# Qual é o papel da inteligência artificial na endoscopia em pacientes com doença inflamatória intestinal?

> A inteligência artificial na endoscopia de doença inflamatória intestinal pode automatizar a detecção e caracterização de lesões, auxiliar na avaliação da atividade endoscópica, diferenciar colite ulcerativa de doença de Crohn e prever desfechos, mas são necessários estudos prospectivos multicêntricos e algoritmos específicos comercialmente disponíveis.

Estudo citado: Pal P, Pooja K, Nabi Z, Gupta R, Tandan M, Rao GV et al.. Artificial intelligence in endoscopy related to inflammatory bowel disease: A systematic review. Indian journal of gastroenterology : official journal of the Indian Society of Gastroenterology. 2024. DOI: https://doi.org/10.1007/s12664-024-01531-3. PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38418774/

## Resposta

A revisão sistemática identificou 62 artigos originais que avaliaram o uso de inteligência artificial (IA) na endoscopia relacionada à doença inflamatória intestinal (DII). Os modelos de IA mostraram acurácia para avaliar a atividade endoscópica da colite ulcerativa variando entre 86,54% e 94,5% em 25 estudos. A leitura assistida por IA de cápsula endoscópica reduziu substancialmente as imagens analisáveis e o tempo de leitura, com acurácia excelente (90,5% a 99,9%) em 12 estudos.

Além disso, a análise assistida por IA de imagens colonoscópicas auxiliou na diferenciação entre DII e não DII, colite ulcerativa e não colite ulcerativa, e colite ulcerativa e doença de Crohn, com acurácias de 72,1%, 98,3% e >90%, respectivamente, em três estudos. Modelos baseados em parâmetros clínicos e radiológicos não invasivos previram atividade endoscópica em três estudos, e a cromoendoscopia virtual assistida por IA previu remissão histológica e desfechos de longo prazo em quatro estudos.

A detecção assistida por computador (CADe) de displasia mostrou-se viável em dois estudos, juntamente com a diferenciação assistida por IA entre neoplasia de alto e baixo grau em DII, com acurácia de 79%. A IA também foi eficaz em vincular dados de prontuário eletrônico a vídeos colonoscópicos para facilitar o aprendizado de máquina em larga escala, conforme dois estudos.

Os autores concluem que a endoscopia assistida por IA em DII tem potencial para impactar o manejo clínico por meio da detecção e caracterização automatizadas de lesões endoscópicas. No entanto, são necessários estudos prospectivos multicêntricos e algoritmos de IA específicos para DII comercialmente disponíveis.

A revisão foi conduzida com busca sistemática nas bases PubMed e Embase, entre 1975 e setembro de 2023, utilizando termos relacionados à IA e à DII. A qualidade dos estudos incluídos foi avaliada pela lista de verificação MI-CLAIM. O resumo não informa detalhes sobre a amostra total de pacientes ou características dos participantes.

## O que o estudo mostrou

Revisão sistemática que identificou 62 artigos originais sobre IA na endoscopia em DII. Modelos de IA avaliaram atividade endoscópica da colite ulcerativa com acurácia de 86,54% a 94,5% (25 estudos). Leitura assistida por IA de cápsula endoscópica reduziu imagens e tempo de leitura, com acurácia de 90,5% a 99,9% (12 estudos). IA diferenciou DII de não DII, colite ulcerativa de não colite ulcerativa e colite ulcerativa de doença de Crohn com acurácias de 72,1%, 98,3% e >90%, respectivamente (três estudos). Outros achados incluíram predição de atividade endoscópica por parâmetros não invasivos, previsão de remissão histológica e desfechos, detecção de displasia e integração de dados de prontuário com vídeos.

## Limitações

O resumo não informa o número total de pacientes incluídos, as características dos estudos ou suas limitações individuais. A heterogeneidade metodológica e a falta de algoritmos comercialmente disponíveis específicos para DII são apontadas como barreiras. São necessários estudos prospectivos multicêntricos para validar os achados.

## Aplicação no consultório

Os achados sugerem que a IA pode auxiliar o gastroenterologista na avaliação endoscópica de pacientes com DII, padronizando a caracterização de lesões e otimizando o tempo de leitura de cápsula endoscópica. Na gestão do consultório, isso pode implicar maior eficiência diagnóstica e melhor estratificação de risco, mas a implementação depende de validação em estudos prospectivos e disponibilidade de algoritmos específicos. O médico deve acompanhar as evidências antes de incorporar essas ferramentas na rotina.

## Perguntas para aprofundar

- Como a inteligência artificial pode auxiliar na diferenciação entre colite ulcerativa e doença de Crohn à colonoscopia?
- Qual é o desempenho da IA na leitura de cápsula endoscópica em pacientes com doença inflamatória intestinal?
- A IA já está disponível comercialmente para uso na endoscopia de doença inflamatória intestinal?

Tema: IA em triagem e prontuário eletrônico. Página: https://alphadoctor.com.br/ciencia/ia-triagem-prontuario/qual-e-o-papel-da-inteligencia-artificial-na-endoscopia-em-pacientes-com-doenca/

Conteúdo educacional para profissionais de saúde, baseado no resumo do artigo citado. Não substitui a leitura do estudo original nem avaliação clínica.
