# Quais estratégias terapêuticas para glioma têm evidências de alta qualidade segundo uma umbrella review de meta-análises?

> Uma umbrella review de 68 meta-análises mostrou que evidências de alta qualidade indicam que terapia-alvo, imunoterapia, quimiorradioterapia, medicina integrada chinesa e ocidental, terapia gênica e combinações prolongam sobrevida global e livre de progressão, mas quimioterapia e radioterapia podem aumentar eventos adversos.

Estudo citado: Yang E, Yang Y, Gao Y, Liu X, Liu X, Zong X et al.. Comparative efficacy of glioma treatment strategies: an umbrella review of meta-analyses. Annals of medicine. 2025. DOI: https://doi.org/10.1080/07853890.2025.2525394. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40598793/

## Resposta

Esta umbrella review avaliou a qualidade das evidências e vieses em meta-análises sobre tratamentos para glioma. Foram analisadas 68 meta-análises com 389 desfechos extraídos de 4.243 artigos. A qualidade metodológica foi classificada com a ferramenta AMSTAR, seguindo diretrizes de classificação de evidências. Apenas uma pequena proporção dos desfechos foi considerada de alta qualidade, enquanto a maioria foi classificada como muito baixa ou baixa, evidenciando limitações nas revisões existentes.

Os resultados mostraram que evidências de alta qualidade demonstraram que a combinação de medicina tradicional chinesa e ocidental, a adição de bevacizumabe à quimiorradioterapia e outros tratamentos específicos melhoraram a sobrevida global. Além disso, drogas de alvo molecular combinadas com temozolomida e radioterapia, assim como terapia padrão acrescida de anti-VEGF ou bevacizumabe, prolongaram a sobrevida livre de progressão. Esses achados sugerem que terapias combinadas podem trazer benefícios em desfechos de sobrevida.

Por outro lado, tratamentos envolvendo radioterapia com temozolomida ou temozolomida isolada aumentaram eventos adversos. Evidências de alta qualidade mostraram que a medicina integrada chinesa e ocidental, em comparação com a medicina ocidental isolada, reduziu supressão de medula óssea e problemas gastrointestinais, além de melhorar a eficácia do tratamento. Isso indica que a abordagem integrada pode ser uma estratégia para mitigar efeitos colaterais.

As conclusões do estudo apontam que terapia-alvo, imunoterapia, quimiorradioterapia, medicina integrada chinesa e ocidental, terapia gênica e combinações de terapias-alvo com quimiorradioterapia ou quimioterapia podem estender a sobrevida global e livre de progressão em gliomas. No entanto, quimioterapia, quimiorradioterapia e terapias-alvo, com ou sem quimioterapia ou quimiorradioterapia adicional, podem aumentar eventos adversos. A medicina integrada chinesa e ocidental isolada pode reduzir esses efeitos.

Para o médico, esses achados reforçam a importância de considerar a qualidade das evidências ao escolher estratégias terapêuticas. A heterogeneidade na qualidade metodológica das meta-análises sugere cautela na interpretação de resultados. A aplicação clínica deve ponderar benefícios em sobrevida contra riscos de eventos adversos, especialmente em combinações contendo quimioterapia e radioterapia. A medicina integrada surge como possível opção para reduzir toxicidade, mas mais estudos de alta qualidade são necessários.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma umbrella review que avaliou 68 meta-análises e 389 desfechos provenientes de 4.243 artigos. A qualidade das evidências foi classificada com AMSTAR: 193 desfechos como muito baixa, 96 como baixa, 28 (7,2%) como alta e 72 (18,5%) como moderada; 156 como NS, 231 (59,4%) como Classe IV e 2 (0,005%) como Classe III. Evidências de alta qualidade mostraram que medicina tradicional chinesa combinada com ocidental, adição de bevacizumabe à quimiorradioterapia e outras terapias melhoraram a sobrevida global; terapias-alvo com temozolomida e radioterapia, ou terapia padrão com anti-VEGF ou bevacizumabe, prolongaram a sobrevida livre de progressão. Radioterapia com temozolomida ou temozolomida isolada aumentaram eventos adversos, enquanto a medicina integrada reduziu supressão medular e problemas gastrointestinais.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a população de pacientes, os critérios de inclusão das meta-análises ou possíveis vieses de publicação. A classificação de qualidade baseou-se apenas na ferramenta AMSTAR e diretrizes, sem descrever análise de heterogeneidade ou sensibilidade. Além disso, a maioria dos desfechos foi de qualidade muito baixa ou baixa, limitando a robustez das conclusões. O resumo também não especifica o número de pacientes envolvidos nem o período de seguimento.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados sugerem que o médico deve priorizar estratégias com evidências de alta qualidade, como a adição de bevacizumabe à quimiorradioterapia e terapias-alvo combinadas, ao discutir opções com pacientes com glioma. A medicina integrada chinesa e ocidental pode ser considerada para reduzir toxicidade, mas requer avaliação individualizada. Para a gestão do consultório, é importante acompanhar a qualidade das evidências e evitar decisões baseadas apenas em desfechos de baixa qualidade. A documentação sobre eventos adversos de quimioterapia e radioterapia deve ser rigorosa, e a equipe multiprofissional pode ser envolvida para manejar efeitos colaterais.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o impacto da adição de bevacizumabe à quimiorradioterapia na sobrevida de pacientes com glioma?
- A medicina integrada chinesa e ocidental reduz eventos adversos em comparação à medicina ocidental isolada?
- Como a qualidade das evidências em meta-análises sobre glioma influencia a tomada de decisão clínica?

Tema: Terapia gênica e CRISPR. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/terapia-genica-crispr/quais-estrategias-terapeuticas-para-glioma-tem-evidencias-de-alta-qualidade/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
