# O uso de plasma rico em plaquetas (PRP) na reparação meniscal reduz a taxa de falha e melhora os desfechos funcionais?

> Sim, o PRP reduz significativamente a taxa de falha da reparação meniscal (OR 0,64) e melhora a dor (VAS -0,76) e o sintoma KOOS (8,02) em comparação ao não uso de PRP. Porém, não há diferença nos escores IKDC e Lysholm, e a evidência de RCTs é insuficiente para recomendar PRP para melhora funcional.

Estudo citado: Li Z, Weng X. Platelet-rich plasma use in meniscus repair treatment: a systematic review and meta-analysis of clinical studies. Journal of orthopaedic surgery and research. 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s13018-022-03293-0. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36209223/

## Resposta

A revisão sistemática e meta-análise incluiu nove estudos (dois ensaios clínicos randomizados e sete não randomizados) com 1164 participantes, comparando reparo meniscal com e sem PRP. O desfecho primário foi taxa de falha, e os secundários incluíram escores funcionais e de dor.

Os resultados mostraram que o grupo PRP teve taxa de falha significativamente menor que o grupo sem PRP (odds ratio 0,64; IC 95% 0,42-0,96; P=0,03). Além disso, houve melhora estatisticamente significativa na escala visual analógica de dor (diferença média -0,76; IC 95% -1,32 a -0,21; P=0,007) e no escore KOOS-sintoma (diferença média 8,02; IC 95% 2,99-13,05; P=0,002) favorecendo o PRP.

No entanto, não foram observadas diferenças entre os grupos nos escores IKDC e Lysholm. A análise de subgrupo favoreceu PRP sobre a matriz de fibrina rica em plaquetas (PRFM) em relação ao escore IKDC, e o PRFM não mostrou benefício na melhora dos desfechos funcionais.

Os autores concluem que, embora o PRP reduza a taxa de falha e melhore o controle da dor pós-operatória, a evidência de ensaios clínicos randomizados é insuficiente para apoiar o uso de PRP na melhora dos desfechos funcionais. Assim, a recomendação de PRP como adjuvante na reparação meniscal ainda carece de confirmação por estudos randomizados de maior qualidade.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise de nove estudos (dois RCTs e sete não-RCTs) com 1164 participantes. A taxa de falha foi significativamente menor no grupo PRP (OR 0,64; IC 95% 0,42-0,96; P=0,03). Houve melhora na VAS de dor (diferença média -0,76; IC 95% -1,32 a -0,21; P=0,007) e no KOOS-sintoma (diferença média 8,02; IC 95% 2,99-13,05; P=0,002). Não houve diferença nos escores IKDC e Lysholm. Análise de subgrupo favoreceu PRP sobre PRFM no IKDC.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, heterogeneidade entre eles ou tempo de seguimento. A inclusão de apenas dois RCTs limita a força da evidência para desfechos funcionais. O resumo também não descreve os critérios de inclusão dos pacientes nem possíveis vieses de publicação.

## Aplicação no consultório

Para o médico que realiza reparo meniscal, os achados sugerem que o PRP pode reduzir falhas e melhorar a dor pós-operatória, mas não há evidência suficiente para prometer melhora funcional. Na gestão do consultório, é importante discutir com o paciente as incertezas e os custos do PRP, individualizando a indicação. A comparação com PRFM desfavorece esta última para desfechos funcionais, o que pode orientar a escolha do produto.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o papel do PRP na reparação meniscal em relação à taxa de falha?
- O PRP melhora os escores funcionais após reparo meniscal?
- Como o PRP se compara à matriz de fibrina rica em plaquetas (PRFM) na reparação meniscal?

Tema: Fibrina rica em plaquetas (PRF). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prf-fibrina/o-uso-de-plasma-rico-em-plaquetas-prp-na-reparacao-meniscal-reduz-a-taxa-de/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
