# O plasma rico em plaquetas injetado na região vulvovaginal tem benefícios clínicos e perfil de segurança favorável em distúrbios vulvovaginais?

> A revisão sistemática sugere que as injeções de plasma rico em plaquetas na região vulvovaginal podem oferecer benefícios clínicos em várias indicações, com poucos eventos adversos e leves. Porém, a alta variabilidade de protocolos, as amostras pequenas e as limitações metodológicas impedem conclusões definitivas, sendo necessários ensaios clínicos randomizados de alta qualidade.

Estudo citado: De Ponte A, Cabrera S, Sparice SSB, Baulies S, Rodríguez I. Platelet-rich plasma in the management of vulvovaginal disorders: a systematic review. The journal of sexual medicine. 2026. DOI: https://doi.org/10.1093/jsxmed/qdaf307. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41168677/

## Resposta

O plasma rico em plaquetas é definido como um produto autólogo obtido por centrifugação em gradiente de densidade do sangue, resultando em um concentrado de plaquetas rico em fatores de crescimento. Na ginecologia, tem sido utilizado para atrofia vaginal, disfunção sexual e condições inflamatórias como o líquen escleroso vulvar. A revisão sistemática buscou sintetizar a evidência sobre a administração de plasma rico em plaquetas na vulva e na vagina como técnica isolada em ambiente ambulatorial não cirúrgico.

A busca sistemática em PubMed e Embase incluiu estudos publicados até outubro de 2024, com termos relacionados a plasma rico em plaquetas e vagina ou vulva. Foram elegíveis relatos de caso humanos, estudos de coorte prospectivos e retrospectivos, e ensaios controlados randomizados e não randomizados que avaliassem injeções de plasma rico em plaquetas como técnica isolada na região vulvovaginal. Os dados extraídos incluíram desenho do estudo, características das pacientes, indicações, protocolos de preparo e administração, número de sessões, desfechos e eventos adversos.

Os estudos incluídos compreenderam ensaios controlados randomizados, ensaios clínicos de braço único, um estudo transversal retrospectivo e relatos de caso, totalizando 480 pacientes, das quais 401 foram tratadas com plasma rico em plaquetas. A indicação mais frequente foi líquen escleroso vulvar, seguida de disfunção sexual e atrofia vulvovaginal. Os protocolos variaram quanto aos métodos de preparo, técnicas de injeção e esquemas de tratamento.

Ao longo dos estudos, as injeções de plasma rico em plaquetas foram associadas a melhoras nos sintomas, na função sexual e na saúde vaginal, com poucos eventos adversos e de natureza leve. A conclusão dos autores é que a evidência atual sugere benefícios clínicos potenciais em várias indicações, com perfil de segurança favorável, mas a alta variabilidade de protocolos, os tamanhos amostrais pequenos e as limitações metodológicas impedem conclusões definitivas. Ensaios clínicos randomizados de alta qualidade são necessários para estabelecer protocolos padronizados e confirmar a eficácia.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática com busca em PubMed e Embase até outubro de 2024. Foram incluídos ensaios controlados randomizados, ensaios clínicos de braço único, um estudo transversal retrospectivo e relatos de caso, totalizando 480 pacientes, das quais 401 tratadas com plasma rico em plaquetas. A indicação mais frequente foi líquen escleroso vulvar, seguida de disfunção sexual e atrofia vulvovaginal. Houve melhora de sintomas, função sexual e saúde vaginal, com poucos eventos adversos leves, mas protocolos variáveis.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre o risco de viés de cada estudo. As principais limitações apontadas são a alta variabilidade nos métodos de preparo, técnicas de injeção e esquemas de tratamento, além de tamanhos amostrais pequenos e limitações metodológicas, que impedem conclusões definitivas sobre eficácia e padronização.

## Aplicação no consultório

O médico pode considerar o plasma rico em plaquetas como opção em discussão para líquen escleroso vulvar, disfunção sexual e atrofia vulvovaginal, explicando que a evidência ainda não é definitiva. Na gestão do consultório, é prudente não padronizar um protocolo próprio sem respaldo, informar as pacientes sobre a variabilidade de técnicas e a necessidade de mais estudos randomizados, e acompanhar desfechos e eventos adversos de forma sistemática.

## Perguntas para aprofundar

- Quais protocolos de preparo e administração de plasma rico em plaquetas na região vulvovaginal foram descritos na literatura?
- O plasma rico em plaquetas é seguro para uso ambulatorial em pacientes com líquen escleroso vulvar?
- Quais desfechos de função sexual e saúde vaginal foram avaliados nos estudos com plasma rico em plaquetas?

Tema: Plasma rico em plaquetas (PRP). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prp/o-plasma-rico-em-plaquetas-injetado-na-regiao-vulvovaginal-tem-beneficios/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
