# Caminhar com assistência robótica consome menos energia e sobrecarrega menos o sistema cardiorrespiratório do que caminhar sem assistência?

> Sim, de modo geral. A revisão sistemática mostrou que parâmetros metabólicos e cardiorrespiratórios foram menores durante a marcha assistida por robô em comparação à caminhada sem assistência, com tamanhos de efeito moderados a grandes. Porém, os resultados dependem do tipo de robô, velocidade, suporte de peso corporal e esforço.

Estudo citado: Lefeber N, Swinnen E, Kerckhofs E. The immediate effects of robot-assistance on energy consumption and cardiorespiratory load during walking compared to walking without robot-assistance: a systematic review. Disability and rehabilitation. Assistive technology. 2017. DOI: https://doi.org/10.1080/17483107.2016.1235620. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27762641/

## Resposta

A revisão sistemática reuniu estudos que compararam os efeitos imediatos da marcha assistida por robô (RAG) com a caminhada sem assistência robótica sobre parâmetros metabólicos, cardiorrespiratórios e de fadiga. Foram incluídos estudos que totalizaram 155 participantes, entre sujeitos saudáveis e pacientes com acidente vascular cerebral e lesão medular. Os desfechos mais avaliados foram consumo de oxigênio e frequência cardíaca.

Em geral, os parâmetros metabólicos e cardiorrespiratórios foram menores durante a RAG do que na caminhada sem assistência, com tamanhos de efeito moderados a grandes. Isso sugere que a RAG impõe menor estresse cardiorrespiratório. No entanto, em sujeitos saudáveis, quando não foi fornecido suporte de peso corporal, a RAG com dispositivo end-effector foi mais exigente energeticamente do que a caminhada no solo, com tamanhos de efeito grandes, embora a significância estatística não tenha sido alcançada.

Os resultados indicam que o consumo de energia e a carga cardiorrespiratória na RAG dependem de fatores como o tipo de robô, a velocidade da caminhada, o suporte de peso corporal e o esforço empregado. Esses parâmetros podem ser ajustados na reabilitação para tornar a RAG mais ou menos exigente. Assim, a RAG pode ser uma alternativa segura para pacientes com risco cardiovascular, mas a intensidade deve ser individualizada.

A revisão conclui que são necessárias mais pesquisas para estabelecer conclusões firmes, especialmente sobre como esses efeitos se comportam em sessões prolongadas. O resumo não informa detalhes sobre a qualidade metodológica dos estudos incluídos nem sobre possíveis vieses.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática que incluiu estudos com 155 participantes (85 saudáveis, 39 com acidente vascular cerebral e 31 com lesão medular), 9 robôs (2 end-effectors, 1 baseado em esteira e 6 exoesqueletos vestíveis) e 7 parâmetros de desfecho, principalmente consumo de oxigênio e frequência cardíaca. Os resultados mostraram que, em geral, parâmetros metabólicos e cardiorrespiratórios foram menores durante a marcha assistida por robô em comparação à caminhada sem assistência, com tamanhos de efeito moderados a grandes. Em sujeitos saudáveis, sem suporte de peso corporal, a RAG com end-effector foi mais exigente energeticamente que a caminhada no solo, com tamanhos de efeito grandes.

## Limitações

O resumo não informa limitações explícitas do estudo. A conclusão dos autores é que pesquisas adicionais são necessárias para conclusões firmes. O resumo também não detalha a qualidade metodológica dos estudos incluídos, a heterogeneidade entre eles ou o risco de viés, o que limita a interpretação dos achados.

## Aplicação no consultório

Na prática clínica e na gestão do consultório, os achados reforçam a importância de conhecer o perfil de consumo energético e carga cardiorrespiratória da marcha assistida por robô. Para pacientes com aptidão cardiorrespiratória prejudicada ou risco de doenças cardiovasculares, a RAG parece ser uma opção segura em sessões curtas. Por outro lado, para integrar estresse cardiometabólico suficiente, pode ser necessário ajustar tipo de robô, velocidade, suporte de peso corporal e esforço. O médico pode usar essas informações para individualizar o treinamento e monitorar respostas, mas deve estar atento à necessidade de mais evidências.

## Perguntas para aprofundar

- Como o tipo de robô influencia o gasto energético durante a marcha assistida?
- Qual o impacto do suporte de peso corporal na carga cardiorrespiratória da marcha robótica?
- A marcha assistida por robô é segura para pacientes com risco cardiovascular?

Tema: IA e wearables. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-wearables/caminhar-com-assistencia-robotica-consome-menos-energia-e-sobrecarrega-menos-o/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
