# O plasma rico em plaquetas é superior ao corticosteroide ou ao placebo no tratamento da fasciopatia plantar?

> Em estudos duplo-cegos bem delineados, o PRP não mostrou superioridade sobre o corticosteroide para dor e função. No entanto, quando comparado ao placebo, o PRP apresentou melhores resultados. A evidência disponível sugere benefício do PRP sobre placebo, mas não sobre corticosteroide em estudos de alta qualidade.

Estudo citado: Yu T, Xia J, Li B, Zhou H, Yang Y, Yu G. Outcomes of platelet-rich plasma for plantar fasciopathy: a best-evidence synthesis. Journal of orthopaedic surgery and research. 2020. DOI: https://doi.org/10.1186/s13018-020-01783-7. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32958046/

## Resposta

A fasciopatia plantar é uma condição comum, afetando cerca de 1/10 pessoas ao longo da vida. O plasma rico em plaquetas (PRP) tem sido estudado como opção terapêutica, mas sua eficácia em comparação com corticosteroide (CS) ou placebo ainda é debatida. Esta síntese de melhor evidência reuniu estudos randomizados controlados para comparar desfechos de dor e função.

Foram incluídos treze ensaios clínicos randomizados. A análise global mostrou superioridade do PRP sobre CS nos escores de dor (VAS) e função (AOFAS). No entanto, ao restringir a análise a estudos duplo-cegos bem delineados, essa diferença não foi estatisticamente significativa, sugerindo que o efeito observado pode ser influenciado por limitações metodológicas dos estudos abertos.

Na comparação entre PRP e placebo, a diferença média agrupada foi de -3,76, favorecendo o PRP. Esse achado indica que o PRP pode ter efeito analgésico superior ao placebo, embora a qualidade da evidência para essa comparação não tenha sido detalhada no resumo.

Os autores concluem que não há superioridade do PRP em estudos duplo-cegos bem desenhados, mas a evidência disponível sugere que os desfechos do PRP são melhores que o placebo. Assim, a decisão clínica deve considerar o contexto individual e as limitações das evidências atuais.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise que incluiu treze ensaios clínicos randomizados comparando PRP com corticosteroide ou placebo no tratamento da fasciopatia plantar. Os resultados mostraram superioridade do PRP sobre CS na análise global (VAS: MD = -0,85; AOFAS: MD = 10,05), mas sem diferença estatística em estudos duplo-cegos bem delineados (VAS: MD = 0,15; AOFAS: MD = 2,71). Na comparação com placebo, o PRP foi superior (diferença média agrupada = -3,76).

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, o tamanho amostral total, o tempo de seguimento ou as características dos pacientes. Além disso, a heterogeneidade nas análises globais foi alta (I2 = 85%), o que limita a interpretação dos resultados. A ausência de superioridade em estudos duplo-cegos sugere que os achados podem ser influenciados por viés.

## Aplicação no consultório

Para o médico que atende pacientes com fasciopatia plantar, os achados indicam que o PRP pode ser considerado uma opção, especialmente quando comparado ao placebo, mas não há evidência robusta de superioridade sobre o corticosteroide em estudos de alta qualidade. A decisão compartilhada deve levar em conta custos, disponibilidade e expectativas do paciente. No consultório, é importante discutir as incertezas e evitar promessas de resultados superiores com base apenas em estudos abertos.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os critérios para indicar PRP na fasciopatia plantar?
- Como o PRP se compara ao corticosteroide em termos de custo-efetividade?
- Existem fatores preditivos de resposta ao PRP na fasciopatia plantar?

Tema: Plasma rico em plaquetas (PRP). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prp/o-plasma-rico-em-plaquetas-e-superior-ao-corticosteroide-ou-ao-placebo-no/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
