# Exoesqueletos robóticos vestíveis de membros inferiores são eficazes para reabilitação da marcha em pacientes com comprometimentos neuromusculares?

> A revisão sistemática analisou 87 estudos clínicos e mostra que os exoesqueletos vestíveis têm potencial para reabilitação precoce, exercício físico e atividades de vida diária, podendo melhorar mobilidade e independência em não deambuladores. Porém, a evidência de eficácia clínica é limitada a ensaios de curta intervenção, com poucos participantes e protocolos heterogêneos, sendo necessários ensaios controlados randomizados.

Estudo citado: Rodríguez-Fernández A, Lobo-Prat J, Font-Llagunes JM. Systematic review on wearable lower-limb exoskeletons for gait training in neuromuscular impairments. Journal of neuroengineering and rehabilitation. 2021. DOI: https://doi.org/10.1186/s12984-021-00815-5. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33526065/

## Resposta

A revisão sistemática teve como objetivo sintetizar o conhecimento sobre exoesqueletos robóticos vestíveis de membros inferiores para reabilitação da marcha em pessoas com comprometimentos neuromusculares. Foram analisados 87 estudos clínicos, abordando tanto aspectos tecnológicos dos dispositivos (atuadores, sensores, estrutura) quanto aspectos clínicos (protocolos de treinamento, medidas de desfecho e características dos pacientes). Os autores disponibilizaram um banco de dados com as informações compiladas.

Os resultados da literatura indicam que os exoesqueletos vestíveis têm potencial para diversas aplicações, incluindo reabilitação precoce, promoção de exercício físico e realização de atividades de vida diária em casa e na comunidade. Além disso, podem melhorar a mobilidade e a independência de pessoas não deambuladoras e reduzir condições secundárias de saúde relacionadas ao sedentarismo.

No entanto, a utilização dessa tecnologia ainda é limitada por dispositivos pesados e volumosos, que exigem supervisão e uso de auxiliares de marcha. A evidência que sustenta seus benefícios é restrita a ensaios de curta intervenção, com poucos participantes e diversidade entre os protocolos clínicos. Os autores concluem que os exoesqueletos vestíveis para reabilitação da marcha ainda estão em estágios iniciais de desenvolvimento e que ensaios controlados randomizados são necessários para demonstrar sua eficácia clínica.

Para o médico que atua em reabilitação, os achados sugerem que os exoesqueletos podem ser considerados como ferramenta adjuvante em programas de treinamento de marcha, especialmente para pacientes com comprometimentos neuromusculares que não deambulam. Contudo, a heterogeneidade dos protocolos e a falta de evidências robustas de eficácia clínica exigem cautela na indicação e na interpretação dos resultados esperados.

Do ponto de vista da gestão do consultório, a incorporação dessa tecnologia requer avaliação cuidadosa do custo-benefício, da necessidade de supervisão especializada e do espaço físico adequado. A revisão não fornece dados sobre custos ou disponibilidade comercial, mas destaca a importância de se acompanhar a evolução das pesquisas para embasar decisões clínicas e administrativas.

## O que o estudo mostrou

Trata-se de uma revisão sistemática que analisou 87 estudos clínicos sobre exoesqueletos vestíveis de membros inferiores para reabilitação da marcha em pessoas com comprometimentos neuromusculares. Os estudos abordaram tanto a tecnologia dos dispositivos quanto aspectos clínicos. Os resultados indicam potencial para reabilitação precoce, promoção de exercício físico e atividades de vida diária, com possível melhora da mobilidade e independência em não deambuladores e redução de condições secundárias ao sedentarismo. No entanto, os dispositivos são pesados e volumosos, exigem supervisão e auxiliares de marcha, e a evidência de eficácia clínica é limitada a ensaios de curta intervenção com poucos participantes e protocolos diversos.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre o desenho dos estudos incluídos, tamanho amostral total ou métodos de avaliação de qualidade. A principal limitação apontada é que a evidência disponível provém de ensaios de curta intervenção, com poucos participantes e heterogeneidade de protocolos clínicos, o que restringe conclusões sobre eficácia clínica. Além disso, os dispositivos atuais são pesados e volumosos, necessitando supervisão e auxiliares de marcha, o que pode limitar sua aplicabilidade. Ensaios controlados randomizados ainda são necessários.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica, os exoesqueletos podem ser considerados como recurso adjuvante em programas de reabilitação da marcha, especialmente para pacientes com comprometimentos neuromusculares e não deambuladores, desde que haja supervisão adequada e infraestrutura para uso seguro. Para a gestão do consultório, é importante avaliar a demanda, o espaço físico, a necessidade de treinamento de equipe e os custos envolvidos, lembrando que a evidência atual é limitada e que a tecnologia está em evolução. A revisão não fornece dados sobre custos ou modelos comerciais, mas reforça a necessidade de acompanhar novas pesquisas antes de incorporar a tecnologia de forma rotineira.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os critérios para indicar exoesqueletos vestíveis na reabilitação da marcha?
- Como estruturar um protocolo de treinamento com exoesqueletos na prática clínica?
- Quais desfechos clínicos devem ser monitorados em pacientes usando exoesqueletos?

Tema: IA e wearables. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-wearables/exoesqueletos-roboticos-vestiveis-de-membros-inferiores-sao-eficazes-para/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
