# A cotransplantação de células-tronco mesenquimais e células progenitoras endoteliais é superior ao transplante de um único tipo celular para angiogênese e reparo tecidual?

> A revisão sistemática e meta-análise de estudos pré-clínicos sugere que a cotransplantação de células-tronco mesenquimais e progenitoras endoteliais melhora a função de órgãos danificados e promove recuperação tecidual em doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e regeneração óssea, mas não houve diferença óbvia na angiogênese em comparação com o transplante isolado de progenitoras endoteliais.

Estudo citado: Sun K, Zhou Z, Ju X, Zhou Y, Lan J, Chen D et al.. Combined transplantation of mesenchymal stem cells and endothelial progenitor cells for tissue engineering: a systematic review and meta-analysis. Stem cell research & therapy. 2016. DOI: https://doi.org/10.1186/s13287-016-0390-4. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27724974/

## Resposta

A revisão sistemática e meta-análise reuniu dezoito estudos controlados pré-clínicos que avaliaram a cotransplantação de células-tronco mesenquimais (MSCs) e células progenitoras endoteliais (EPCs) em modelos animais de doença ou em cocultura in vitro. O objetivo foi verificar se a combinação dessas células promove angiogênese e reparo tecidual superior ao transplante de um único tipo celular após lesão ou durante regeneração.

Os resultados mostraram que não houve diferença óbvia na angiogênese entre a cotransplantação e o transplante isolado de EPCs. No entanto, a cotransplantação melhorou a função de órgãos danificados. Além disso, promoveu significativamente a recuperação tecidual em doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e na regeneração óssea.

Quando comparada ao transplante isolado de MSCs, a cotransplantação promoveu significativamente angiogênese e regeneração óssea, bem como revascularização de vasos e reparo tecidual em doenças cerebrovasculares. Por outro lado, não foram observados efeitos óbvios sobre doenças cardiovasculares nessa comparação.

Os autores concluem que a cotransplantação de MSCs e EPCs oferece vantagens como campo exploratório em engenharia de tecidos, mas ressaltam a necessidade de avaliar a viabilidade dessa abordagem antes da realização de ensaios clínicos.

A avaliação de viés de publicação foi realizada, mas os detalhes não são informados no resumo. A heterogeneidade entre os estudos e as limitações metodológicas devem ser consideradas na interpretação dos achados.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática e meta-análise de dezoito estudos controlados pré-clínicos envolvendo transplante de MSCs e EPCs em modelos animais de doença ou cocultura in vitro. A densidade de vasos e outros índices funcionais foram usados para avaliar a eficiência da cotransplantação. Não houve diferença óbvia na angiogênese entre cotransplantação e EPCs isoladas, mas houve melhora funcional de órgãos danificados. A cotransplantação promoveu recuperação tecidual em doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e regeneração óssea. Comparada a MSCs isoladas, a cotransplantação promoveu angiogênese, regeneração óssea, revascularização e reparo tecidual em doenças cerebrovasculares, sem efeitos óbvios em doenças cardiovasculares.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a heterogeneidade dos estudos incluídos, o risco de viés individual, o tamanho amostral total ou as espécies animais utilizadas. Também não são descritos os métodos de avaliação de viés de publicação. Os achados são pré-clínicos e não permitem extrapolação direta para a prática clínica em humanos. A ausência de informações sobre protocolos de isolamento, doses celulares e vias de administração limita a comparação entre estudos.

## Aplicação no consultório

Embora os resultados sejam pré-clínicos, eles podem orientar o médico na compreensão das perspectivas futuras em terapia celular para regeneração tecidual. No consultório, é importante discutir com os pacientes que se trata de uma área em investigação e que ainda não há aplicação clínica estabelecida. A gestão do consultório pode incluir o acompanhamento de literatura científica sobre o tema e a avaliação crítica de protocolos experimentais antes de considerar qualquer oferecimento de terapia celular, respeitando as normas regulatórias.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os mecanismos propostos para a sinergia entre MSCs e EPCs na angiogênese?
- Como a cotransplantação de MSCs e EPCs se compara a outras estratégias de engenharia de tecidos?
- Quais critérios de viabilidade devem ser avaliados antes de ensaios clínicos com cotransplantação de MSCs e EPCs?

Tema: Células-tronco mesenquimais. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/celulas-tronco-mesenquimais/a-cotransplantacao-de-celulas-tronco-mesenquimais-e-celulas-progenitoras/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
