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Bioestimuladores de colágeno

Quais complicações, tratamentos e desfechos estão associados à autoinjeção de substâncias no rosto?

Resposta curta: Uma revisão sistemática identificou 38 complicações em 18 pacientes que se autoinjetaram substâncias no rosto, sendo o ácido hialurônico o mais comum. Edema foi a complicação mais relatada, e comprometimento vascular agudo e perda auditiva aguda foram complicações graves. A maioria foi tratada com hialuronidase e/ou antibióticos, com cicatrização geral, mas hiperpigmentação residual localizada em parte dos pacientes.

Resposta

A autoinjeção de substâncias cosméticas no rosto é uma prática crescente entre indivíduos sem treinamento, favorecida pela facilidade de aquisição de produtos injetáveis por meio de varejistas de venda direta ao consumidor. Esta revisão sistemática buscou analisar as complicações, os tratamentos e os desfechos associados a essa prática, reunindo evidências publicadas na literatura.

Os achados mostram que o ácido hialurônico foi a substância mais frequentemente injetada, e os lábios foram o local mais comum de aplicação. O edema foi a complicação mais relatada. Entre as complicações graves, destacaram-se o comprometimento vascular agudo e a perda auditiva aguda. A intervenção mais comum foi o uso de hialuronidase e/ou antibióticos.

De modo geral, os pacientes evoluíram com cicatrização após o tratamento, embora hiperpigmentação residual localizada tenha sido observada em parte dos casos. A conclusão dos autores é que a injeção de substâncias disponíveis comercialmente no rosto está associada a complicações estéticas, infecciosas e vasculares potencialmente irreversíveis, especialmente quando realizada por consumidores sem treinamento.

Para o médico, o estudo reforça a importância de reconhecer essa tendência e estar preparado para manejar complicações vasculares e infecciosas. O resumo não detalha protocolos específicos de tratamento nem o intervalo até a intervenção, o que limita a extrapolação para condutas padronizadas.

A aplicação prática envolve orientar a equipe sobre sinais de alarme, como comprometimento vascular, e organizar o consultório para atendimento ágil desses casos. A conscientização de pacientes e profissionais sobre essa prática perigosa é destacada pelos autores.

O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática da literatura das bases PubMed e Embase, desde o início até setembro de 2022, que identificou estudos sobre autoinjeção de preenchedores faciais. Foram incluídos 15 artigos descrevendo 38 complicações em 18 pacientes. O ácido hialurônico foi a substância mais injetada (76,4%), os lábios foram o local mais comum (33%), o edema foi a complicação mais relatada (61%), e complicações graves incluíram comprometimento vascular agudo (11%) e perda auditiva aguda (5%). A intervenção mais comum foi hialuronidase e/ou antibióticos (87,5%), com cicatrização geral e hiperpigmentação residual localizada em 11%.

Limitações

O resumo não informa detalhes sobre o desenho individual dos estudos incluídos, critérios de qualidade ou risco de viés. O número total de pacientes é pequeno, e os dados refletem apenas casos publicados, o que pode superestimar complicações graves. O resumo também não informa tempo até o tratamento, protocolos específicos ou seguimento de longo prazo.

Aplicação no consultório

O médico deve estar atento à possibilidade de pacientes chegarem com complicações de autoinjeção, incluindo comprometimento vascular e perda auditiva aguda, e organizar o consultório para reconhecimento e manejo rápidos. É útil manter insumos como hialuronidase disponíveis e treinar a equipe para identificar sinais de alarme. A orientação sobre os riscos da autoinjeção deve fazer parte da comunicação com pacientes, sem promessas de resultado, e a documentação detalhada desses casos auxilia na gestão clínica e jurídica.

Estudo citado

Complications, Treatment, and Outcomes of Self-Injecting Substances Into the Face: A Systematic Review. Dermatologic surgery : official publication for American Society for Dermatologic Surgery [et al.], 2024.
Autores: Tripathi NV, Hakimi AA, Parsa KM, Bartholomew IY, Reilly MJ, Chu E.
DOI: 10.1097/DSS.0000000000003977 · PubMed: PMID 38112411

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.