré-clínicos envolvendo transplante de MSCs e EPCs em modelos animais de doença ou cocultura in vitro. A densidade de vasos e outros índices funcionais foram usados para avaliar a eficiência da cotransplantação. Não houve diferença óbvia na angiogênese entre cotransplantação e EPCs isoladas, mas houve melhora funcional de órgãos danificados. A cotransplantação promoveu recuperação tecidual em doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e regeneração óssea. Comparada a MSCs isoladas, a cotransplantação promoveu angiogênese, regeneração óssea, revascularização e reparo tecidual em doenças cerebrovasculares, sem efeitos óbvios em doenças cardiovasculares.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre a heterogeneidade dos estudos incluídos, o risco de viés individual, o tamanho amostral total ou as espécies animais utilizadas. Também não são descritos os métodos de avaliação de viés de publicação. Os achados são pré-clínicos e não permitem extrapolação direta para a prática clínica em humanos. A ausência de informações sobre protocolos de isolamento, doses celulares e vias de administração limita a comparação entre estudos.
Aplicação no consultório
Embora os resultados sejam pré-clínicos, eles podem orientar o médico na compreensão das perspectivas futuras em terapia celular para regeneração tecidual. No consultório, é importante discutir com os pacientes que se trata de uma área em investigação e que ainda não há aplicação clínica estabelecida. A gestão do consultório pode incluir o acompanhamento de literatura científica sobre o tema e a avaliação crítica de protocolos experimentais antes de considerar qualquer oferecimento de terapia celular, respeitando as normas regulatórias.
Estudo citado
Combined transplantation of mesenchymal stem cells and endothelial progenitor cells for tissue engineering: a systematic review and meta-analysis. Stem cell research & therapy, 2016.
Autores: Sun K, Zhou Z, Ju X, Zhou Y, Lan J, Chen D, Chen H, Liu M, Pang L.
DOI: 10.1186/s13287-016-0390-4 · PubMed: PMID 27724974
Perguntas para aprofundar
- Quais são os mecanismos propostos para a sinergia entre MSCs e EPCs na angiogênese?
- Como a cotransplantação de MSCs e EPCs se compara a outras estratégias de engenharia de tecidos?
- Quais critérios de viabilidade devem ser avaliados antes de ensaios clínicos com cotransplantação de MSCs e EPCs?
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