# O plasma rico em plaquetas encurta o tempo de retorno ao esporte após lesão aguda do músculo isquiotibial?

> Em metanálise de seis ensaios clínicos randomizados (n=277), o PRP reduziu o tempo de retorno ao esporte versus controle (21,4 vs 30,0 dias; diferença média de -8,6 dias; p=0,045), com heterogeneidade alta. Relesão e eventos adversos não diferiram. A certeza da evidência foi baixa a moderada.

Estudo citado: Nakagawa H, Krochmal P, Thomas I, Rabinowitz JB, Kruse RC, Bowers R et al.. Effects of percutaneous platelet-rich plasma injection on return-to-play after acute hamstring muscle injury: a systematic review and meta-analysis. British journal of sports medicine. 2026. DOI: https://doi.org/10.1136/bjsports-2025-110683. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41708276/

## Resposta

A revisão sistemática com metanálise reuniu ensaios clínicos randomizados que compararam a injeção percutânea de plasma rico em plaquetas a tratamentos controle em lesões agudas do músculo isquiotibial. O desfecho central foi o tempo de retorno ao esporte (RTP), acompanhado de taxas de relesão e de eventos adversos. A busca abrangeu bases como Embase, MEDLINE, Web of Science, Elsevier e Cochrane Central até março de 2025, com avaliação de risco de viés pela ferramenta Cochrane e da certeza da evidência pelo sistema GRADE.

Nos seis ensaios incluídos, com 277 participantes, o PRP encurtou o tempo de retorno ao esporte em relação ao controle: 21,4 dias versus 30,0 dias, com diferença média de -8,6 dias (IC 95% -3,04 a -0,03; p=0,045). Esse achado, porém, veio acompanhado de heterogeneidade elevada (I²=94,1%), o que limita a interpretação do tamanho do efeito e sugere que os estudos diferiram de forma importante entre si.

As taxas de relesão foram de 15% com PRP e 16% no controle (p=0,722), sem diferença estatística. Os eventos adversos ocorreram em 1% versus 0% (p=0,687), também sem diferença. Ou seja, o possível benefício se concentrou no tempo de retorno, sem sinal de aumento de risco de nova lesão ou de complicações nos dados agrupados.

A conclusão dos autores é que o PRP pode encurtar o retorno ao esporte em lesões agudas dos isquiotibiais, especialmente quando guiado por imagem, e que o risco de relesão parece inalterado. A certeza da evidência foi classificada como baixa a moderada, em razão de risco de viés e imprecisão. Os autores recomendam novos ensaios para confirmar os achados e padronizar o uso biológico em lesões musculares.

Para o médico que atende atletas e praticantes de atividade física, o estudo oferece um sinal favorável, mas não definitivo, sobre o uso do PRP. A decisão de incorporar o procedimento deve considerar a incerteza refletida na certeza baixa a moderada da evidência e a variabilidade entre os estudos, além dos aspectos de custo e de estrutura necessários para a aplicação guiada por imagem.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados, com seis estudos e 277 participantes, comparando PRP a tratamentos controle em lesões agudas dos isquiotibiais. O PRP reduziu o tempo de retorno ao esporte (diferença média -8,6 dias; 21,4 vs 30,0 dias; IC 95% -3,04 a -0,03; p=0,045), com heterogeneidade alta (I²=94,1%). Relesão (15% vs 16%; p=0,722) e eventos adversos (1% vs 0%; p=0,687) não diferiram. A certeza da evidência foi baixa a moderada.

## Limitações

O resumo não informa o número de participantes por estudo nem os protocolos de PRP utilizados. A heterogeneidade foi alta (I²=94,1%), e a certeza da evidência foi classificada como baixa a moderada devido a risco de viés e imprecisão. Os autores indicam que novos ensaios são necessários para confirmar os achados e padronizar o uso biológico em lesões musculares.

## Aplicação no consultório

O achado pode apoiar a discussão sobre PRP com pacientes com lesão aguda dos isquiotibiais, deixando claro que o benefício descrito se limita ao tempo de retorno e que a certeza da evidência é baixa a moderada. Na gestão do consultório, vale planejar a estrutura para aplicação guiada por imagem, avaliar custos e manter expectativas realistas, sem prometer prazos de retorno. A ausência de diferença em relesão e eventos adversos ajuda no aconselhamento sobre segurança.

## Perguntas para aprofundar

- A aplicação guiada por imagem do PRP melhora os desfechos em relação à injeção sem guia?
- O PRP altera a força muscular ou a função em médio prazo após lesão dos isquiotibiais?
- Quais protocolos de PRP foram usados nos ensaios e como padronizá-los na prática?

Tema: Plasma rico em plaquetas (PRP). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prp/o-plasma-rico-em-plaquetas-encurta-o-tempo-de-retorno-ao-esporte-apos-lesao/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
