# O plasma rico em plaquetas reduz a infecção de ferida esternal após cirurgia cardíaca?

> A meta-análise reuniu 10 estudos com 7879 pacientes. Em coortes retrospectivas, o PRP associou-se a menor incidência de infecção de ferida esternal e de infecção esternal profunda; nos ensaios clínicos randomizados, porém, não houve diferença significativa. Não houve diferença na perda sanguínea pós-operatória. A qualidade da evidência é fraca e são necessários ensaios randomizados de alta qualidade.

Estudo citado: Yao D, Feng G, Zhao F, Hao D. Effects of platelet-rich plasma on the healing of sternal wounds: A meta-analysis. Wound repair and regeneration : official publication of the Wound Healing Society [and] the European Tissue Repair Society. 2021. DOI: https://doi.org/10.1111/wrr.12874. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33128501/

## Resposta

A infecção de ferida esternal é uma complicação grave após cirurgia cardíaca, e o plasma rico em plaquetas (PRP) tem sido estudado como possível adjuvante na cicatrização. Esta revisão sistemática com meta-análises avaliou a efetividade clínica da aplicação tópica de PRP autólogo para prevenir infecção de ferida esternal e promover a cicatrização, em comparação com placebo ou tratamento padrão sem PRP.

Foram incluídos 10 estudos comparáveis, totalizando 7879 pacientes. Os desfechos analisados foram incidência de infecção de ferida esternal, incidência de infecção esternal profunda, perda sanguínea pós-operatória e outros fatores de risco. A meta-análise foi realizada separadamente para subgrupos de coortes retrospectivas e de ensaios clínicos randomizados.

No subgrupo de coortes retrospectivas, a incidência de infecção de ferida esternal e de infecção esternal profunda foi significativamente menor nos pacientes tratados com PRP do que naqueles sem PRP. Já no subgrupo de ensaios clínicos randomizados, não houve diferença significativa na incidência dessas infecções entre os grupos PRP e controle.

Não houve diferença significativa na perda sanguínea pós-operatória em nenhum dos subgrupos. Não foram relatadas reações adversas nem recorrências in situ. Os autores concluem que o PRP pode ser considerado um tratamento candidato para prevenir infecção de ferida esternal e infecção esternal profunda, mas a qualidade da evidência é fraca e são necessários ensaios clínicos randomizados de alta qualidade para avaliar sua eficácia.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com meta-análises de 10 estudos comparáveis, envolvendo 7879 pacientes, sobre aplicação tópica de PRP autólogo versus placebo ou tratamento padrão sem PRP. Nas coortes retrospectivas, a incidência de infecção de ferida esternal e de infecção esternal profunda foi significativamente menor com PRP; nos ensaios clínicos randomizados não houve diferença significativa. Não houve diferença na perda sanguínea pós-operatória. Não foram relatadas reações adversas nem recorrências in situ.

## Limitações

O resumo não detalha as limitações individuais dos estudos incluídos. Os próprios autores afirmam que a qualidade da evidência é fraca e que são necessários ensaios clínicos randomizados de alta qualidade. O resumo não informa o risco de viés dos estudos nem a heterogeneidade entre eles, o que limita a interpretação dos achados.

## Aplicação no consultório

O PRP pode ser considerado um tratamento candidato para prevenir infecção de ferida esternal e infecção esternal profunda, mas a evidência é fraca. Na prática, a decisão deve ser individualizada e discutida com a equipe cirúrgica, sem apresentar o PRP como estratégia estabelecida. Para a gestão do consultório, vale acompanhar a literatura e aguardar ensaios clínicos randomizados de alta qualidade antes de incorporar o PRP como protocolo rotineiro.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os efeitos do PRP na cicatrização de feridas esternais em ensaios clínicos randomizados?
- O PRP reduz a perda sanguínea pós-operatória em cirurgia cardíaca?
- Quais desfechos devem ser avaliados em futuros ensaios clínicos randomizados sobre PRP em feridas esternais?

Tema: Plasma rico em plaquetas (PRP). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prp/o-plasma-rico-em-plaquetas-reduz-a-infeccao-de-ferida-esternal-apos-cirurgia/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
