# Em pacientes submetidos a implante imediato, qual material de enxerto de tecido mole proporciona melhores resultados clínicos?

> Uma revisão sistemática com meta-análise em rede bayesiana mostrou que, entre os diferentes enxertos de tecido mole, apenas o enxerto de tecido conjuntivo (CTG) proporcionou ganho significativamente maior na espessura do tecido mole em comparação a não enxertar. Não houve diferença significativa entre os materiais nos demais desfechos. O CTG pode ser sugerido em casos de tecido mole fino.

Estudo citado: Azadi A, Rezaei F, Yazdani A, Hejazi K, Moallem Savasari A, Amid R et al.. Hard and soft tissue alterations after the application of different soft tissue grafting materials during immediate dental implant placement: a systematic review and Bayesian network meta-analysis. BMC oral health. 2025. DOI: https://doi.org/10.1186/s12903-025-05461-0. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39901100/

## Resposta

A revisão sistemática com meta-análise em rede bayesiana comparou diferentes materiais de enxerto de tecido mole (enxerto de tecido conjuntivo, fibrina rica em plaquetas leucocitária, substitutos alogênicos e xenógenos) aplicados durante a instalação de implantes imediatos. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que avaliaram desfechos como escore estético rosa, alterações no nível ósseo interproximal marginal, espessura óssea vestibular, largura de tecido queratinizado, espessura do tecido mole, altura da papila e nível da margem gengival médio-facial.

Os resultados mostraram que, entre todas as comparações, apenas o enxerto de tecido conjuntivo apresentou ganho significativamente maior na espessura do tecido mole quando comparado a não colocar enxerto. Nos demais desfechos, não houve diferença estatisticamente significativa entre os materiais. No entanto, com base no ranqueamento de tratamentos pela área sob a curva de ranking cumulativo (SUCRA), o enxerto de tecido conjuntivo foi superior para os desfechos de nível ósseo interproximal marginal, largura de tecido queratinizado, espessura do tecido mole, altura da papila e nível da margem gengival médio-facial, enquanto a matriz de colágeno xenógena de camada única foi superior para o escore estético rosa.

Os autores concluem que não há diferença significativa entre os diferentes enxertos de tecido mole em relação aos desfechos clínicos dos implantes no momento da implantação imediata. No entanto, o uso de enxerto de tecido conjuntivo pode ser sugerido em casos de tecido mole fino. A eficácia aceitável dos materiais alogênicos e xenógenos e a ausência de diferença significativa em relação ao enxerto de tecido conjuntivo fornecem evidências de suporte para a aplicação desses materiais em situações clínicas específicas simultaneamente à implantação imediata.

A revisão foi registrada (CRD42024568586) e incluiu 21 ensaios clínicos randomizados após triagem de 903 estudos identificados. Os desfechos foram avaliados em períodos de 6 a 12 meses, exceto o nível ósseo interproximal marginal, que considerou 12 a 24 meses de acompanhamento. O resumo não informa o número total de pacientes ou sítios incluídos, nem detalhes sobre as limitações dos estudos primários.

Para o clínico, os achados indicam que a escolha do material de enxerto de tecido mole pode ser individualizada, considerando as características do tecido mole e os objetivos estéticos. O enxerto de tecido conjuntivo parece ser particularmente benéfico em casos de tecido mole fino, enquanto os substitutos alogênicos e xenógenos podem ser alternativas viáveis em situações específicas, com a vantagem de evitar a morbidade do sítio doador. A decisão deve ser baseada na avaliação clínica e nas preferências do paciente.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com meta-análise em rede bayesiana de ensaios clínicos randomizados que comparou enxerto de tecido conjuntivo, fibrina rica em plaquetas leucocitária, substitutos alogênicos e xenógenos em implantes imediatos. Foram incluídos 21 ensaios clínicos randomizados. Apenas o enxerto de tecido conjuntivo mostrou ganho significativamente maior na espessura do tecido mole em comparação a não enxertar. No ranqueamento SUCRA, o enxerto de tecido conjuntivo foi superior para nível ósseo interproximal marginal, largura de tecido queratinizado, espessura do tecido mole, altura da papila e nível da margem gengival médio-facial, e a matriz de colágeno xenógena de camada única foi superior para o escore estético rosa.

## Limitações

O resumo não informa o número total de pacientes ou sítios incluídos, nem detalha as limitações dos estudos primários. Os desfechos foram avaliados em períodos variáveis (6 a 12 meses para a maioria, 12 a 24 meses para o nível ósseo interproximal marginal), o que pode influenciar a comparabilidade. Além disso, a meta-análise em rede depende da consistência entre as comparações indiretas, aspecto não abordado no resumo.

## Aplicação no consultório

Os achados permitem ao clínico considerar o enxerto de tecido conjuntivo como primeira escolha em casos de tecido mole fino durante implantes imediatos, visando melhorar a espessura do tecido mole. Substitutos alogênicos e xenógenos podem ser alternativas em situações específicas, evitando morbidade do sítio doador. A gestão do consultório pode incluir a disponibilidade desses materiais e a discussão com o paciente sobre as opções, baseada em evidências. O planejamento deve considerar o custo e a previsibilidade de cada material.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o papel da fibrina rica em plaquetas leucocitária como enxerto de tecido mole em implantes imediatos?
- Em casos de tecido mole fino, o enxerto de tecido conjuntivo é sempre superior aos substitutos?
- Como o escore estético rosa é influenciado pelos diferentes materiais de enxerto em implantes imediatos?

Tema: Fibrina rica em plaquetas (PRF). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prf-fibrina/em-pacientes-submetidos-a-implante-imediato-qual-material-de-enxerto-de-tecido/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
