# Qual é a longevidade das restaurações posteriores diretas de resina composta em comparação com as de ionômero de vidro, segundo uma meta-análise atualizada?

> Restaurações de resina composta têm sobrevida de cerca de 85-90% após 10 anos, sem diferença significativa entre os tipos de carga (híbrida, microhíbrida, nanohíbrida) ou materiais bulk fill. Restaurações de ionômero de vidro e compômeros apresentam sobrevida média de cerca de 80% após 6 anos, com falhas mais frequentes.

Estudo citado: Heintze SD, Loguercio AD, Hanzen TA, Reis A, Rousson V. Clinical efficacy of resin-based direct posterior restorations and glass-ionomer restorations - An updated meta-analysis of clinical outcome parameters. Dental materials : official publication of the Academy of Dental Materials. 2022. DOI: https://doi.org/10.1016/j.dental.2021.10.018. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35221127/

## Resposta

Esta meta-análise atualizada avaliou a longevidade de restaurações posteriores diretas de resina composta e de ionômero de vidro (GIC), considerando diferentes classes de materiais e técnicas adesivas. Foram incluídos 62 estudos clínicos prospectivos, totalizando 110 experimentos, publicados entre 2000 e 2019, com pelo menos 2 anos de acompanhamento. A análise estatística utilizou modelos lineares mistos para ajustar possíveis vieses.

Os resultados mostraram que, após 10 anos, a taxa de sobrevida das restaurações de resina composta foi de aproximadamente 85-90%, sem diferença significativa entre os materiais híbridos, microhíbridos e nanohíbridos, nem para os chamados bulk fill. As principais causas de substituição foram fraturas do material e desgaste, responsáveis por cerca de 70% das trocas, seguidas por cárie nas margens (cerca de 20%) e outras razões (cerca de 10%).

Para as restaurações de compômero e GIC, a sobrevida média geral foi de cerca de 80% após 6 anos. No caso do GIC, as falhas estavam principalmente relacionadas à perda substancial do contorno anatômico, perda de contatos proximais e perda de retenção. Para os compômeros, as fraturas foram o principal motivo de falha. Esses materiais apresentaram limitações consideráveis e longevidade significativamente menor.

A meta-análise também avaliou parâmetros como correspondência de cor, textura superficial, fraturas do material e forma anatômica, não encontrando superioridade significativa dos nanohíbridos sobre os híbridos ou microhíbridos. A técnica de condicionamento ácido do esmalte foi associada ao melhor desempenho geral. O risco de viés foi baixo em apenas 1,6% dos estudos, incerto em 67,7% e alto em 30,6%.

Em conclusão, as restaurações de resina composta colocadas com condicionamento ácido do esmalte apresentam melhor desempenho geral, e a longevidade não é significativamente influenciada pelo tipo de carga ou viscosidade do material. Restaurações de compômero e GIC mostram desvantagens consideráveis e menor longevidade.

## O que o estudo mostrou

Meta-análise atualizada de 62 estudos clínicos prospectivos (110 experimentos) sobre restaurações posteriores de resina composta e ionômero de vidro, publicados entre 2000 e 2019. Foram avaliadas 2807 restaurações microhíbridas, 1254 nanohíbridas, 1255 híbridas, 506 bulk fill, 2121 de GIC e 238 de compômero. Após 10 anos, a sobrevida das resinas compostas foi de cerca de 85-90%, sem diferença entre os tipos. Para GIC e compômeros, a sobrevida média foi de cerca de 80% após 6 anos. As principais falhas das resinas foram fraturas e desgaste (cerca de 70%), enquanto para GIC foram perda de contorno e retenção.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a população dos estudos, como idade dos pacientes ou características dos dentes. A maioria dos estudos apresentou risco de viés incerto (67,7%) ou alto (30,6%), o que pode comprometer a validade dos achados. O resumo também não descreve os critérios de inclusão dos pacientes nem possíveis fontes de heterogeneidade entre os estudos.

## Aplicação no consultório

Os achados reforçam a preferência por restaurações de resina composta com condicionamento ácido do esmalte em dentes posteriores, independentemente do tipo de carga ou viscosidade. Para gestão do consultório, isso pode simplificar a escolha de materiais e reduzir custos com estoque diversificado. Já o uso de ionômero de vidro e compômeros deve ser reservado para situações específicas, considerando sua menor longevidade e maior risco de falhas, o que impacta o planejamento de retornos e a expectativa do paciente.

## Perguntas para aprofundar

- Qual a influência do tipo de carga (microhíbrida, nanohíbrida, híbrida) na longevidade de restaurações posteriores de resina composta?
- Quais são as principais causas de falha em restaurações de ionômero de vidro em dentes posteriores?
- A técnica de condicionamento ácido do esmalte melhora o desempenho clínico de restaurações de resina composta?

Tema: Longevidade e geroscience. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/longevidade-geroscience/qual-e-a-longevidade-das-restauracoes-posteriores-diretas-de-resina-composta-em/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
