Quais são as características dos granulomas de corpo estranho associados a preenchedores cosméticos estimuladores de colágeno?
Resposta curta: Revisão sistemática de 40 estudos (117 pacientes) mostrou que todos os bioestimuladores de colágeno podem induzir granulomas de corpo estranho, com maior incidência relatada para PMMA (35,04%), seguido de PLLA (30,77%) e CaHA (27,35%). A latência variou de 1 semana a 15 anos (média 20,18 meses). Nódulos foram a complicação mais frequente (82,91%).
Resposta
Os preenchedores estimuladores de colágeno são opções em ascensão na medicina estética, mas reações de corpo estranho hiperativas ou inapropriadas podem desencadear granulomas de corpo estranho (GCE) de difícil tratamento. Esta revisão sistemática buscou reunir evidências clínicas sobre GCE induzidos por seis tipos de bioestimuladores comercialmente disponíveis, com o objetivo de auxiliar os médicos a realizar tratamentos mais seguros e eficazes.
Foram incluídos 40 estudos, totalizando 117 pacientes, com predomínio de mulheres (apenas oito casos em homens) e idade média de 52,63 anos (variação de 29 a 78 anos). A maioria dos casos de GCE foi associada ao PMMA (35,04%), seguido pelo PLLA (30,77%), CaHA (27,35%), PCL (4,27%) e preenchedor à base de dextrana (2,56%). O tempo até a detecção inicial da reação variou de 1 semana a 15 anos, com média de 20,18 meses.
As manifestações clínicas mais frequentes foram nódulos (82,91%), seguidos de edema (9,40%) e caroços (3,42%). A região perioral foi apontada como área de alto risco para GCE. Em relação ao manejo, a injeção intralesional de corticosteroides foi o tratamento mais realizado (21,37%), mas os sintomas frequentemente foram resolvidos por meio de remoção cirúrgica.
Os autores concluem que todos os bioestimuladores de colágeno incluídos podem induzir GCE, sendo que os preenchedores não degradáveis apresentaram maior incidência relatada e período de latência mais longo. O reconhecimento oportuno, o diagnóstico e o manejo adequado dos GCE são necessários para otimizar a eficácia e minimizar eventos adversos.
O nível de evidência atribuído à revisão é V, o que reflete a natureza dos estudos incluídos (relatos clínicos). O resumo não detalha o desenho individual dos estudos, nem possíveis vieses de publicação ou heterogeneidade entre as preparações. Ainda assim, os achados reforçam a importância da vigilância clínica prolongada após o uso desses produtos.
O que o estudo mostrou
Trata-se de uma revisão sistemática que buscou relatos clínicos em bases de dados (Web of Science, PubMed, Embase e Scopus) até agosto de 2024 sobre granulomas de corpo estranho induzidos por seis tipos de estimuladores de colágeno comercialmente disponíveis. Foram incluídos 40 estudos com 117 pacientes. A maioria era de mulheres, com idade média de 52,63 anos (29 a 78 anos). Os casos mais relatados envolveram PMMA (35,04%), PLLA (30,77%), CaHA (27,35%), PCL (4,27%) e preenchedor à base de dextrana (2,56%). A latência variou de 1 semana a 15 anos (média 20,18 meses). Nódulos foram a complicação mais frequente (82,91%), seguidos de edema (9,40%) e caroços (3,42%). A região perioral foi considerada de alto risco. Corticosteroides intralesionais foram usados em 21,37% dos casos, mas a remoção cirúrgica frequentemente resolveu os sintomas.
Limitações
O resumo não informa o desenho detalhado dos estudos incluídos, nem se há viés de publicação ou heterogeneidade entre os produtos. O nível de evidência V indica que a maioria das informações provém de relatos de casos, o que limita a generalização dos achados. O resumo também não descreve critérios de inclusão/exclusão dos estudos, nem o tempo de seguimento dos pacientes.
Aplicação no consultório
Os achados reforçam a necessidade de o médico estar atento ao risco de granulomas de corpo estranho após o uso de qualquer bioestimulador de colágeno, especialmente os não degradáveis, que tiveram maior incidência e latência mais longa. A região perioral merece atenção redobrada. O consultório deve orientar os pacientes sobre a possibilidade de reações tardias (até anos) e manter seguimento prolongado. O manejo pode incluir corticosteroides intralesionais, mas a remoção cirúrgica frequentemente é necessária. A documentação detalhada do produto utilizado e a comunicação com o paciente são essenciais para o manejo adequado.
Estudo citado
Foreign Body Granulomas Reaction Related to Collagen Stimulatory Cosmetic Fillers: A Systematic Review. Journal of cosmetic dermatology, 2025.
Autores: Wang H, Wu D, Lo C, Liu S, Ji Q, Reem AA, Qiu H.
DOI: 10.1111/jocd.70459 · PubMed: PMID 41132036
Perguntas para aprofundar
- Qual é o tempo médio de latência para o aparecimento de granulomas de corpo estranho após preenchedores de colágeno?
- Quais são as opções terapêuticas para granulomas de corpo estranho induzidos por bioestimuladores?
- A região perioral apresenta maior risco de granulomas com o uso de estimuladores de colágeno?
Mais sobre Bioestimuladores de colágeno
- Como avaliar a durabilidade clínica dos preenchedores de ácido hialurônico facial e o que a evidência mostra sobre satisfação e eventos adversos?
- A combinação de bioestimuladores com toxina botulínica, preenchedores dérmicos e dispositivos de energia é eficaz e segura?
- Bioestimuladores de colágeno à base de PLLA e CaHA são eficazes, duráveis e seguros para rejuvenescimento facial?
- Quais são os eventos adversos associados à injeção de preenchedores de ácido hialurônico para estética facial não cirúrgica?
- Quais são as características e o manejo das reações a preenchedores cosméticos após a vacinação contra COVID-19?
Todas as perguntas sobre Bioestimuladores de colágeno · Todos os temas · Versão em markdown