# A maior adesão à dieta mediterrânea está associada a telômeros mais longos em adultos?

> Sim. Esta meta-análise de 8 estudos transversais com 13.733 participantes de 5 países mostrou associação positiva entre maior adesão à dieta mediterrânea e maior comprimento de telômeros em sangue, com diferença média padronizada de 0,130 (IC 95%: 0,029; 0,231) para todos os sujeitos. A associação foi observada em mulheres, mas não isoladamente em homens.

Estudo citado: Canudas S, Becerra-Tomás N, Hernández-Alonso P, Galié S, Leung C, Crous-Bou M et al.. Mediterranean Diet and Telomere Length: A Systematic Review and Meta-Analysis. Advances in nutrition (Bethesda, Md.). 2020. DOI: https://doi.org/10.1093/advances/nmaa079. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32730558/

## Resposta

A meta-análise reuniu estudos que avaliavam a relação entre adesão à dieta mediterrânea e comprimento de telômeros em células sanguíneas. Foram incluídos 8 estudos originais transversais, totalizando 13.733 participantes de 5 países. Os dados foram agrupados pelo método de variância inversa genérica, com modelo de efeitos aleatórios, e expressos como diferença média padronizada (SMD).

Observou-se associação positiva entre adesão à dieta mediterrânea e comprimento de telômeros em todas as meta-análises realizadas, exceto naquelas conduzidas apenas em homens. A SMD foi de 0,130 (IC 95%: 0,029; 0,231) para todos os sujeitos e de 0,078 (IC 95%: 0,005; 0,152) para mulheres. Para homens, a SMD foi de 0,095 (IC 95%: -0,005; 0,195), sem significância estatística.

Os autores destacam que apenas 1 estudo de coorte prospectivo e 1 ensaio clínico randomizado foram identificados, o que impossibilitou a realização de meta-análise para esses desenhos. Assim, a conclusão baseia-se exclusivamente em estudos transversais, que não permitem estabelecer causalidade entre a dieta e a manutenção dos telômeros.

A heterogeneidade foi avaliada pelo teste Q de Cochran e quantificada pelo estatístico I2. O resumo não informa os valores de heterogeneidade nem detalha as limitações individuais dos estudos incluídos. Os autores concluem que estudos prospectivos e ensaios clínicos maiores e de alta qualidade são necessários para confirmar a associação observada.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de revisão sistemática com meta-análise de 8 estudos originais transversais, incluindo 13.733 participantes de 5 países. A adesão à dieta mediterrânea associou-se positivamente ao comprimento de telômeros em células sanguíneas, com SMD de 0,130 (IC 95%: 0,029; 0,231) para todos os sujeitos e 0,078 (IC 95%: 0,005; 0,152) para mulheres. Em homens, a SMD foi de 0,095 (IC 95%: -0,005; 0,195), sem associação significativa.

## Limitações

A meta-análise incluiu apenas estudos transversais, o que impede inferir causalidade. Apenas 1 estudo de coorte prospectivo e 1 ensaio clínico randomizado foram identificados, insuficientes para meta-análise. O resumo não informa os valores de heterogeneidade nem detalha limitações individuais dos estudos incluídos.

## Aplicação no consultório

O médico pode usar esses achados como argumento educativo sobre padrão alimentar mediterrâneo no envelhecimento saudável, sem prometer efeito sobre telômeros. Na gestão do consultório, pode-se estruturar orientações dietéticas baseadas nesse padrão e considerar a inclusão de marcadores de envelhecimento em avaliações, sempre informando que a evidência é transversal e que estudos prospectivos e ensaios clínicos ainda são necessários para confirmar a associação.

## Perguntas para aprofundar

- Qual é a relação entre dieta mediterrânea e comprimento de telômeros em mulheres?
- Por que a associação entre dieta mediterrânea e telômeros não foi significativa em homens?
- Quais desenhos de estudo ainda são necessários para confirmar o efeito da dieta mediterrânea nos telômeros?

Tema: Longevidade e geroscience. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/longevidade-geroscience/a-maior-adesao-a-dieta-mediterranea-esta-associada-a-telomeros-mais-longos-em/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
