# Em pacientes com fasciopatia plantar refratária, a injeção de plasma rico em plaquetas (PRP) é superior ao corticosteroide para dor e função?

> Revisão sistemática com meta-análise de dez estudos (517 pacientes) mostrou que, aos três meses, o PRP associou-se a melhores escores de dor (VAS) e função (AOFAS) que o corticosteroide. Porém, aos seis meses não houve diferença, e análises de sensibilidade de estudos de alta qualidade não confirmaram superioridade. Faltam dados sobre eventos adversos e custos.

Estudo citado: Singh P, Madanipour S, Bhamra JS, Gill I. A systematic review and meta-analysis of platelet-rich plasma versus corticosteroid injections for plantar fasciopathy. International orthopaedics. 2017. DOI: https://doi.org/10.1007/s00264-017-3470-x. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28396927/

## Resposta

A revisão sistemática com meta-análise comparou injeções de PRP e de corticosteroide em pacientes com fasciopatia plantar que falharam medidas conservadoras. Foram incluídos dez estudos, totalizando 517 pacientes, dos quais sete eram randomizados. Os desfechos primários foram escores de dor e função aos três e seis meses, avaliados por VAS e AOFAS.

Aos três meses, o PRP mostrou-se associado a melhores escores de VAS (SMD -0,66; IC 95% -1,3 a -0,02; p = 0,04) e AOFAS (SMD 1,87; IC 95% 0,16-3,58; p = 0,03). No entanto, aos seis meses não houve diferença significativa para VAS (SMD -0,66; IC 95% -1,65 a 0,3; p = 0,17) nem para AOFAS (SMD 1,69; IC 95% -1,06 a 4,45; p = 0,23).

A análise de sensibilidade restrita a estudos de alta qualidade não mostrou diferença entre PRP e corticosteroide em nenhum dos momentos avaliados. Além disso, não houve diferença em dor ou função aos um, seis ou doze meses. Nenhum estudo relatou taxas de eventos adversos ou análise de custos.

Os autores concluem que o PRP está associado a melhores escores de dor e função aos três meses, mas a ausência de dados sobre eventos adversos e custos limita a comparação. São necessários ensaios clínicos randomizados de grande porte, com cegamento da avaliação de desfechos e seguimento mais longo.

Para o médico, a decisão entre PRP e corticosteroide deve considerar a falta de evidências robustas de superioridade do PRP em médio e longo prazos, além da ausência de informações sobre segurança e custo. O resumo não informa o perfil dos pacientes além da falha de tratamento conservador e da exclusão de doenças sistêmicas e outras causas de dor no pé.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise de dez estudos (sete randomizados) com 517 pacientes com fasciopatia plantar refratária a medidas conservadoras. Aos três meses, o PRP associou-se a melhores escores de VAS (SMD -0,66; IC 95% -1,3 a -0,02; p = 0,04) e AOFAS (SMD 1,87; IC 95% 0,16-3,58; p = 0,03) em comparação ao corticosteroide. Aos seis meses, não houve diferença significativa para VAS (p = 0,17) nem AOFAS (p = 0,23). Análise de sensibilidade de estudos de alta qualidade não mostrou diferença em nenhum momento. Não foram relatados eventos adversos ou custos.

## Limitações

O resumo não informa o número exato de estudos na análise de sensibilidade, nem detalhes sobre o cegamento. A ausência de dados sobre eventos adversos e custos impede conclusões sobre segurança e custo-efetividade. A heterogeneidade entre estudos e a falta de seguimento padronizado em um, seis e doze meses limitam a generalização. Estudos de alta qualidade não confirmaram os achados favoráveis ao PRP aos três meses.

## Aplicação no consultório

A decisão sobre o uso de PRP versus corticosteroide deve ser individualizada, considerando que o benefício do PRP parece restrito ao curto prazo (três meses) e não se confirma em análises de alta qualidade. A ausência de dados sobre eventos adversos e custos dificulta a incorporação do PRP na prática clínica e a negociação com operadoras. O médico deve discutir com o paciente a incerteza das evidências e a necessidade de mais estudos. No consultório, pode-se priorizar opções com melhor perfil de segurança e custo conhecido, reservando o PRP para casos selecionados.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o perfil de eventos adversos do PRP em comparação ao corticosteroide na fasciopatia plantar?
- O PRP é custo-efetivo em relação ao corticosteroide para fasciopatia plantar?
- Ensaios clínicos randomizados com cegamento e seguimento longo confirmam a superioridade do PRP em três meses?

Tema: Plasma rico em plaquetas (PRP). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prp/em-pacientes-com-fasciopatia-plantar-refrataria-a-injecao-de-plasma-rico-em/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
