# Qual é a prevalência de alucinações auditivas ao longo da vida na população geral, e como ela varia entre crianças, adolescentes, adultos e idosos?

> Em metanálise com 25 amostras e 84 711 participantes, a prevalência média de alucinações auditivas ao longo da vida na população geral foi de 9,6% (IC 95% 6,7-13,6%). Crianças (12,7%) e adolescentes (12,4%) apresentaram prevalências semelhantes entre si e significativamente maiores que adultos (5,8%) e idosos (4,5%). Houve heterogeneidade significativa entre estudos.

Estudo citado: Maijer K, Begemann MJH, Palmen SJMC, Leucht S, Sommer IEC. Auditory hallucinations across the lifespan: a systematic review and meta-analysis. Psychological medicine. 2018. DOI: https://doi.org/10.1017/S0033291717002367. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28956518/

## Resposta

As alucinações auditivas vêm sendo compreendidas dentro de um continuum, que vai de um fenômeno transitório em indivíduos saudáveis até um sintoma de doenças psiquiátricas. Estudos epidemiológicos sobre a prevalência dessas experiências na população geral acumulam-se, mas os resultados variam amplamente. Esta revisão sistemática com metanálise buscou sintetizar as evidências existentes sobre a prevalência de alucinações auditivas ao longo da vida, considerando diferentes faixas etárias.

A metanálise foi conduzida segundo as diretrizes PRISMA. Os estudos foram combinados para calcular uma taxa média de prevalência de alucinações auditivas ao longo da vida na população geral. Além disso, as prevalências foram calculadas para quatro grupos de idade: crianças (5-12 anos), adolescentes (13-17 anos), adultos (18-60 anos) e idosos (60 anos ou mais).

Foram recuperadas 25 amostras de estudo, incluindo 84 711 participantes. A taxa média de prevalência de alucinações auditivas ao longo da vida foi de 9,6% (IC 95% 6,7-13,6%). A prevalência média ao longo da vida foi semelhante em crianças (12,7%) e adolescentes (12,4%), mas esses dois grupos diferiram significativamente dos adultos (5,8%) e dos idosos (4,5%).

A heterogeneidade significativa observada indica que ainda há dispersão nas taxas de prevalência verdadeiras entre os estudos, mesmo dentro das diferentes categorias de idade. Isso sugere que fatores metodológicos ou populacionais podem influenciar os achados, e que a interpretação das estimativas pontuais deve considerar essa variabilidade.

Os autores concluem que as alucinações auditivas são bastante comuns na população geral ao longo da vida, podendo atingir até um em cada dez indivíduos, com crianças e adolescentes relatando essas experiências significativamente mais frequentemente do que adultos e idosos. Estudos longitudinais de seguimento de grande porte sobre o curso das alucinações auditivas são necessários para revelar fatores de risco e de resiliência associados.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de revisão sistemática e metanálise quantitativa conduzida segundo as diretrizes PRISMA. Foram recuperadas 25 amostras de estudo, incluindo 84 711 participantes. A taxa média de prevalência de alucinações auditivas ao longo da vida na população geral foi de 9,6% (IC 95% 6,7-13,6%). As prevalências foram semelhantes em crianças (12,7%) e adolescentes (12,4%), diferindo significativamente das de adultos (5,8%) e idosos (4,5%). Houve heterogeneidade significativa entre os estudos.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre os desenhos individuais dos estudos incluídos, critérios de avaliação das alucinações auditivas ou estratégias de análise da heterogeneidade. A heterogeneidade significativa indica dispersão das taxas de prevalência verdadeiras entre estudos, mesmo dentro das faixas etárias, o que limita a interpretação de uma estimativa única. O resumo também não informa dados sobre o curso longitudinal dessas experiências.

## Aplicação no consultório

Conhecer a prevalência de alucinações auditivas na população geral ajuda o médico a contextualizar relatos dessas experiências, especialmente em crianças e adolescentes, em quem são mais frequentes. Isso pode orientar a anamnese e a decisão sobre investigação adicional, evitando interpretações equivocadas. Na gestão do consultório, o dado reforça a importância de protocolos de avaliação que diferenciem fenômenos transitórios de sintomas associados a doenças psiquiátricas, sem que o resumo permita definir condutas específicas.

## Perguntas para aprofundar

- Como a prevalência de alucinações auditivas em crianças e adolescentes deve influenciar a avaliação clínica na atenção primária?
- Quais fatores de risco e de resiliência estão associados ao curso longitudinal das alucinações auditivas?
- Como a heterogeneidade entre estudos sobre alucinações auditivas afeta a interpretação das estimativas de prevalência?

Tema: Longevidade e geroscience. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/longevidade-geroscience/qual-e-a-prevalencia-de-alucinacoes-auditivas-ao-longo-da-vida-na-populacao/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
