# O que a revisão sistemática e meta-análise sobre injeção de plasma rico em plaquetas guiada por ultrassom para tendinopatias mostra?

> A revisão sistemática e meta-análise de 33 ensaios clínicos randomizados (2.025 participantes) mostrou que a injeção de plasma rico em plaquetas guiada por ultrassom para tendinopatias não apresentou diferenças claras em dor e função na maioria das comparações, exceto na síndrome do túnel do carpo, com evidência de baixa ou muito baixa certeza.

Estudo citado: Masiello F, Pati I, Veropalumbo E, Pupella S, Cruciani M, De Angelis V. Ultrasound-guided injection of platelet-rich plasma for tendinopathies: a systematic review and meta-analysis. Blood transfusion = Trasfusione del sangue. 2023. DOI: https://doi.org/10.2450/2022.0087-22. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36346880/

## Resposta

Esta revisão sistemática e meta-análise avaliou o uso de injeções de plasma rico em plaquetas (PRP) guiadas por ultrassom como tratamento conservador para tendinopatias. Foram incluídos 33 ensaios clínicos randomizados, totalizando 2.025 participantes, distribuídos entre diferentes condições: epicondilite lateral, fasciíte plantar, tendinopatia aquileana, tendinopatia do manguito rotador, tendinopatia patelar e síndrome do túnel do carpo.

Os resultados mostraram que, na maioria das comparações, não houve diferenças claras entre os grupos nos desfechos de dor e função, tanto em curto prazo (menos de 3 meses), médio prazo (3 a 6 meses) quanto em longo prazo (12 meses ou mais). Isso foi observado para epicondilite lateral, fasciíte plantar, tendinopatia aquileana, do manguito rotador e patelar. No entanto, na síndrome do túnel do carpo, os escores de dor pela escala visual analógica em 3 e 6 meses e os escores de gravidade do Questionário de Túnel do Carpo de Boston em 1, 3 e 6 meses foram significativamente menores nos receptores de PRP em comparação aos controles.

A certeza da evidência para todas as comparações foi classificada como baixa ou muito baixa, devido a risco de viés, imprecisão e/ou inconsistência. Além disso, dor no local da injeção foi mais comum entre os receptores de PRP do que nos controles que receberam outras injeções guiadas por ultrassom.

Os autores concluem que, embora tenha sido observada uma tendência de redução da dor e melhora funcional em relação ao basal após a injeção de PRP guiada por ultrassom, na maioria das comparações o tamanho do efeito foi comparável ao observado nos grupos de controle. Isso sugere que o benefício do PRP pode não ser superior ao de outras intervenções, e a qualidade da evidência limita conclusões definitivas.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise de 33 ensaios clínicos randomizados (2.025 participantes) que avaliou injeções de PRP guiadas por ultrassom para tendinopatias. As condições incluídas foram epicondilite lateral, fasciíte plantar, tendinopatia aquileana, do manguito rotador, patelar e síndrome do túnel do carpo. O PRP foi administrado em injeção única ou múltipla e comparado a corticosteroides, soro fisiológico, sangue autólogo total, anestésico local, agulhamento seco, proloterapia, células-tronco mesenquimais de medula óssea ou intervenções não injetáveis. Não houve diferenças claras entre grupos na maioria das tendinopatias, exceto na síndrome do túnel do carpo, com melhora significativa da dor e da gravidade dos sintomas nos receptores de PRP. A certeza da evidência foi baixa ou muito baixa.

## Limitações

A certeza da evidência foi classificada como baixa ou muito baixa devido a risco de viés, imprecisão e inconsistência. O resumo não informa detalhes sobre o desenho específico de cada ensaio, critérios de inclusão dos participantes ou possíveis conflitos de interesse. Além disso, a heterogeneidade entre as condições e intervenções comparadoras limita a generalização dos achados.

## Aplicação no consultório

Os achados sugerem que a injeção de PRP guiada por ultrassom não deve ser considerada superior a outras opções conservadoras para a maioria das tendinopatias, exceto potencialmente na síndrome do túnel do carpo. Na prática clínica, isso implica cautela ao indicar o procedimento e na comunicação realista sobre expectativas. Para a gestão do consultório, é importante considerar o custo e a disponibilidade do PRP, priorizando decisões compartilhadas com o paciente e baseadas em evidências de baixa certeza.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o papel da injeção de PRP guiada por ultrassom na síndrome do túnel do carpo?
- Como a certeza da evidência afeta a indicação de PRP para tendinopatias?
- Quais são os riscos e benefícios da injeção de PRP em comparação com corticosteroides para tendinopatias?

Tema: Plasma rico em plaquetas (PRP). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prp/o-que-a-revisao-sistematica-e-meta-analise-sobre-injecao-de-plasma-rico-em/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
