# O plasma rico em plaquetas (PRP) é eficaz no tratamento da alopecia androgenética e da alopecia areata?

> Uma revisão sistemática com meta-análise de 27 ensaios controlados (1.117 participantes) mostrou que o PRP aumenta a densidade capilar em comparação com injeções de soro fisiológico na alopecia androgenética, mas com evidência de baixa qualidade. Na alopecia areata, não está claro se o PRP supera a triancinolona. Não houve eventos adversos graves.

Estudo citado: Cruciani M, Masiello F, Pati I, Marano G, Pupella S, De Angelis V. Platelet-rich plasma for the treatment of alopecia: a systematic review and meta-analysis. Blood transfusion = Trasfusione del sangue. 2023. DOI: https://doi.org/10.2450/2021.0216-21. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34967722/

## Resposta

O PRP é um tratamento que tem sido estudado para diversas formas de alopecia. Esta revisão sistemática com meta-análise reuniu 27 ensaios controlados, totalizando 1.117 participantes, sendo 18 ensaios (713 participantes) em alopecia androgenética (AGA) e 9 ensaios (404 participantes) em alopecia areata (AA). A maioria dos estudos comparou o PRP a injeções de soro fisiológico, mas também houve comparações com injeções de corticosteroides locais e outros comparadores. Os desfechos mais relatados foram densidade capilar e crescimento de cabelo.

Na AGA, a meta-análise mostrou que o PRP aumentou a densidade capilar em comparação com soro fisiológico, com diferença média de 25,6 fios/cm² (IC 95%: 2,62-48,57). No entanto, a qualidade da evidência foi classificada como baixa devido à inconsistência e ao risco de viés. Isso significa que o benefício é incerto e novos estudos podem alterar essa estimativa. A heterogeneidade nos tipos de PRP (ativado e não ativado) e nos esquemas de administração limitou a possibilidade de agrupar todos os dados.

Na AA, não foi possível concluir se o PRP aumenta a taxa de crescimento capilar em comparação com injeções de triancinolona. A evidência foi classificada como muito baixa, devido à inconsistência, imprecisão e risco de viés. Portanto, a eficácia do PRP nessa condição permanece incerta. Não foram relatados eventos adversos graves relacionados ao PRP ou aos tratamentos de controle, o que sugere um perfil de segurança favorável, mas a qualidade dos dados limita conclusões definitivas.

A revisão também destacou que muitos desfechos não puderam ser agrupados devido à heterogeneidade na forma de relato e porque frequentemente os dados eram provenientes de um único estudo. Além disso, onze estudos utilizaram um desenho de cabeça dividida (split-head), o que pode influenciar a interpretação dos resultados. A certeza geral da evidência foi avaliada pelo sistema GRADE e foi considerada baixa ou muito baixa para os principais desfechos.

Em resumo, há evidência limitada de benefício do PRP no tratamento da alopecia, e a maior parte dessa evidência é de baixa qualidade. Os médicos devem considerar essas limitações ao discutir o PRP com os pacientes e ao tomar decisões terapêuticas. Mais estudos bem desenhados e com padronização dos tipos de PRP e dos esquemas de tratamento são necessários para esclarecer o real papel dessa terapia.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise de 27 ensaios controlados (1.117 participantes), sendo 18 em alopecia androgenética (713 participantes) e 9 em alopecia areata (404 participantes). Onze estudos tinham desenho de cabeça dividida. O PRP foi comparado a soro fisiológico (18 estudos), corticosteroides locais (4 estudos) e outros comparadores (5 estudos). Na AGA, o PRP aumentou a densidade capilar em comparação com soro fisiológico (diferença média de 25,6 fios/cm²; IC 95%: 2,62-48,57), com evidência de baixa qualidade. Na AA, não ficou claro se o PRP aumenta o crescimento capilar em comparação com triancinolona (evidência muito baixa). Não houve eventos adversos graves.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a amostra além do número de participantes e estudos. A heterogeneidade nos tipos de PRP e esquemas de administração limitou a meta-análise. Muitos desfechos não puderam ser agrupados devido à inconsistência no relato e dados provenientes de estudos únicos. A qualidade da evidência foi baixa ou muito baixa para os principais desfechos, segundo o sistema GRADE. O resumo não fornece informações sobre o risco de viés específico de cada estudo.

## Aplicação no consultório

Os médicos devem estar cientes de que a evidência para o uso de PRP na alopecia é limitada e de baixa qualidade. A decisão de oferecer PRP deve ser individualizada, discutindo com o paciente os benefícios incertos e a ausência de eventos adversos graves. Na gestão do consultório, é importante considerar a necessidade de padronização de protocolos e a realização de estudos adicionais para melhor embasar a prática. O PRP pode ser uma opção, mas não deve ser apresentado como tratamento de eficácia comprovada.

## Perguntas para aprofundar

- Qual é a qualidade da evidência que suporta o uso de PRP na alopecia androgenética?
- O PRP é seguro para uso em pacientes com alopecia?
- Como a heterogeneidade dos estudos sobre PRP influencia a interpretação dos resultados?

Tema: Plasma rico em plaquetas (PRP). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prp/o-plasma-rico-em-plaquetas-prp-e-eficaz-no-tratamento-da-alopecia-androgenetica/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
