# Fatores reprodutivos específicos de cada sexo ao longo da vida aumentam o risco de demência ou declínio cognitivo?

> Sim. Esta revisão sistemática e meta-análise identificou que fatores reprodutivos femininos (menarca tardia, nuliparidade, grande paridade, ooforectomia bilateral, período reprodutivo curto, menopausa precoce e estradiol elevado) e masculinos (terapia de privação androgênica e globulina ligadora de hormônios sexuais) associam-se a maior risco de demência ou declínio cognitivo.

Estudo citado: Han SL, Liu DC, Tan CC, Tan L, Xu W. Male- and female-specific reproductive risk factors across the lifespan for dementia or cognitive decline: a systematic review and meta-analysis. BMC medicine. 2023. DOI: https://doi.org/10.1186/s12916-023-03159-0. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37996855/

## Resposta

A revisão sistemática e meta-análise reuniu 94 estudos, incluindo 9.839.964 mulheres e 3.436.520 homens, para investigar associações entre fatores reprodutivos específicos de cada sexo e desfechos de demência ou declínio cognitivo. Desses, 63 estudos entraram na meta-análise. Os resultados mostram que diversos fatores reprodutivos femininos e dois masculinos estão associados a risco elevado.

No sexo feminino, os fatores associados a maior risco foram: menarca tardia (aumento de 15%), nuliparidade (11%), grande paridade (32%), ooforectomia bilateral (8%), período reprodutivo curto (14%), menopausa precoce (22%) e nível elevado de estradiol (46%). No sexo masculino, terapia de privação androgênica (18%) e globulina ligadora de hormônios sexuais (22%) também se associaram a risco aumentado.

Os autores concluem que esses achados potencialmente refletem uma discrepância impulsionada por hormônios sexuais na ocorrência de demência e podem ajudar a construir estratégias precisas baseadas no sexo para prevenção. A credibilidade da evidência foi avaliada pelo sistema GRADE, e o protocolo foi pré-registrado no PROSPERO.

Para o médico, esses dados reforçam a importância de considerar a história reprodutiva e hormonal ao avaliar o risco cognitivo de seus pacientes. A identificação de fatores de risco específicos de cada sexo pode auxiliar no rastreamento e em orientações preventivas personalizadas, embora o resumo não detalhe a magnitude absoluta dos riscos nem a população estudada.

A aplicação clínica exige cautela, pois o resumo não informa características como idade, comorbidades ou tempo de seguimento. Ainda assim, a consistência das associações sugere que fatores hormonais ao longo da vida devem ser integrados à avaliação de risco de demência, incentivando uma abordagem de prevenção mais individualizada.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática e meta-análise que incluiu 94 estudos (9.839.964 mulheres e 3.436.520 homens), dos quais 63 foram meta-analisados. Sete fatores reprodutivos femininos (menarca tardia, nuliparidade, grande paridade, ooforectomia bilateral, período reprodutivo curto, menopausa precoce e estradiol elevado) e dois masculinos (terapia de privação androgênica e globulina ligadora de hormônios sexuais) associaram-se a risco aumentado de demência ou declínio cognitivo. Os efeitos foram agrupados por modelos de efeitos aleatórios e a credibilidade avaliada pelo GRADE.

## Limitações

O resumo não informa as características das populações incluídas, os critérios de ajuste dos modelos ou o tempo de seguimento. Por ser uma meta-análise de estudos observacionais, não permite inferir causalidade. A heterogeneidade entre os estudos e a possibilidade de viés de publicação não são detalhadas. Além disso, os resultados podem não ser generalizáveis para todos os contextos clínicos.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados sugerem que a história reprodutiva e hormonal deve ser considerada na avaliação do risco de demência. Médicos podem incluir perguntas sobre menarca, paridade, menopausa e uso de terapias hormonais na anamnese de pacientes de meia-idade e idosos. Para gestão do consultório, isso pode justificar protocolos de rastreamento cognitivo mais direcionados a grupos de risco, além de orientações preventivas personalizadas. No entanto, a ausência de dados sobre magnitude absoluta e populações específicas limita a aplicação imediata de escores de risco.

## Perguntas para aprofundar

- Como a paridade e a menopausa precoce influenciam o risco de demência em mulheres?
- A terapia de privação androgênica em homens aumenta o risco de declínio cognitivo?
- Qual o papel dos níveis de estradiol e da globulina ligadora de hormônios sexuais na cognição?

Tema: Longevidade e geroscience. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/longevidade-geroscience/fatores-reprodutivos-especificos-de-cada-sexo-ao-longo-da-vida-aumentam-o-risco/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
