# Exoesqueletos de tecido robótico macio para membros superiores: qual o panorama atual e o que esperar na prática clínica?

> Uma revisão sistemática identificou 69 dispositivos exosuits, a maioria pneumáticos ou com motores DC e cabos, destinados à reabilitação e assistência. Apenas 33% possuem detecção de intenção e 75% estão em níveis de prontidão tecnológica 4 ou 5, indicando que poucos estão prontos para o mercado. Ensaios clínicos com métricas compartilhadas são necessários para comprovar eficácia.

Estudo citado: Bardi E, Gandolla M, Braghin F, Resta F, Pedrocchi ALG, Ambrosini E. Upper limb soft robotic wearable devices: a systematic review. Journal of neuroengineering and rehabilitation. 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s12984-022-01065-9. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35948915/

## Resposta

A revisão sistemática reuniu 105 artigos que descrevem 69 dispositivos exosuits para membros superiores, publicados até 2022. O objetivo foi mapear as abordagens de design, atuação, controle e avaliação, servindo como guia para profissionais que desejam compreender o estado da arte dessa tecnologia.

Os resultados mostram que mais de 80% dos dispositivos são destinados à reabilitação, assistência ou ambos. Os tipos de atuação mais empregados são pneumática (52%) e motores DC com transmissão por cabos (29%). A maioria atua em 1 (56%) ou 2 (28%) graus de liberdade, com foco nas articulações do cotovelo e ombro.

Estratégias de detecção de intenção estão presentes em 33% dos exosuits, utilizando botões, interruptores, IMUs, sensores de estiramento e flexão, EMG e EEG. Apenas 75% dos dispositivos alcançam nível de prontidão tecnológica 4 ou 5, o que indica que poucos estão maduros para uso clínico rotineiro ou comercialização.

Os autores concluem que, embora poucos dispositivos estejam prontos para o mercado, os exosuits demonstram alto potencial para assistência nas atividades diárias. No entanto, a efetividade clínica ainda carece de ensaios clínicos que utilizem métricas de avaliação compartilhadas entre os estudos.

Para o médico, é fundamental reconhecer que a tecnologia está em evolução, mas a aplicação clínica ainda é limitada. A revisão não fornece dados sobre custos, treinamento ou impacto na prática assistencial, o que reforça a necessidade de cautela ao considerar a incorporação desses dispositivos.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática que buscou literatura em PubMed, Scopus e Web of Science, incluindo 105 artigos que descrevem 69 dispositivos exosuits para membros superiores. Os dispositivos foram agrupados por tipo de atuação: pneumática (52%) e motores DC com cabos (29%). A maioria atua em 1 (56%) ou 2 (28%) graus de liberdade, com foco em cotovelo e ombro. Detecção de intenção está em 33% dos exosuits, usando botões, IMUs, sensores de estiramento/flexão, EMG e EEG. 75% têm nível de prontidão tecnológica 4 ou 5. Mais de 80% destinam-se à reabilitação, assistência ou ambos.

## Limitações

O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos, nem sobre vieses de publicação. Também não são descritas limitações específicas dos dispositivos, como conforto, usabilidade ou segurança em uso prolongado. A ausência de ensaios clínicos com métricas compartilhadas impede conclusões sobre eficácia clínica. O resumo não menciona amostras de pacientes ou desfechos clínicos, limitando a aplicabilidade imediata dos achados.

## Aplicação no consultório

A revisão indica que exosuits para membros superiores ainda estão em estágios iniciais de desenvolvimento, com poucos dispositivos prontos para o mercado. Na prática clínica, médicos devem estar atentos a essa tecnologia emergente, mas sem expectativas de disponibilidade imediata. Para gestão do consultório, é importante acompanhar a evolução dos níveis de prontidão tecnológica e a publicação de ensaios clínicos com métricas padronizadas, que poderão orientar decisões de incorporação e encaminhamento de pacientes. A ausência de dados sobre custos e treinamento também limita o planejamento.

## Perguntas para aprofundar

- Quais são os tipos de atuação mais comuns em exosuits para membros superiores e suas implicações clínicas?
- Como a detecção de intenção pode influenciar a eficácia da reabilitação com exosuits?
- Quais métricas de avaliação são recomendadas para ensaios clínicos com exosuits?

Tema: IA e wearables. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-wearables/exoesqueletos-de-tecido-robotico-macio-para-membros-superiores-qual-o-panorama/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
