# Intervenções baseadas em inteligência artificial melhoram o contato visual em crianças com transtorno do espectro autista?

> Uma revisão sistemática recente sugere que intervenções com inteligência artificial, especialmente sistemas robóticos, estão associadas a aumentos na frequência e duração do contato visual em crianças com transtorno do espectro autista. Porém, a base de evidências é limitada por amostras pequenas e variações nas definições e medidas de contato visual.

Estudo citado: Demirtaş Ş, Besalti M. The role of artificial intelligence interventions to improve eye contact for children with autism spectrum disorder: a systematic review. BMC psychiatry. 2025. DOI: https://doi.org/10.1186/s12888-025-07702-6. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41420166/

## Resposta

Crianças com transtorno do espectro autista (TEA) frequentemente apresentam dificuldades no contato visual durante interações sociais, um aspecto central da comunicação. Nos últimos anos, intervenções baseadas em inteligência artificial (IA) têm sido desenvolvidas para apoiar essas crianças. Uma revisão sistemática publicada na BMC Psychiatry teve como objetivo reunir e avaliar a literatura publicada sobre intervenções com IA para melhorar o contato visual.

A revisão seguiu as diretrizes PRISMA 2020 e buscou em seis bases de dados: Scopus, Web of Science, PubMed, APA PsycInfo, Education Source e IEEE Xplore. Foram identificados 1663 registros inicialmente; após triagem e avaliação de elegibilidade, 16 estudos preencheram os critérios de inclusão. A síntese foi narrativa, com extração de dados sobre características dos estudos, definições e medidas de contato visual, ferramentas de IA, modalidades tecnológicas, efetividade, generalização, manutenção e validade social.

Os resultados mostraram que a modalidade de intervenção mais frequente foi a de sistemas robóticos, utilizada em 12 estudos, seguida por tecnologias vestíveis (dois estudos), realidade virtual (um) e software baseado em jogos (um). Achados preliminares sugerem que as tecnologias de IA estão frequentemente associadas a aumentos na frequência e duração do contato visual. Seis estudos (38%) avaliaram generalização dos efeitos do tratamento, geralmente com desfechos positivos, e sete estudos (44%) avaliaram validade social.

A maioria dos estudos utilizou delineamentos quantitativos, incluindo ensaios clínicos randomizados, delineamentos de medidas repetidas, delineamentos de sujeito único e quase-experimentais. Um estudo de caso qualitativo e um relato de caso também foram identificados. A qualidade metodológica variou de moderada a alta entre os delineamentos. Os autores concluem que as intervenções com IA são uma tecnologia em desenvolvimento para melhorar o comportamento de contato visual em crianças com TEA, com destaque para os sistemas robóticos, mas a base de evidências ainda é limitada.

Para o médico, esses achados indicam que a IA pode ser uma ferramenta adjuvante promissora, porém a evidência atual não permite recomendações definitivas. A heterogeneidade nas definições operacionais de contato visual, nos métodos de mensuração e no nível de sofisticação da IA, além de amostras pequenas, limita a generalização. Dados sobre generalização e validade social são escassos, reforçando a necessidade de estudos maiores e metodologicamente rigorosos para confirmar os resultados e avaliar a aplicabilidade em contextos clínicos e educacionais.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática com 16 estudos que avaliaram intervenções baseadas em inteligência artificial para melhorar o contato visual em crianças com transtorno do espectro autista. A modalidade mais usada foi a robótica (12 estudos), seguida por tecnologias vestíveis (dois), realidade virtual (um) e software de jogos (um). Achados preliminares sugerem aumentos na frequência e duração do contato visual. Seis estudos avaliaram generalização e sete, validade social. A qualidade metodológica variou de moderada a alta.

## Limitações

O resumo não informa o número total de participantes nem detalhes sobre as amostras de cada estudo. As limitações apontadas incluem amostras pequenas, variações nas definições operacionais de contato visual, nos métodos de mensuração e no nível de sofisticação da IA, além de dados limitados sobre generalização e validade social. Essas questões restringem a conclusão sobre a eficácia e a aplicabilidade clínica das intervenções.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os achados podem ser discutidos com famílias de crianças com TEA como uma possibilidade emergente, sem promessas de resultado. O médico pode acompanhar a evolução do campo e considerar a inclusão de tecnologias em planos terapêuticos multidisciplinares, desde que haja avaliação criteriosa. Para a gestão do consultório, é importante conhecer os recursos disponíveis e as limitações das evidências, evitando recomendações baseadas apenas em entusiasmo tecnológico. A tomada de decisão compartilhada deve considerar a heterogeneidade dos estudos e a necessidade de mais pesquisas.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os critérios para indicar intervenções com inteligência artificial no transtorno do espectro autista?
- Como avaliar a generalização dos ganhos de contato visual obtidos com tecnologias de IA?
- Quais tecnologias de IA estão disponíveis para uso clínico em crianças com TEA no Brasil?

Tema: IA e wearables. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-wearables/intervencoes-baseadas-em-inteligencia-artificial-melhoram-o-contato-visual-em/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
