O plasma rico em plaquetas (PRP) tem potencial para ser usado na prática clínica em fertilidade masculina?
Resposta curta: Uma revisão sistemática com 43 estudos sugere que o PRP e o PRGF podem melhorar a viabilidade e motilidade espermática in vitro, preservar sêmen e, in vivo, beneficiar parâmetros espermáticos e restaurar tecido testicular. Porém, os achados são preliminares e exigem padronização de protocolos e avaliação de eficácia e segurança em longo prazo antes da aplicação clínica rotineira.
Resposta
O plasma rico em plaquetas (PRP) e seu subtipo, plasma rico em fatores de crescimento (PRGF), são produtos autólogos derivados do sangue que vêm ganhando atenção como ferramentas terapêuticas personalizadas na fertilidade masculina. Uma revisão sistemática recente avaliou a evidência in vitro e in vivo sobre essas aplicações, incluindo espermatogênese in vitro, preservação de espermatozoides, tratamento da infertilidade masculina, mitigação da toxicidade testicular e manejo da lesão de torção/destorção testicular.
A revisão seguiu as diretrizes PRISMA e foi registrada prospectivamente no PROSPERO. A busca abrangeu as principais bases de dados, sem restrição de idioma, incluindo Cochrane Library, MEDLINE/PubMed, Scopus, ScienceDirect e Web of Science. Foram incluídos estudos publicados até outubro de 2024, com atualização em janeiro de 2025. Três revisores independentes selecionaram os estudos, com discrepâncias resolvidas por discussão ou consulta a um quarto revisor.
Um total de 43 estudos atendeu aos critérios de inclusão. A evidência disponível sugere que a suplementação de PRP e PRGF em meios de cultura pode melhorar a geração in vitro de espermatozoides, aumentando a viabilidade e a proliferação celular. A incorporação desses produtos em protocolos de incubação e criopreservação de sêmen também foi associada a melhorias na motilidade, viabilidade e integridade estrutural dos espermatozoides.
Estudos in vivo indicam que injeções intratesticulares de PRP podem oferecer benefícios terapêuticos para a infertilidade masculina, potencialmente apoiando melhorias nos parâmetros espermáticos, no equilíbrio hormonal e na restauração do tecido testicular. Além disso, o PRP foi relatado como capaz de reduzir a toxicidade testicular e a lesão de isquemia-reperfusão, possivelmente por mecanismos antioxidantes e de reparação tecidual.
Apesar dos achados preliminares promissores, a conclusão da revisão destaca que mais pesquisas são essenciais para padronizar protocolos, avaliar a eficácia e segurança em longo prazo e elucidar os mecanismos moleculares subjacentes antes que essas terapias possam ser traduzidas de forma segura e eficaz para a prática clínica rotineira.
O que o estudo mostrou
Revisão sistemática com 43 estudos, conduzida conforme diretrizes PRISMA e registrada no PROSPERO, que avaliou evidência in vitro e in vivo sobre PRP e PRGF em saúde reprodutiva masculina. Os achados sugerem que a suplementação em meios de cultura pode melhorar a viabilidade e proliferação celular na espermatogênese in vitro; em protocolos de incubação e criopreservação, houve associação com melhora de motilidade, viabilidade e integridade estrutural espermática; in vivo, injeções intratesticulares de PRP mostraram potenciais benefícios em parâmetros espermáticos, equilíbrio hormonal e restauração tecidual, além de redução de toxicidade testicular e lesão de isquemia-reperfusão.
Limitações
O resumo não informa detalhes sobre o desenho ou a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre tamanhos de amostra ou limitações específicas. Os autores concluem que os achados são preliminares e que são necessárias mais pesquisas para padronizar protocolos, avaliar eficácia e segurança em longo prazo e elucidar mecanismos moleculares antes da aplicação clínica rotineira.
Aplicação no consultório
Os achados ainda não permitem incorporar o PRP ou PRGF como terapia de rotina na prática clínica para fertilidade masculina. O médico deve acompanhar a literatura e considerar essas abordagens apenas em contexto de pesquisa ou de discussão informada com o paciente, sem promessas de benefício. Na gestão do consultório, é importante não oferecer esses procedimentos como tratamento estabelecido e aguardar padronização de protocolos e evidências de eficácia e segurança em longo prazo.
Estudo citado
Platelet-rich plasma (PRP) and the future of male fertility: a path forward for personalized and regenerative therapies. Stem cell research & therapy, 2025.
Autores: Moradian SA, Amirkhani Z, Movahedin M, Gharib SN, Varghaiyan Y, Niknafs B, Hamdi K, Hajipour H, Fattahi A.
DOI: 10.1186/s13287-025-04602-0 · PubMed: PMID 40898310
Perguntas para aprofundar
- Quais são os mecanismos moleculares propostos para os efeitos do PRP na fertilidade masculina?
- Como o PRP pode ser utilizado na criopreservação de sêmen para preservar a motilidade espermática?
- Quais protocolos de padronização são necessários para a aplicação clínica do PRP em reprodução masculina?
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