# O plasma rico em plaquetas (PRP) tem algum benefício no tratamento da ruptura aguda do tendão de Aquiles?

> A revisão sistemática não encontrou evidências claras de benefício do PRP no tratamento da ruptura aguda do tendão de Aquiles. Apenas um estudo pequeno sugeriu recuperação mais rápida da amplitude de movimento e retorno à corrida, mas a maioria não mostrou diferenças em força, função ou eventos adversos. São necessários estudos com melhor metodologia.

Estudo citado: Daley P, Menu P, Louguet B, Crenn V, Dauty M, Fouasson-Chailloux A. Interest of platelet rich plasma in Achilles tendon rupture management: a systematic review. The Physician and sportsmedicine. 2022. DOI: https://doi.org/10.1080/00913847.2021.1969216. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34392780/

## Resposta

A ruptura aguda do tendão de Aquiles é uma lesão incapacitante relacionada ao esporte, e seu manejo inclui tratamento conservador com apoio precoce ou cirurgia. O plasma rico em plaquetas (PRP) tem despertado interesse como adjuvante por suas propriedades na reparação tendínea e efeito anti-inflamatório. Esta revisão sistemática avaliou o impacto clínico do PRP no tratamento cirúrgico ou não cirúrgico da ruptura aguda, analisando amplitude de movimento, força muscular, função, retorno ao esporte e eventos adversos.

Foram incluídos oito estudos, totalizando 543 pacientes com ruptura aguda. Desses, 128 foram tratados cirurgicamente e 415 conservadoramente; 271 receberam injeção de PRP. Cinco estudos descreveram o tipo de PRP utilizado, que foi variável. Apenas um estudo, com 12 pacientes, encontrou resultados significativos a favor do grupo PRP, com recuperação da amplitude de movimento normal 4 semanas mais precoce e retorno à corrida 7 semanas mais precoce.

Nos demais estudos, não houve diferença nas avaliações clínicas ou morfológicas, na mensuração de força ou nos desfechos funcionais, tanto em curto quanto em longo prazo. O PRP não pareceu modificar a frequência de eventos adversos. Assim, os dados não são claramente favoráveis a um efeito significativo do PRP no tratamento da ruptura aguda do tendão de Aquiles, embora possa haver um leve efeito na evolução durante os primeiros meses.

Os autores concluem que o interesse do PRP deve ser avaliado em estudos futuros com metodologia robusta. A heterogeneidade das preparações de PRP e a pequena amostra de alguns estudos limitam a generalização dos achados. Portanto, a decisão sobre o uso de PRP deve ser individualizada, considerando as evidências disponíveis e as características de cada caso.

Para o médico, esta revisão reforça a necessidade de cautela ao indicar o PRP como adjuvante no tratamento da ruptura aguda do tendão de Aquiles. A ausência de benefícios consistentes em desfechos clínicos importantes sugere que essa prática não deve ser adotada rotineiramente sem discussão com o paciente sobre as incertezas. Mais pesquisas são necessárias para definir subgrupos que possam se beneficiar.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática que incluiu oito estudos, com 543 pacientes com ruptura aguda do tendão de Aquiles. Desses, 128 foram tratados cirurgicamente e 415 conservadoramente; 271 receberam PRP. Cinco estudos descreveram o tipo de PRP, que foi variável. Apenas um estudo, com 12 pacientes, encontrou resultados significativos a favor do PRP: recuperação da amplitude de movimento normal 4 semanas mais precoce e retorno à corrida 7 semanas mais precoce. Nos outros estudos, não houve diferença em avaliações clínicas, morfológicas, força ou função, em curto e longo prazo. O PRP não modificou a frequência de eventos adversos.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre as limitações dos estudos incluídos, como viés de seleção ou heterogeneidade das preparações de PRP. Apenas um estudo pequeno mostrou benefício, e a maioria não encontrou diferenças. A variabilidade do PRP e a falta de padronização limitam a comparação entre estudos. O resumo não fornece informações sobre a qualidade metodológica dos estudos originais.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados não sustentam o uso rotineiro de PRP no tratamento da ruptura aguda do tendão de Aquiles. O médico deve discutir com o paciente as evidências incertas e considerar o custo e a disponibilidade do PRP. A decisão compartilhada é essencial, e o PRP não deve ser oferecido como padrão. Para a gestão do consultório, evite protocolos fixos e mantenha-se atualizado com novas pesquisas.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os desfechos funcionais avaliados no tratamento da ruptura aguda do tendão de Aquiles com PRP?
- O PRP pode acelerar o retorno ao esporte após ruptura do tendão de Aquiles?
- Quais são as limitações metodológicas dos estudos sobre PRP na ruptura do tendão de Aquiles?

Tema: Plasma rico em plaquetas (PRP). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prp/o-plasma-rico-em-plaquetas-prp-tem-algum-beneficio-no-tratamento-da-ruptura/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
