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A variabilidade da frequência cardíaca pode ser um marcador fisiológico útil no TEA e no TDAH pediátricos?

Resposta curta: A revisão sistemática indica que a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) é um marcador promissor de desregulação autonômica no TEA e no TDAH pediátricos, com padrões distintos: no TEA, alterações na VFC vagal e reatividade autonômica; no TDAH, mudanças dependentes da tarefa ligadas ao controle atencional. A heterogeneidade metodológica limita a comparabilidade entre estudos.

Resposta

A revisão sistemática teve como objetivo sintetizar a literatura sobre variabilidade da frequência cardíaca (VFC) em crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). Foram incluídos 24 estudos empíricos publicados na última década, seguindo as diretrizes PRISMA. A análise focou em como a VFC tem sido adquirida, processada, modelada e interpretada nessa população, com atenção especial a propriedades não lineares do sinal, abordagens computacionais e interações entre regulação autonômica e processos cognitivos.

Os achados mostram que, nos estudos com TEA, predominam indicações de alterações na VFC vagal e na reatividade autonômica. Já nos estudos com TDAH, as alterações parecem mais dependentes da tarefa, especialmente aquelas ligadas ao controle atencional. Esses resultados sugerem que a VFC pode refletir aspectos distintos da fisiologia autonômica em cada condição, mas a interpretação exige cautela devido à grande variabilidade metodológica entre os estudos.

A comparabilidade entre os estudos foi limitada por heterogeneidade substancial nos pipelines de pré-processamento, nos procedimentos de extração de características e nos referenciais analíticos. Apesar dessas inconsistências, a evidência atual sustenta a VFC como um sinal fisiológico promissor de desregulação autonômica em transtornos do neurodesenvolvimento pediátricos. No entanto, o campo carece de protocolos padronizados de processamento de sinal e de abordagens de modelagem reprodutíveis para esclarecer a relevância mecanística e preditiva da VFC no TEA e no TDAH.

A revisão está inserida no contexto do projeto EMPOWER, financiado pelo programa Horizon Europe, que investiga abordagens tecnológicas para crianças com transtornos do neurodesenvolvimento, incluindo sensoriamento fisiológico por smartwatch e análise de aprendizado de máquina de sinais de frequência cardíaca, VFC, temperatura da pele e fotopletismografia durante tarefas cognitivas e de relaxamento. No entanto, este manuscrito não reporta dados empíricos do EMPOWER; ele sintetiza sistematicamente estudos previamente publicados sobre VFC no TEA e no TDAH pediátricos.

O que o estudo mostrou

Revisão sistemática seguindo diretrizes PRISMA, que incluiu 24 estudos empíricos de cinco grandes bases de dados, publicados na última década. Os estudos com TEA indicaram mais frequentemente alterações na VFC vagal e na reatividade autonômica, enquanto os estudos com TDAH sugeriram mudanças dependentes da tarefa ligadas ao controle atencional. A comparabilidade entre estudos foi restringida por heterogeneidade substancial nos pipelines de pré-processamento, extração de características e referenciais analíticos. O resumo não informa a amostra total de participantes nem o desenho detalhado de cada estudo incluído.

Limitações

A principal limitação apontada é a heterogeneidade metodológica entre os estudos, incluindo diferentes pipelines de pré-processamento, procedimentos de extração de características e referenciais analíticos, o que restringe a comparabilidade dos achados. O resumo não informa o número total de participantes, a distribuição por diagnóstico ou as limitações individuais dos estudos incluídos. Além disso, a revisão não reporta dados empíricos do projeto EMPOWER, limitando-se à síntese de publicações prévias.

Aplicação no consultório

A VFC pode ser considerada como um possível marcador fisiológico auxiliar na avaliação de crianças com TEA e TDAH, mas a heterogeneidade metodológica desaconselha seu uso clínico rotineiro sem protocolos padronizados. No consultório, isso significa que a incorporação de wearables para monitoramento da VFC deve ser feita com cautela, preferencialmente em contextos de pesquisa ou protocolos bem definidos. Para a gestão, investir em padronização de coleta e análise de sinais fisiológicos pode melhorar a reprodutibilidade e a utilidade clínica futura.

Estudo citado

Computational analysis of heart rate variability in ASD and ADHD: a systematic review. Frontiers in computational neuroscience, 2026.
Autores: Gorgan RA, Ştefǎnuţ TT, Gorgan D.
DOI: 10.3389/fncom.2026.1911271 · PubMed: PMID 42661664

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Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.