# Em lesões endodôntico-periodontais, a intervenção cirúrgica combinada ao tratamento não cirúrgico melhora os desfechos clínicos em comparação ao tratamento não cirúrgico isolado?

> Sim, a revisão sistemática sem metanálise sugere que a intervenção cirúrgica combinada ao tratamento não cirúrgico proporciona melhores desfechos clínicos do que o tratamento não cirúrgico isolado, com benefício adicional do uso de fibrina rica em plaquetas (PRF) em vez de membrana de colágeno reabsorvível e da substituição do medicamento intracanal. A certeza da evidência é baixa a muito baixa.

Estudo citado: Yang Y, Peng Y, Liu L, Min Z, Cao Y, Song D et al.. Surgical interventions for endodontic-periodontal lesions: A Systematic Review without Meta-analysis (SWiM). Clinical oral investigations. 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s00784-025-06552-6. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41251903/

## Resposta

A revisão sistemática sem metanálise (SWiM) avaliou estudos clínicos sobre intervenções cirúrgicas em lesões endodôntico-periodontais. Foram incluídos 13 estudos, sendo 6 ensaios clínicos randomizados e 7 não randomizados, que compararam abordagens não cirúrgicas versus combinadas, momento da intervenção, materiais intraoperatórios, medicamentos intracanais, técnicas cirúrgicas únicas versus combinadas e protocolos de acompanhamento.

Os resultados indicaram que a combinação de cirurgia com tratamento não cirúrgico produziu melhores desfechos clínicos (nível de inserção clínica, profundidade de sondagem e achados radiográficos) do que o tratamento não cirúrgico isolado. Dentro das estratégias cirúrgicas, a intervenção mais precoce, o uso de PRF em vez de membrana de colágeno reabsorvível e a substituição do medicamento intracanal mostraram-se benéficos. No entanto, o PRF preparado com titânio não apresentou vantagem adicional sobre o PRF, e a combinação de múltiplas técnicas cirúrgicas não foi necessariamente mais eficaz.

A maioria dos estudos apresentou risco de viés moderado a sério, e a certeza da evidência foi classificada como baixa a muito baixa pelo sistema GRADE. Isso significa que os achados devem ser interpretados com cautela e que novas pesquisas podem alterar as estimativas de efeito.

A conclusão dos autores é que a evidência atual, embora limitada, sugere que a intervenção cirúrgica pode ser benéfica no manejo de lesões endodôntico-periodontais, especialmente quando precedida de tratamento não cirúrgico. A relevância clínica reside na possibilidade de preservar dentes afetados, ainda que as estratégias terapêuticas sejam altamente individualizadas.

Para o médico, esses achados reforçam a importância de considerar a cirurgia como parte do plano de tratamento em casos selecionados, sempre após o tratamento não cirúrgico, e de avaliar criticamente a qualidade da evidência disponível.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática sem metanálise que incluiu 13 estudos (6 ensaios clínicos randomizados e 7 não randomizados) sobre intervenções cirúrgicas em lesões endodôntico-periodontais. Os desfechos primários foram nível de inserção clínica, profundidade de sondagem e achados radiográficos. A combinação de cirurgia com tratamento não cirúrgico resultou em melhores desfechos do que o tratamento não cirúrgico isolado. Intervenção precoce, uso de PRF em vez de membrana de colágeno reabsorvível e substituição do medicamento intracanal foram benéficos. O PRF preparado com titânio não superou o PRF, e combinar múltiplas técnicas cirúrgicas não foi necessariamente mais eficaz. A certeza da evidência foi baixa a muito baixa.

## Limitações

A maioria dos estudos incluídos apresentou risco de viés moderado a sério, e a certeza da evidência foi classificada como baixa a muito baixa pelo sistema GRADE. O resumo não informa o tamanho amostral total, as características detalhadas dos pacientes ou o tempo de acompanhamento. A ausência de metanálise impede estimativas quantitativas agregadas. Os resultados devem ser interpretados com cautela devido à heterogeneidade e às limitações metodológicas dos estudos primários.

## Aplicação no consultório

Os achados sugerem que, em pacientes com lesões endodôntico-periodontais, a indicação cirúrgica após o tratamento não cirúrgico pode ser considerada para melhorar desfechos clínicos. No planejamento do consultório, isso implica avaliar a necessidade de intervenção cirúrgica de forma individualizada, considerar o uso de PRF como alternativa à membrana de colágeno reabsorvível e atentar para o momento da intervenção. A certeza baixa da evidência recomenda cautela na incorporação rotineira e reforça a importância do acompanhamento longitudinal e da documentação dos casos.

## Perguntas para aprofundar

- Qual o momento ideal para a intervenção cirúrgica em lesões endodôntico-periodontais após o tratamento não cirúrgico?
- O uso de fibrina rica em plaquetas (PRF) melhora os desfechos em cirurgias de lesões endodôntico-periodontais em comparação com membranas de colágeno?
- A combinação de múltiplas técnicas cirúrgicas é mais eficaz do que uma única técnica no tratamento de lesões endodôntico-periodontais?

Tema: Fibrina rica em plaquetas (PRF). Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/prf-fibrina/em-lesoes-endodontico-periodontais-a-intervencao-cirurgica-combinada-ao/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
