# Como as autopercepções do envelhecimento se relacionam com desfechos de saúde em adultos a partir de 50 anos, segundo uma revisão sistemática de estudos longitudinais?

> Uma revisão sistemática de 21 estudos longitudinais mostrou que autopercepções mais positivas do envelhecimento associam-se consistentemente a melhores desfechos de saúde, incluindo maior longevidade, melhor saúde autorreferida, menos obesidade, melhor desempenho nas atividades da vida diária, menos depressão e melhor função cognitiva, com redução do declínio cognitivo e da incidência de demência.

Estudo citado: Tully-Wilson C, Bojack R, Millear PM, Stallman HM, Allen A, Mason J. Self-perceptions of aging: A systematic review of longitudinal studies. Psychology and aging. 2021. DOI: https://doi.org/10.1037/pag0000638. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34498894/

## Resposta

A revisão sistemática examinou as consequências longitudinais das autopercepções do envelhecimento (SPA), definidas como estereótipos internalizados sobre o envelhecimento, em participantes com 50 anos ou mais. Foram incluídos 21 estudos publicados em inglês que utilizaram a escala Attitudes Toward Own Aging (ATOA) para medir SPA. Os estudos foram conduzidos nos Estados Unidos (10), Alemanha (7), Austrália (2), Israel e Suíça. O risco de viés foi baixo, e a qualidade do desenho e da avaliação variou de boa a alta, com a escala ATOA confiável em todos os estudos.

Os desfechos primários foram fisiológicos (15 estudos; longevidade e melhor saúde, comportamentos de saúde e doenças) e psicológicos (6 estudos; depressão, função cognitiva e outros desfechos psicológicos), em vez de sociais. Autopercepções mais positivas do envelhecimento associaram-se consistentemente a desfechos longitudinais mais saudáveis, incluindo melhor saúde autorreferida e menos obesidade, maior longevidade, melhor desempenho das atividades da vida diária, menos depressão e melhor funcionamento cognitivo, incluindo reduções no declínio cognitivo e na incidência de demência.

Os achados envolveram vias diretas e indiretas e fornecem suporte para a teoria da corporificação dos estereótipos de Levy. Os resultados têm implicações para a saúde pública, tanto em nível amplo, com mensagens comunitárias sobre os benefícios de autopercepções positivas do envelhecimento e do envelhecimento usual e saudável, quanto em nível mais restrito, com o uso da ATOA para triagem de adultos de meia-idade com autopercepções negativas do envelhecimento, a fim de prevenir declínios físicos e psicológicos futuros.

Para o médico, esses achados reforçam a importância de considerar as autopercepções do envelhecimento como um fator relevante na avaliação e no acompanhamento de pacientes a partir de 50 anos. A aplicação da escala ATOA pode auxiliar na identificação de indivíduos com autopercepções negativas, permitindo intervenções precoces e abordagens que promovam uma visão mais positiva do envelhecimento, com potencial impacto em desfechos físicos e psicológicos.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática de 21 estudos longitudinais publicados em inglês, incluindo participantes com 50 anos ou mais, que usaram a escala ATOA para medir autopercepções do envelhecimento. Os estudos foram realizados nos Estados Unidos (10), Alemanha (7), Austrália (2), Israel e Suíça. O risco de viés foi baixo e a qualidade do desenho e da avaliação foi de boa a alta. Autopercepções mais positivas associaram-se consistentemente a melhores desfechos longitudinais, como melhor saúde autorreferida, menos obesidade, maior longevidade, melhor desempenho nas atividades da vida diária, menos depressão e melhor função cognitiva, incluindo redução do declínio cognitivo e da incidência de demência.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a amostra total de participantes, as características específicas das populações incluídas, os períodos de seguimento ou as limitações metodológicas dos estudos primários. Também não são descritas análises de subgrupo ou possíveis vieses de publicação. Assim, as conclusões devem ser interpretadas com cautela, considerando que se trata de uma revisão de estudos observacionais longitudinais, que não estabelecem causalidade definitiva.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados sugerem que avaliar as autopercepções do envelhecimento em pacientes a partir de 50 anos pode ajudar a identificar aqueles com visão negativa sobre o próprio envelhecimento, os quais podem se beneficiar de abordagens educativas e de promoção de saúde. A escala ATOA pode ser incorporada como ferramenta de triagem em consultas periódicas, especialmente em programas de prevenção. Para a gestão do consultório, isso implica capacitar a equipe para aplicar e interpretar a escala, além de desenvolver materiais educativos que reforcem mensagens positivas sobre o envelhecimento saudável.

## Perguntas para aprofundar

- Qual é a associação entre autopercepções do envelhecimento e longevidade em adultos a partir de 50 anos?
- A escala Attitudes Toward Own Aging (ATOA) é confiável para triagem de autopercepções negativas do envelhecimento na prática clínica?
- Quais intervenções podem modificar autopercepções negativas do envelhecimento em pacientes de meia-idade?

Tema: Longevidade e geroscience. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/longevidade-geroscience/como-as-autopercepcoes-do-envelhecimento-se-relacionam-com-desfechos-de-saude/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
